A Alphabet (GOOGL; GOGL34) superou as projeções do mercado na maior parte dos indicadores do segundo trimestre de 2026, impulsionada principalmente pelo Google Cloud. O avanço dos investimentos, porém, pressionou o caixa e provocou uma reação volátil das ações no pós-mercado.
Segundo o balanço da Alphabet, a receita cresceu 24% e alcançou US$ 119,8 bilhões, acima dos US$ 117,02 bilhões esperados. O lucro operacional avançou 30%, para US$ 40,77 bilhões.
“O ponto principal e negativo foi a preocupação do mercado com os investimentos, o capex. De resto, acho que os resultados foram fortes”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Google Cloud cresce 82%
A receita do Google Cloud saltou 82%, para US$ 24,77 bilhões, superando a projeção de US$ 22,46 bilhões. A carteira de contratos da divisão alcançou US$ 514 bilhões.
O Google Services faturou US$ 94,54 bilhões, alta anual de 15%. A receita de publicidade avançou 14%, para US$ 81,63 bilhões, enquanto os anúncios no YouTube cresceram 13%, para US$ 11,06 bilhões.
Já o Google Search registrou receita de US$ 63,27 bilhões, crescimento de 17% e resultado praticamente em linha com as estimativas.
A Alphabet também informou que o aplicativo Gemini alcançou 950 milhões de usuários ativos mensais. Os modelos da companhia passaram a processar 22 bilhões de tokens por minuto por meio de suas APIs, ante 16 bilhões no trimestre anterior.
Participações financeiras impulsionam lucro
O lucro líquido disponível aos acionistas disparou 298%, para US$ 112,11 bilhões. O salto, entretanto, não foi provocado apenas pelo desempenho operacional.
O resultado de outras receitas e despesas somou US$ 97,98 bilhões, impulsionado por um ganho de US$ 99,03 bilhões com participações societárias. Após os impostos, esse efeito acrescentou aproximadamente US$ 77,1 bilhões ao lucro líquido.
A Avenue relaciona o ganho à valorização de investimentos em companhias como Anthropic e SpaceX (SPCX; SPCX34). Por envolver oscilações no valor dessas participações, o resultado não representa uma fonte recorrente de lucro operacional.
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Capex dobra e fluxo de caixa fica negativo
O capex da Alphabet atingiu US$ 44,92 bilhões, praticamente o dobro dos US$ 22,45 bilhões registrados um ano antes. Com isso, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,86 bilhões.
A companhia elevou novamente sua projeção de investimentos para 2026 e agora estima desembolsar entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões.
“O culpado, digamos assim, é a forte demanda por inteligência artificial, que faz com que essas empresas tenham que investir mais e, eventualmente, pagar mais caro por chips de memória”, explica Alves.
Segundo o estrategista, a Alphabet continua gerando caixa operacional, mas uma parcela crescente desses recursos está sendo direcionada à ampliação da infraestrutura de inteligência artificial.
“Os resultados estão batendo, mas com investimentos maiores, que geram preocupação no mercado sobre a rentabilização disso olhando à frente”, conclui Alves.






