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Investidor de longo prazo pode lucrar com o aluguel de ações

Investidor de longo prazo pode lucrar com o aluguel de ações

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

13 Mar 2021 às 10:34 · Última atualização: 13 Mar 2021 · 7 min leitura

Redação EuQueroInvestir

13 Mar 2021 às 10:34 · 7 min leitura
Última atualização: 13 Mar 2021

Aluguel de ações

O investidor de longo prazo se preocupa menos com o vai e vem da Bolsa. Na verdade, ele foca mais na conservação de sua carteira de ações. Se você se identifica com esse perfil, o aluguel de ações pode ser uma forma interessante de rentabilizar sem fazer esforço. 

Isso porque o empréstimo de ação garante um ganho seja qual for o desempenho do papel no pregão.

Mas como funciona o empréstimo de ativo? 

O Eu Quero Investir explica as vantagens e desvantagens do aluguel de ações, sobretudo para os traders de longo prazo. 

Entenda o que é aluguel de ações

O aluguel de ações se assemelha ao aluguel de imóvel. É como se você tivesse um imóvel desocupado. 

Você é dono dele, mas não tem planos a médio prazo de morar no local. Por esse motivo, você pretende alugar para obter rendimento extra. 

Assim, ao alugar o imóvel para terceiros, você fica impedido de utilizá-lo enquanto vigorar o contrato.

Com o aluguel de ações é a mesma lógica. Em resumo, você aluga seus ativos para alguém. Em troca, recebe uma quantia por essa cessão temporária.

No mercado financeiro, o proprietário se chama “doador”. Já quem pega emprestado a ação é conhecido por “tomador”.

Os contratos de aluguel de ação são feitos por intermédio das corretoras e registrados na Bolsa de Valores. Confira com sua corretora como emprestar seus ativos.

Por que vale a pena alugar ações? 

O aluguel de ações vale a pena para o investidor que não pretende mexer com seus papéis por um longo período. 

Melhor ainda é se ele tiver muitos ativos e conseguir alugar por uma taxa alta.

Pense naquele investidor que está com a carteira cheia de ativos e que não pretende operar a curto e médio prazo. 

Aí ele percebe que se alugar suas ações por um determinado período, ele ganhará uma quantia fixa pelo empréstimo. 

É aquele pensamento: “Não quero saber qual o rumo da ação no dia a dia. Quero alugar o que tenho para ganhar um valor fixo”.

Observação: quanto mais tempo o investidor de longo prazo deixar alugado, menos imposto pagará. Sim, os ganhos gerados com o aluguel de ações são tributados.

Vale conferir a porcentagem de tributo por tempo alugado:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Quais são as vantagens de quem aluga sua ação?

  • Receberá o valor pelo aluguel das ações;
  • Continuará recebendo o dividendo do ativo;
  • Voltará a ter o domínio da ação após o término do acordo de empréstimo. 

Quais são as desvantagens de quem aluga sua ação?

A desvantagem é que o doador ficará impossibilitado de operar essas ações emprestadas durante o aluguel. 

Com isso, pode acontecer do doador perder boa oportunidade de venda do ativo. 

Por exemplo, você cedeu temporariamente 1000 ações que está custando R$ 30 no mercado. Ou seja, esse patrimônio de R$ 30 mil ficará emprestado para um terceiro.

Agora, imagine que esse ativo começa a subir e seu preço passa para R$ 36. Ou seja, essa disparada fez com que a carteira de ações valorizasse R$ 6 mil.

Você acompanha essa valorização e até gostaria de vender, mas está impedido de operar as ações, pois elas estão emprestadas.

Vamos supor que no último dia do contrato de aluguel, a ação desabou e passou a custar R$ 30, quase o preço que estava quando você cedeu provisoriamente.

No dia seguinte, com o fim do aluguel, você retoma o direito de operar suas ações. No entanto, perdeu a chance de negociá-las por R$ 36 cada. Agora, o papel custa R$ 30.

Conclusão: você ficou impedido de vender suas ações porque precisou honrar o aluguel e perdeu a chance de vender suas 1000 ações por R$ 36. Isso representaria lucro de R$ 6 mil. 

E quando retomou o direito de operar os papéis, o preço da ação já não estava atraente. Em resumo, seu lucro foi somente pelo aluguel da ação, que será muito menor do que R$ 6 mil.

Como calcular o aluguel de ações

O cálculo não é tão fácil de se fazer. O site da Bovespa (B3) explica esse cálculo.

Uma forma mais simples de conferir quanto você ganharia alugando ações é pelo site Aroldo Batista, que possui uma planilha de ativos para aluguel.

Exemplo 1

Você aceita alugar 500 ações do Banco do Brasil por uma taxa de 2% ao ano. O contrato de empréstimo é de 41 dias úteis. 

A cotação do ativo é do dia anterior do acordo (R$ 30). Desta forma, você alugou 500 ações por R$ 30 cada por 41 dias úteis.

Seu lucro bruto será de R$ 48,41. Já a tributação será de R$ 10,79.

Por fim, seu lucro líquido será de R$ 37,61.

Exemplo 2

Você aceita alugar 500 ações do Banco do Brasil por uma taxa de 2% a.a e o contrato de empréstimo agora é de 739 dias úteis. 

Vamos supor que a cotação do ativo tenha o mesmo valor do exemplo anterior (R$ 30). Desta forma, você alugou 500 ações por R$ 30 cada por 739 dias úteis.

Seu lucro bruto será de R$ 896,87. Neste caso, a tributação será de R$ 200. Assim, seu lucro líquido será de R$ 696,87.

Quais são as taxas praticadas com ações populares?

Geralmente, as ações mais populares da Bolsa não oferecem as melhores taxas de aluguel. 

Isso se deve, basicamente, pelo fato do volume de ofertas de aluguel ser maior em papéis populares em relação às small caps. É a velha história da oferta e demanda.   

Mas outros fatores podem influenciar na taxa praticada no mercado, tais como:

  • Ameaça de queda do ativo pode gerar maior procura para quem entra vendido;
  • Incertezas em relação ao desempenho de um ativo menor. Papéis pequenos podem ser alvos mais fáceis de boatos. Com isso, a procura pode aumentar, influenciando na taxa.

Posso pegar minha ação antes do vencimento?

Você só pode pegar as ações antes do vencimento se essa possibilidade estiver acertada em contrato. 

Caso isso esteja acertado, o tomador terá de devolvê-las depois de três pregões.

Quais são os riscos?

O risco é baixíssimo para o “doador”, afinal a Bolsa se compromete a ressarcir o dono caso o tomador não honre suas obrigações contratuais. 

A B3 atua como contraparte central de empréstimos, garantindo a liquidez integral para o doador. 

Portanto, o risco pode ser grande para o tomador, pois a Bolsa pedirá garantias a quem pega ações por empréstimo. 

Essas garantias pedidas pela Bolsa ao tomador podem ser dinheiro na conta ou aplicações em sua carteira de investimento.

O problema acontece quando o tomador leva prejuízo na operação e fica sem recursos para quitar o doador.

Como foi dito acima, a Bolsa vai assumir a responsabilidade junto ao doador (que deveria ser do tomador). 

Posteriormente, a Bolsa vai cobrar esses valores ao tomador, com correções. 

Como funciona o aluguel de ações para o tomador?

E qual seria o interesse do tomador? Esse trader tem interesse em alugar ações para entrar vendido no mercado. 

Traduzindo: o tomador pega as ações projetando que o preço dela caia. Caso isso ocorra, o tomador espera proceder da seguinte forma: 

  • Vende as ações que ele pegou emprestado assim que fechar o aluguel
  • Espera o preço cair e compra ações por um preço mais barato no mercado
  • Entrega as ações para o doador (que não são as mesmas que ele tomou por empréstimo)
  • Lucra com a diferença do valor que ele pegou emprestado com o valor que ele comprou mais barato
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