As bolsas de valores asiáticas registraram quedas expressivas nesta segunda-feira, em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã desencadeou uma forte onda de aversão ao risco nos mercados globais, reacendendo preocupações com um cenário de estagflação — combinação temida de inflação elevada e desaceleração econômica.
O epicentro da turbulência está nas declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou atacar usinas de energia iranianas caso o Estreito de Ormuz — rota marítima estratégica para o transporte de petróleo e produtos energéticos — não seja reaberto. Em resposta, o governo iraniano afirmou que retaliaria contra a infraestrutura dos EUA na região, incluindo instalações de energia e dessalinização no Golfo Pérsico. O impasse marca a quarta semana consecutiva do conflito armado entre as duas potências.
As principais bolsas de valores da Ásia não resistiram ao clima de incerteza. A maior baixa ficou com a bolsa sul-coreana: o índice Kospi despencou 6,49%, sinalizando o pânico dos investidores diante dos riscos geopolíticos. Na China continental, os índices de Xangai e Shenzhen recuaram 3,63% e 3,76%, respectivamente, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 3,54%. No Japão, o Nikkei cedeu 3,48%, e em Taiwan, o Taiex registrou queda de 2,45%.
Analistas alertam que o aumento dos custos de insumos provocado pela alta do petróleo pode pressionar a lucratividade das empresas e afetar o nível de emprego. Para a China, em particular, uma forte desaceleração na demanda global representaria riscos adicionais às exportações e ao crescimento econômico do país.
Futuros recuam
Do outro lado do Pacífico, os mercados futuros americanos acompanharam o movimento de baixa, pressionados pelo mais recente capítulo da crise com o Irã. Os contratos futuros do S&P 500 caíram 0,7%, enquanto os futuros do Dow Jones Industrial recuaram 0,8% e os do Nasdaq-100 cederam 1%. Os principais índices americanos já haviam acumulado a quarta queda semanal consecutiva antes do início desta semana.
Com o agravamento da crise, os preços do petróleo bruto avançaram no início do pregão. O West Texas Intermediate (WTI) subiu 1,1%, chegando a US$ 99,22 por barril, enquanto o Brent — referência internacional — avançou 1,3%, atingindo US$ 113,58. A proximidade do WTI à marca de US$ 100 por barril e o patamar elevado do Brent reforçam os temores inflacionários que já rondam as economias desenvolvidas e emergentes.






