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Claro compra controle da Desktop por R$ 4 bi e acelera aposta em fibra

Claro compra controle da Desktop por R$ 4 bi e acelera aposta em fibra

Aquisição da provedora por valor da firma de R$ 4 bilhões reforça a estratégia da Claro em fibra, mas também acende debate regulatório

Para o BTG Pactual (BPAC11), a compra do controle da Desktop (DESK3) pela Claro (AMXB) fortalece o mercado brasileiro de banda larga. O banco ainda aponta que a estratégia faz sentido para a empresa de origem mexicana, uma vez que isso demonstra a sua intenção de acelerar a migração para fibra. 

Ao mesmo tempo, a operação abre uma frente de discussão regulatória, dada a sobreposição de mercado entre as companhias em várias cidades de São Paulo.

A Desktop anunciou que seus acionistas controladores, entre eles o fundo H.I.G. e os fundadores, assinaram com a Claro um contrato para a venda de cerca de 73% do capital da companhia. 

A transação foi baseada em um valor da firma de R$ 4 bilhões, equivalente a 6,1 vezes o Ebitda estimado para 2025 pelo BTG. Considerando a dívida líquida usada como referência na estrutura da operação, o preço implícito por ação seria de R$ 20,82.

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Claro compra Desktop: estratégia e regulação

Para o BTG, a tese da aquisição está menos no tamanho da Desktop e mais no que ela traz para a estratégia da Claro no segmento de fibra. Hoje, embora a companhia seja a principal operadora de banda larga do Brasil, uma parte relevante de sua base ainda está conectada por HFC, tecnologia considerada inferior à fibra pura.

“A operação faz sentido estratégico para a Claro”, afirmou o BTG Pactual.

Na avaliação do banco, a compra adiciona cerca de 1,2 milhão de assinantes FTTH à base da operadora e fortalece sua capacidade de migrar clientes da rede legada para uma infraestrutura mais competitiva. 

O relatório destaca que a base da Desktop representa cerca de 11% da base total de banda larga da Claro e elevaria os assinantes FTTH da companhia de aproximadamente 2,7 milhões para 3,9 milhões.

“A aquisição da Desktop deve reforçar ainda mais essa transição, já que a companhia adiciona 1,2 milhão de assinantes FTTH e uma infraestrutura de fibra que a Claro pode aproveitar imediatamente para migrar clientes para fora de sua rede legada”, destacou o BTG Pactual.

Apesar do racional estratégico, o banco pondera que o fechamento ainda depende de aprovações do Cade e da Anatel, o que torna o prazo da conclusão incerto. Esse ponto é importante porque Claro e Desktop têm posições relevantes em várias cidades nas quais atuam, sobretudo no interior paulista, o que pode exigir uma análise concorrencial mais cuidadosa.

O BTG observa que, considerando as 198 cidades em que a Desktop opera, a empresa combinada teria cerca de 41% de participação de mercado, acima dos cerca de 33% da Vivo (VIVT3). Em 64 dessas cidades, a participação combinada superaria 50%. No recorte de FTTH, contudo, a sobreposição é menos agressiva em parte dos mercados, o que pode aliviar parte das preocupações regulatórias.

“Isso torna a operação menos atraente para fundos de arbitragem e deve levar a ação a negociar com desconto mais amplo em relação ao preço final da oferta quando comparada a transações mais simples”, apontou o BTG Pactual.

Outro ponto destacado pelo banco é que, depois da compra da fatia de controle, a Claro terá de fazer uma oferta pública obrigatória aos minoritários da Desktop, em condições ao menos equivalentes às oferecidas aos controladores. Como o preço não será corrigido pelo CDI até o fechamento, o mercado tende a embutir esse risco de tempo no papel.

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Leitura para o setor

Para além da Desktop, a leitura do BTG também foi positiva para a Unifique (FIQE3). 

O banco avalia que o múltiplo implícito da transação reforça o valor estratégico de operadoras regionais com boa rede e baixa taxa de churn. 

Aplicando o mesmo múltiplo de 6,1 vezes o Ebitda de 2025 à Unifique, o preço implícito por ação chegaria a R$ 9,35, o que sugeriria um potencial de valorização de cerca de 65% frente ao último fechamento.