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IBGE reduz estimativa, mas ainda prevê safra recorde de grãos

IBGE reduz estimativa, mas ainda prevê safra recorde de grãos

Redação EuQueroInvestir

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07 Abr 2022 às 13:38 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 13 min leitura

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07 Abr 2022 às 13:38 · 13 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Campo de soja sendo colhida. A safra de grãos do Brasil deve ser recorde em 2022, mas a soja terá menor participação.

Reprodução / Aprosoja

O Brasil deve ter uma safra recorde de grãos em 2022, com colheita estimada em 258,9 milhões de toneladas. A estimativa de março do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) foi divulgada nesta quinta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estimativa é 1% menor que a de fevereiro, com 2,7 milhões de toneladas a menos. Apesar dessa retração, no entanto, a produção ainda deve superar os números de 2020, quando foram produzidos no país 255,4 milhões de toneladas de grãos de cereais, leguminosas e oleaginosas.

A queda na estimativa foi impactada principalmente pelo declínio da soja, cuja produção deve ser 5,6% menor do que o previsto no mês anterior, devido a problemas climáticos enfrentados em importantes regiões produtoras, como os estados do Sul. “Houve uma estiagem que durou de novembro do ano passado até janeiro deste ano e isso prejudicou muito a safra do Rio Grande do Sul e do Paraná”, afirma o gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes.

Sul com menor participação

Com a quebra da safra dos estados do Sul, Goiás deve se tornar o segundo maior produtor nacional de soja, atrás apenas de Mato Grosso, que responde por quase um terço da produção brasileira da semente.

Com os problemas climáticos na região, apenas o Sul teve sua estimativa de produção retraída (-5,9%) frente à previsão de fevereiro. A região sulista deve produzir 65,1 milhões de toneladas e responder por 25,2% do total do país.

As demais apresentaram alta: o Norte deve alcançar 12,7 milhões de toneladas (avanço de 2,2%), enquanto a estimativa de produção do Nordeste teve alta de 1,6%, totalizando 25,1 milhões de toneladas. Já a do Sudeste cresceu 0,4% e a produção deve chegar a 26,9 milhões de toneladas. Com avanço de 0,5%, a produção do Centro-Oeste foi estimada em 129,1 milhões de toneladas.

Mato Grosso na liderança

Entre as unidades da Federação, Mato Grosso segue como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 30,8%, seguido pelo Paraná (13,8%), Rio Grande do Sul (9,2%), Goiás (10,4%), Mato Grosso do Sul (8,3%) e Minas Gerais (6,5%). Somados, esses seis estados representam 79% da produção nacional.

As principais variações positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram em:

  • Mato Grosso (2,2 milhões de toneladas)
  • Paraná (1,0 milhão de toneladas)
  • Bahia (223,7 mil toneladas)
  • Rondônia (166,1 mil toneladas)
  • Pernambuco (149,8 mil toneladas),

Já as maiores variações negativas ocorreram em:

  • Rio Grande do Sul (-4,5 milhões de toneladas)
  • Mato Grosso do Sul (-1,5 milhão de toneladas)
  • Santa Catarina (-640,2 mil toneladas)
  • Distrito Federal (-30,8 mil toneladas)
  • Ceará (-789 toneladas).

Queda na produtividade

Os efeitos climáticos negativos vão impactar na produtividade média, uma vez que o levantamento do IGBE aponta que a área a ser colhida é de 71,8 milhões de hectares, número 0,8% (555,6 mil hectares) maior do que o previsto no mês anterior e 4,7% (3,2 milhões de hectares) que a área colhida em 2021.

Soja

Dados apontam um acréscimo de 3,8% na área dedicada ao cultivo da soja, chegando a 40,5 milhões de hectares. A produtividade, porém, vai cair: espera-se chegue a 116,2 milhões de toneladas, com redução de 13,9% em relação ao produzido no ano passado. Caso os dados se confirmem, o rendimento médio da cultura no país em 2022 será de 17%,

Os efeitos adversos proporcionados pela estiagem castigaram o desempenho das lavouras de verão nos estados do centro-sul do país. A soja seguirá sendo o grão de maior peso na produção brasileira, com 44,9% da produção.

Mato Grosso, maior produtor nacional da leguminosa, e que deve responder por quase um terço da produção do país, com novo acréscimo de 0,3% no mês, estimou um total de 37,6 milhões de toneladas. Com isso, a produção do grão no estado deve ser 5,4% superior à registrada no ano anterior, constituindo novo recorde na série histórica do IBGE.

No Paraná, com a quebra de safra neste ano, o volume produzido deve ser 41,1% menor que o obtido na safra anterior, também por conta dos efeitos da estiagem, aliado ao calor intenso. Com produção esperada de 11,7 milhões de toneladas, a retração de 41,8% no rendimento médio é a principal responsável pela queda na produção regional.

Já o Rio Grande do Sul, que neste mês apresentou mais um reajuste, agora com redução de 27,5% na produção, confirmando a quebra na safra, estimou para 2022 uma produção 9,5 milhões de toneladas, queda de 53,5% frente à safra anterior.

Safra do milho deve ter alta em 2022 em relação a 2021

Milho deve ter produtividade maior com aquecimento da demanda – Foto: Divulgação

Milho

A estimativa para a produção de milho foi de 111,9 milhões de toneladas, aumento de 2,9% em relação ao mês anterior e de 27,4% em relação a 2021. Após forte queda na produção, em 2021, efeitos do atraso do plantio da 2ª safra e da falta de chuvas nos principais estados produtores, aguarda-se um ano dentro da normalidade, com recuperação das lavouras e possibilidade de um novo recorde nacional.

Para o milho 1ª safra, a estimativa é de uma produção de 24,7 milhões de toneladas, declínios de 3,8% em relação ao mês anterior e de 3,9% em relação à safra de 2021, apesar do acréscimo de 6,9% na área a ser colhida. Já o rendimento médio apresenta redução de 10,1%. Embora as chuvas tenham chegado de forma antecipada na maior parte do país, iniciando o ano agrícola no tempo certo, a partir da segunda metade do ciclo da cultura, faltaram chuvas na Região Sul, o que derrubou consideravelmente o potencial de produção dessa safra.

O otimismo recai sobre a 2ª safra, com estimativa de 87,2 milhões de toneladas, aumentos de 4,9% em relação ao mês anterior e de 40,4% em relação a 2021, com crescimento de 6,8% na área plantada. Para isso, aguarda-se uma conjuntura climática mais benéfica. “Com a alta de preços no mercado internacional e os investimentos nas áreas de cultivo, a produção deve crescer e ser um novo recorde na série histórica”, explica Carlos Alfredo Guedes, do IGBE.

Arroz

O arroz é outra cultura fortemente afetada pelos problemas climáticos. A estimativa de produção em março é de 10,7 milhões de toneladas, queda de 8,0% frente ao produzido no ano passado.

“Essa é uma produção muito concentrada no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, que deve ter uma safra 10,6% menor do que a de 2021. Nesses estados, faltou água para irrigação e a produtividade caiu”, afirma Guedes.

Feijão

A estimativa da produção de feijão, considerando-se as três safras, está em 3,2 milhões de toneladas, 3,0% maior que a de fevereiro, em função dos aumentos de 1,7% na área a ser colhida e de 1,3% no rendimento médio. Nesta avaliação, os estados com maior participação na estimativa de produção da safra foram Paraná (24,7%), Minas Gerais (16,5%), Goiás (10,2%) e Mato Grosso (9,4%).

Com relação à variação anual, a estimativa para a área a ser colhida aumentou 2,7%, com o rendimento médio crescendo 11,0%. A estimativa da produção aumentou 13,9%.

A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,2 milhão de toneladas, aumento de 2,0% frente à estimativa de fevereiro. A estimativa da área a ser colhida aumentou 1,9% e o rendimento médio permaneceu inalterado. A falta de chuvas foi a responsável pelas reduções das safras Santa Catarina (-19,0%) e no Rio Grande do Sul (-11,2%), enquanto Mato Grosso (48,8%), Pernambuco (115,8%) e Rio Grande do Norte (63,3%) apresentam números promissores. A primeira 1ª safra representa 38,2% do total de feijão produzido no país.

A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,4 milhão de toneladas, um aumento de 4,5% frente à estimativa de fevereiro, havendo também crescimentos de 3,0% na estimativa do rendimento médio e de 1,4% na estimativa da área a ser colhida. Essa segunda safra representa 43,0% do total de feijão produzido no país.

Com relação à 3ª safra, a estimativa de produção do grão foi de 593,8 mil toneladas, aumento de 1,7% frente à previsão de fevereiro. Dos nove estados com informação para a 3ª safra de feijão, seis mantiveram as estimativas do último levantamento. Houve crescimento na estimativa da produção do Distrito Federal (133,3%), e declínio na estimativa de Mato Grosso (-1,3%) e do Espírito Santo (-42,0%). Essa safra representa 18,8% da produção nacional.

Café

A estimativa da produção brasileira de café para 2022, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi de 3,4 milhões de toneladas, ou 56,1 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 0,9% em relação ao mês anterior e crescimento de 14,4% em relação a 2021. O rendimento médio, de 1 824 kg/ha, aumentou 13,5% no comparativo anual.

Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,3 milhões de toneladas, aumento de 0,6% em relação ao mês anterior, e crescimento de 20,9% em relação ao ano anterior. “Para o café arábica, o ano é de bienalidade positiva, ou seja, quando teremos alta produção. Mas essa safra poderia ser maior, não fossem os problemas de clima, como geadas e períodos de altas temperaturas, que os estados produtores enfrentaram em 2021”, diz Guedes, do IBGE.

O Brasil é o maior produtor e o maior exportador de café do mundo. O café arábica representa 69,1% de todo esse café produzido no país e sua produção está concentrada principalmente em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.

Para o café canephora, também conhecido como conillon, a estimativa da produção foi de 1,0 milhão de toneladas, aumento de 1,7% em relação ao mês anterior e de 2,3% em relação a 2021. A área plantada e a área a ser colhida apresentam crescimentos de 1,8% e de 1,9%, respectivamente. O rendimento médio, de 2 586 kg/ha, apresenta crescimento de 0,4% frente ao obtido em 2021.

Algodão herbáceo (em caroço)

Com a demanda aquecida, os produtores aumentaram a área cultivada com o algodão. Em relação ao mês anterior, o crescimento foi de 3,6% e, no ano, chegou a 11,1%. Com isso, a estimativa para a produção foi de 6,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,7% em relação à previsão de fevereiro e de 12,3% em comparação com 2021.

No ano passado, o plantio da soja atrasou devido à escassez de chuvas em algumas regiões e, como grande parte das áreas de algodão são plantadas depois dessa colheita, alguns produtores a reduziram com o objetivo de minimizar o risco climático. Em 2022, o plantio ocorreu dentro do período ideal, favorecendo o desenvolvimento da cultura.

Mato Grosso é responsável por quase 70,0% da produção nacional, tendo estimado um aumento de 4,6% na produção em relação ao mês anterior. Em relação a 2021, a produção deve crescer 13,9%, tendo como principal motivo o aumento da área plantada (12,6%).

Como a maior parte das áreas do produto no estado é plantada na 2ª safra, e como o avanço da colheita da soja proporcionou o plantio do algodão na época ideal, as lavouras tiveram seu desenvolvimento favorecido. Entretanto, em algumas regiões do Estado, o excesso de chuva reduziu o ritmo de colheita da soja, prejudicando a implantação das lavouras de algodão.

Na Bahia, responsável por 21,0% da safra nacional, a estimativa de produção cresceu 2,1% em relação ao mês anterior devido à expectativa de aumento da produtividade. A recuperação dos preços da pluma e o aumento da demanda internacional incentivaram os produtores a aumentar a área cultivada, que cresceu 8,3% quando comparada com o ano anterior.

Cereais de inverno (em grão)

Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada. A estimativa da produção do trigo foi de 7,9 milhões de toneladas, aumentos de 9,6% em relação ao mês anterior e de 1,5% em relação ao ano anterior, com o rendimento médio devendo alcançar 2 939 kg/ha, crescimento de 4,5%. O produto está em alta no mercado internacional de commodities devido à invasão da Rússia à Ucrânia, um dos principais países produtores do grão.

A estimativa da produção da aveia foi de 1,0 milhão de toneladas, crescimento de 3,3% em relação ao mês anterior, e declínio de 4,9% em relação a 2021. Os principais produtores do cereal são o Rio Grande do Sul, com 709,2 mil toneladas e Paraná, com 236,7 mil toneladas, respondendo a Região Sul por 96,7% do total a ser produzido no país em 2022.

Para a cevada, a produção estimada foi de 453,4 mil toneladas, aumentos de 11,4% em relação ao mês anterior e de 3,8% em relação a 2021. Os maiores produtores do cereal são Paraná, com 344,2 mil toneladas, e Rio Grande do Sul, com 94,5 mil toneladas, cujas produções somadas representam 96,7% do total nacional.

A produção paulista e a catarinense foram estimadas em 12,7 mil toneladas e 2,0 mil toneladas, respectivamente. O cultivo do cereal normalmente é realizado sob contrato com cervejarias nacionais, o que tem incentivado a produção no país como alternativa à importação do produto.

Tomate

Muitas vezes apontado como vilão da inflação, o tomate tem produção estimada em 3,5 milhões de toneladas, indicando um declínio de 1,9% em relação a fevereiro. A área plantada apresentou redução de 1,3% e o rendimento médio, declínio de 0,7%. Em relação a 2021, a estimativa de produção foi 9,2% inferior, ocorrendo declínios de 3,0% no rendimento médio e de 6,4% na área a ser colhida.

Goiás se apresenta, nesta estimativa, como o maior produtor brasileiro de tomates e espera uma produção de 971,4 mil toneladas, o que representa 27,5% do total nacional, sendo seguido por São Paulo, com 24,8%.

Uva

A estimativa da produção foi de 1,5 milhão de toneladas, decréscimos de 9,5% em relação ao mês anterior e de 13,2% em relação a 2021. No Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do país, com 49,3% do total, a estimativa da produção foi reduzida em 17,5% em relação a fevereiro, para 728,3 mil toneladas, caindo 23,4% em relação a 2021.

A estiagem causou efeitos diretos nesta safra, como também poderá influenciar a próxima, afetando o desenvolvimento fisiológico: a falta de chuvas dificulta a manutenção das folhas e acelera a dormência das plantas, levando ao menor acúmulo de foto-assimilados e a uma menor produtividade.

A produção paulista deve alcançar 146,9 mil toneladas, declínio de 0,3% em relação ao ano anterior, enquanto as produções do Paraná, de 56,2 mil toneladas e de Santa Catarina, de 55,2 mil toneladas, devem apresentar um declínio de 1,4% e 7,5%, respectivamente, nesse mesmo comparativo.

No Nordeste, Pernambuco e Bahia, outros produtores importantes, com participação de 27,0% e 4,1%, respectivamente, devem produzir 399,1 mil toneladas e 60,8 mil toneladas, respectivamente. Enquanto no Sul a maior parte das uvas tem como destino a produção de sucos, no Nordeste a maior parte vai para o consumo de mesa.

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