O BB Investimentos promoveu mudanças em suas carteiras recomendadas de fundos imobiliários para agosto, substituindo VGIP11 por HGCR11 na Carteira Renda e RBVA11 e PVBI11 por BTLG11 e HGLG11 na Carteira Ganho. As alterações refletem a estratégia da instituição de privilegiar fundos considerados “top players”, com maior previsibilidade de dividendos e menor exposição aos riscos do cenário macroeconômico, mesmo após o início do ciclo de queda da taxa Selic.
Segundo o relatório mensal da instituição, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) encerrou julho com queda de 0,32%, acumulando alta de 1,14% no ano e de 11,12% nos últimos 12 meses.
A Carteira Renda, por sua vez, apresentou desempenho superior ao índice no mês, com valorização de 0,09%. No acumulado de 2026, a carteira registra ganho de 3,22%, enquanto o retorno em 12 meses alcança 11%. O Dividend Yield anualizado foi de 13,82%, acima dos 13,51% observados no IFIX.
De acordo com o BB Investimentos, o desempenho da carteira foi impulsionado principalmente pelos fundos GARE11, KNHF11, TRXF11 e XPML11.
“O bom desempenho da Carteira Renda e o elevado patamar de dividendos anualizados refletem a excelente performance de GARE11, KNHF11, TRXF11 e XPML11”, destaca o relatório.
Entre os destaques, o GARE11 avançou após a assinatura de um memorando de entendimentos (MOU) para a venda de imóveis locados ao Atacadão, Grupo Mateus e Almanara. A operação permitirá a quitação de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) vinculados aos ativos, além de gerar lucro estimado em R$ 186 milhões.
Já o TRXF11 foi beneficiado pela conclusão da compra do Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, e pela aquisição de três galpões built-to-suit em Guarulhos (SP), locados à Shopee por um período de dez anos.
Estratégia prioriza previsibilidade em meio às incertezas
Na avaliação do BB Investimentos, fundos com contratos longos e atípicos oferecem maior previsibilidade de receitas e tendem a atravessar períodos de volatilidade com maior resiliência.
“Os contratos longos e atípicos trazem uma previsibilidade importante para o investidor”, afirma o relatório.
Na ponta negativa, os fundos de crédito XPCI11 e VGIP11 foram pressionados pelas leituras mais moderadas do IPCA, que devem reduzir os dividendos dos fundos indexados à inflação nos próximos meses. Já o RZTR11 continuou refletindo o impacto do distrato da Fazenda Bom Jardim, em Goiás.
Na Carteira Ganho, o destaque positivo foi o RECR11, enquanto PVBI11 e PSEC11 registraram os maiores recuos. No caso do PVBI11, a instituição cita os juros elevados, a vacância acima da média e a redução dos dividendos como fatores que pesaram sobre as cotas.
“O cenário de juros altos por mais tempo segue pressionando os valuations de praticamente todos os fundos do segmento”, aponta o documento.
Para agosto, a Carteira Renda passa a contar com o HGCR11 no lugar do VGIP11, buscando maior exposição a CRIs indexados ao CDI e rendimentos mais previsíveis. Já na Carteira Ganho, entram BTLG11 e HGLG11, substituindo RBVA11 e PVBI11, respectivamente, com o objetivo de ampliar a participação em grandes fundos logísticos negociados com desconto.
Apesar do corte da Selic, o BB Investimentos afirma que o ambiente continua exigindo cautela. Segundo a instituição, os juros reais permanecem elevados, a inflação de serviços segue resiliente e a proximidade das eleições pode aumentar a volatilidade do mercado.
“O aumento dos descontos em fundos de boa qualidade tornou a assimetria ainda mais favorável para FIIs diversificados, com alavancagem controlada e perfil defensivo em cenários de estresse”, conclui o relatório.






