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Fundos cambiais ainda valem a pena com o dólar em queda?

Fundos cambiais ainda valem a pena com o dólar em queda?

Anbima destaca diversificação e planejamento de despesas em moeda estrangeira; objetivos, prazo e perfil de risco devem orientar a escolha

Os fundos cambiais podem continuar a contribuir para a diversificação dos investimentos mesmo com o dólar em queda, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

A entidade destaca que a moeda americana acumulava recuo superior a 5% frente ao real em 2026, até o fim de setembro, mas que a decisão de investir depende do papel dessa exposição na carteira.

Segundo a Anbima, a categoria reúne patrimônio líquido de quase R$ 8 bilhões. Entre janeiro e setembro, os fundos cambiais registraram captação líquida positiva de R$ 810,6 milhões, conforme o balanço da indústria divulgado pela associação. O indicador representa a diferença entre aplicações e resgates no período.

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Como os fundos cambiais ajudam a diversificar

Esses produtos permitem exposição à variação de moedas estrangeiras, como o dólar, sem a necessidade de comprá-las diretamente. Pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao menos 80% da carteira deve estar relacionada ao fator de risco cambial, diretamente ou por meio de derivativos.

“Ao ter uma parcela da sua carteira exposta ao câmbio, o investidor pode reduzir a dependência de ativos ligados exclusivamente à economia brasileira e ampliar as fontes de diversificação do portfólio”, explica Soraia Barros, gerente-executiva de Fundos de Investimento da Anbima.

A diversificação ocorre porque ativos ligados a moedas estrangeiras podem apresentar comportamento diferente dos investimentos atrelados ao mercado doméstico. Em períodos de desvalorização do real, por exemplo, essa parcela da carteira pode ajudar a compensar perdas em outros ativos, segundo a entidade.

Essa exposição também está sujeita a oscilações. Um fundo ligado à valorização do dólar pode perder valor quando a moeda americana recua frente ao real. A possibilidade de diversificar a carteira, portanto, deve ser avaliada junto com o risco de queda das cotas.

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O que avaliar antes de investir

O primeiro ponto destacado pela Anbima é a finalidade do investimento. A exposição cambial pode fazer sentido para quem pretende diversificar o patrimônio ou tem despesas futuras em moeda estrangeira, como viagens, cursos e outras obrigações no exterior.

Nesses casos, a análise passa por identificar a moeda em que o gasto será realizado, quando o dinheiro será necessário e se a política do fundo é compatível com esse objetivo.

Outro critério é o horizonte de investimento. A associação observa que o câmbio reflete acontecimentos e expectativas que podem mudar rapidamente, dentro e fora do Brasil, o que dificulta antecipar sua direção no curto prazo. Por isso, a entidade relaciona o uso dos fundos cambiais a uma estratégia de longo prazo.

A tolerância ao risco também precisa ser considerada. O investidor deve avaliar quanto aceita ver o valor da aplicação oscilar e como essa exposição se combina com os demais investimentos e compromissos financeiros.

A escolha envolve ainda consultar o regulamento e a lâmina do fundo, verificar os custos e observar os prazos de conversão das cotas e pagamento dos resgates. Essas condições ajudam a avaliar se o produto atende ao objetivo e ao prazo disponível para usar os recursos.