O mercado de small caps ganhou destaque na B3 em outubro. O ETF SMAL11, que acompanha o Índice Small Cap da bolsa brasileira, superou o BOVA11, fundo negociado em bolsa que replica o Ibovespa, em volume financeiro médio diário no início do mês. O SMAL11 movimentou R$ 1,63 bilhão por dia, cerca de 15% acima dos R$ 1,42 bilhão registrados pelo ETF ligado ao principal índice acionário brasileiro.
O avanço ocorre em um ano de expansão das negociações de small caps. Segundo levantamento da B3 divulgado nesta sexta-feira (23), o volume financeiro médio diário negociado (ADTV) do SMAL11 chegou a R$ 320 milhões no acumulado de 2026 até 13 de outubro, alta de aproximadamente 72% em relação à média de R$ 186 milhões registrada em 2025.
A quantidade média diária negociada também aumentou. O volume passou de 1,8 milhão para 2,7 milhões de cotas, crescimento de 50% na comparação com o ano anterior.
Negociação de small caps acelera em outubro
O movimento ganhou intensidade a partir de 7 de outubro. Nos quatro pregões entre os dias 7 e 13, o SMAL11 registrou volume financeiro médio diário de R$ 2,14 bilhões, 81% superior aos R$ 1,18 bilhão movimentados pelo BOVA11 no mesmo intervalo. O ETF de small caps superou o fundo ligado ao Ibovespa em todos os pregões do período.
A participação do SMAL11 no volume financeiro total dos ETFs negociados na B3 também cresceu. No início de setembro, o fundo respondia predominantemente por uma fatia entre 10% e 23% do mercado. No fim daquele mês e no começo de outubro, a participação se aproximou de 30% a 35%, atingindo 59,4% em 8 de outubro.
O levantamento aponta predominância de investidores institucionais e estrangeiros nas negociações do SMAL11. Os investidores institucionais responderam por 56,2% do volume negociado, enquanto os não residentes representaram 39,9%.
Esses percentuais se referem à participação nas operações realizadas e não significam, necessariamente, entrada líquida de recursos no fundo.
ETFs de small caps superam os de Ibovespa
A força das small caps também aparece quando a comparação considera o conjunto de ETFs vinculados aos respectivos índices, e não apenas os fundos SMAL11 e BOVA11.
Entre 7 e 14 de outubro, os ETFs de small caps movimentaram, em média, R$ 2,16 bilhões por dia, volume 44% superior aos R$ 1,50 bilhão registrados diariamente, em média, pelos ETFs ligados ao Ibovespa.
A distinção entre os dois levantamentos é importante: os dados do SMAL11 e do BOVA11 abrangem o período até 13 de outubro, enquanto a comparação entre os conjuntos de ETFs considera os pregões até 14 de outubro.
Os números indicam maior atividade de negociação nos fundos ligados às empresas de menor capitalização durante o período analisado, embora o volume financeiro, isoladamente, não permita concluir que houve aumento equivalente na entrada de recursos ou melhora no desempenho dos ativos.
Mercado de ETFs chega a 945 mil investidores
O crescimento das negociações de small caps ocorre em paralelo à expansão do mercado brasileiro de fundos de índice. De acordo com o boletim de setembro da B3, o número de investidores com posição em custódia em ETFs chegou a 945 mil, alta de 29,8% em relação aos 728 mil registrados em dezembro de 2025.
Em nove meses, a base de investidores aumentou em 217 mil participantes.
A oferta de produtos também avançou. O número de ETFs disponíveis para negociação passou de 175, em dezembro de 2025, para 229 em setembro de 2026, crescimento de 30,9%.
No mesmo intervalo, o estoque financeiro em custódia subiu de R$ 91 bilhões para R$ 146 bilhões, uma expansão de 60,4%. Essa variação pode refletir tanto movimentações de cotas quanto mudanças nos preços dos ativos que compõem os fundos, não devendo ser interpretada diretamente como captação líquida.
Volume negociado em ETFs cresce em 2026
O volume financeiro médio diário negociado em ETFs na B3 também apresenta evolução positiva. Entre janeiro e setembro de 2026, o indicador ficou em R$ 1,737 bilhão, 12,6% acima da média diária de R$ 1,542 bilhão registrada durante todo o ano de 2025.
Somente em setembro, o ADTV dos fundos de índice alcançou R$ 1,766 bilhão, alta de 49,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior e avanço de 9,3% frente a agosto.
Os dados reforçam a expansão do mercado de ETFs no Brasil, tanto em número de investidores quanto em variedade de produtos e volume de negociação. Nesse cenário, a maior movimentação do SMAL11 coloca as small caps em evidência na B3, embora a evolução do volume negociado não represente, por si só, uma recomendação de investimento.
Os ETFs permitem investir em uma carteira de ativos vinculada a determinado índice por meio da negociação de cotas em bolsa. No caso do SMAL11, a referência é o Índice Small Cap, composto por ações de empresas de menor capitalização de mercado. Essa estrutura possibilita acessar uma carteira diversificada sem a necessidade de comprar individualmente cada ação que a integra.
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