A Tesla apresentou uma nova geração do Roadster capaz de sair do chão, girar no ar e retornar ao solo com o auxílio de propulsores desenvolvidos em parceria com a SpaceX. O esportivo elétrico foi demonstrado na quinta-feira (15), no centro de testes da empresa aeroespacial em McGregor, no Texas.
O protótipo executou saltos e rotações breves usando jatos de gás frio distribuídos ao redor do veículo. Em uma das demonstrações, o carro passou por cima de outros veículos e girou enquanto estava no ar. As manobras foram realizadas sem motorista a bordo por segurança.
Apesar de a Tesla afirmar que o Roadster pode “voar”, o sistema não transforma o modelo em uma aeronave convencional. A tecnologia permite decolagens curtas, mudanças de direção no ar e pousos controlados, mas não um deslocamento aéreo contínuo por longas distâncias.
Como o Tesla Roadster consegue “voar”
A capacidade aérea estará concentrada na versão Rocket, a configuração mais extrema do novo Roadster. O modelo utiliza propulsores de gás frio inspirados nos sistemas empregados pela SpaceX para controlar a posição de espaçonaves.
Em vez de queimar combustível, o equipamento armazena ar comprimido e o libera em alta velocidade. Os jatos podem produzir forças direcionadas para cima, para a frente e para as laterais, permitindo que o veículo deixe o solo e faça rotações durante alguns instantes.
O Roadster também possui um sistema de sucção instalado na parte inferior da carroceria. Uma ventoinha retira o ar debaixo do veículo e cria uma diferença de pressão que aumenta sua aderência ao piso mesmo em velocidades reduzidas.
Durante a apresentação, a Tesla utilizou esse recurso para fazer o protótipo percorrer uma estrutura invertida. Segundo a montadora, a sucção seria suficiente para manter o carro preso de cabeça para baixo mesmo quando parado.
A tecnologia também pode melhorar o desempenho em curvas e frenagens, pois produz força aerodinâmica sem depender apenas do ar que passa pela carroceria. Ainda assim, os números divulgados pela empresa não passaram por certificação independente.
Roadster terá três versões
A Tesla planeja oferecer o novo Roadster em três configurações. A Performance será a opção voltada ao uso convencional e terá dois lugares, aerodinâmica ativa e o sistema de sucção instalado no assoalho.
A versão Thrust acrescentará propulsores traseiros de gás frio. De acordo com a Tesla, essa configuração poderá acelerar de zero a 60 milhas por hora — aproximadamente 96,6 km/h — em menos de um segundo.
No topo da linha estará o Roadster Rocket, com apenas um assento e o conjunto completo de propulsores ao redor da carroceria. Essa será a versão capaz de executar as manobras aéreas mostradas pela fabricante, mas sua comercialização ocorrerá somente por convite.
A própria Tesla informa que a oferta dos sistemas de propulsão dependerá das normas de cada região. Ainda não está claro se um veículo equipado com jatos de ar comprimido poderá ser homologado normalmente para circular em vias públicas.
Leia também:
Desempenho extremo e lançamento em 2028
Além da aceleração inferior a um segundo, a Tesla promete velocidade máxima superior a 370 km/h e autonomia acima de 480 quilômetros. Os dados ainda são preliminares e podem mudar até o início da fabricação.
A produção está prevista para 2028, oito anos depois do cronograma anunciado inicialmente. A segunda geração do Roadster foi revelada pela primeira vez em 2017 e tinha lançamento prometido para 2020, mas o projeto sofreu sucessivos adiamentos.
A Tesla ainda não divulgou os preços definitivos. Na apresentação original, a empresa falava em um valor inicial de US$ 200 mil, referência que já não pode ser considerada válida para o modelo que chegará às linhas de produção.
O fabricante também não confirmou quantas unidades pretende produzir. A versão Rocket, principalmente, deverá ter oferta bastante restrita por causa da complexidade do sistema e das limitações regulatórias.
A demonstração colocou em cena uma das promessas mais ambiciosas de Elon Musk para o Roadster. O carro efetivamente deixou o chão, mas ainda falta saber quanto dessa capacidade chegará ao produto final e em quais países ela poderá ser utilizada legalmente.






