O Phantom Arabesque marca um novo capítulo na trajetória da Rolls-Royce Motor Cars: trata-se do primeiro modelo da marca a receber um capô totalmente gravado a laser, resultado de um processo patenteado que levou cinco anos para ser desenvolvido. A estreia acontece em uma edição única do Phantom Extended, criada sob medida e inspirada na arquitetura tradicional do Oriente Médio.
Mais do que um exercício estético, o projeto apresenta uma nova técnica que amplia as possibilidades de personalização para futuros clientes da fabricante britânica.
Um capô que virou tela

O grande destaque do Phantom Arabesque está no capô. A superfície foi transformada em uma espécie de tela tridimensional por meio de um processo inspirado no sgraffito italiano, técnica artística que revela camadas inferiores de cor ao remover parte da superfície superior.
No carro, o capô recebe inicialmente uma pintura em tom escuro, selada com camadas de verniz transparente. Depois, aplica-se uma camada superior mais clara. É nessa etapa que o padrão geométrico inspirado no mashrabiya é gravado a laser, com profundidade entre 145 e 190 micrômetros, revelando a cor escura abaixo.
Cada área gravada passa por lixamento manual, garantindo uniformidade e acabamento escultural. O desenho não é aplicado sobre a pintura. Ele passa a integrar a própria camada de tinta, o que reforça durabilidade e refinamento. Variações na velocidade e na intensidade do laser criam nuances visuais conforme a luz incide sobre o capô.
Arquitetura transformada em design

A principal referência estética é o mashrabiya, elemento tradicional da arquitetura do Oriente Médio. Presente em casas e palácios, ele funciona como filtro: permite ventilação e entrada de luz, ao mesmo tempo em que preserva a privacidade.
No Phantom Arabesque, esse conceito aparece em três camadas. A primeira é o capô gravado. A segunda está na marchetaria do interior. A terceira surge em detalhes discretos pelo carro, pintados à mão, bordados ou iluminados.
A proposta foi reinterpretar não apenas a forma do mashrabiya, mas também sua função simbólica. O resultado mantém o diálogo entre patrimônio cultural e identidade da marca.
Interior marcado pela sobriedade
A cabine segue a mesma lógica de repetição de padrões. Uma faixa atravessa o painel frontal e abriga uma marchetaria sob medida em Blackwood e Black Bolivar, reproduzindo o desenho geométrico do exterior. Um relógio em paleta escura complementa o conjunto.
Os couros combinam Selby Grey e preto, com costuras e carpetes em tom escuro. Os encostos de cabeça exibem o motivo bordado em contraste. As Starlight Doors recebem acabamento em Selby Grey com costuras pretas, enquanto as soleiras iluminadas repetem parte do padrão gravado no capô.
Técnica proprietária e novos caminhos
O Phantom Arabesque não é apenas uma edição exclusiva. Ele inaugura uma técnica proprietária dentro da estratégia da Rolls-Royce. A gravação a laser amplia o repertório criativo disponível para futuras encomendas, reforçando a proposta de personalização extrema.
Ao transformar o capô em superfície escultórica, a marca demonstra como tradição artesanal e tecnologia de precisão podem coexistir. O resultado é um modelo que não apenas exibe luxo, mas também carrega uma narrativa cultural incorporada ao próprio metal.
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