O Met Gala é conhecido como uma das noites mais importantes da moda. Realizado no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, o evento funciona como um baile beneficente em apoio ao Costume Institute e marca a abertura de sua grande exposição anual de primavera. Em 2026, a edição celebrou a exposição “Costume Art”, dedicada à relação entre corpo, roupa e arte.
Mas, depois dos flashes no tapete vermelho, há outro espetáculo em curso: o jantar. Longe de ser apenas uma refeição para celebridades, estilistas, modelos e artistas, o menu do Met Gala é pensado como parte da narrativa da noite. A proposta é que cada prato dialogue com o tema da exposição, com a atmosfera do evento e com a necessidade de manter os convidados confortáveis durante horas de interação social.
“O jantar do Met Gala é pensado como uma extensão do espetáculo, onde cada prato precisa dialogar com a moda e com a experiência da noite”, afirma a chef Cândida Batista.
Por que alho, cebola e cebolinha ficam fora do menu?
Entre as regras mais comentadas dos bastidores está a exclusão de ingredientes como alho, cebola e cebolinha. A decisão não tem relação apenas com sabor. Em um ambiente de proximidade, conversas constantes e fotos em todos os ângulos, alimentos de aroma muito marcante podem interferir na experiência dos convidados.
Segundo Cândida Batista, que tem trajetória na gastronomia europeia e passagens por casas ligadas ao Guia Michelin, como Doubek e Konstantin Filippou, essa escolha revela uma lógica de alta gastronomia aplicada ao comportamento social.
“A retirada de ingredientes como alho e cebola não é só uma questão de sabor, é sobre convivência e conforto. Em um ambiente como esse, qualquer detalhe pode interferir na experiência das pessoas”, explica a chef.
Pratos que parecem peças de design
Na edição mais recente, o cardápio reforçou a ideia de que comida também pode ser linguagem visual. As preparações apostaram em forma, textura e apresentação, com composições delicadas que remetem a elementos naturais e funcionam quase como pequenas obras de design à mesa.
“Quando eu olho para esse menu, não vejo só comida, vejo uma construção de conceito. O prato precisa conversar com o tema do evento, ele faz parte da mesma linguagem”, analisa Cândida.
Essa preocupação ajuda a explicar por que o jantar do Met Gala costuma privilegiar pratos leves, precisos e visualmente impactantes. Não se trata de servir porções exageradas ou receitas muito intensas. A comida precisa acompanhar o ritmo da noite, sem roubar a cena dos looks, das conversas e da circulação entre os convidados.
“Não é um jantar pensado para ser pesado ou excessivo, é um menu equilibrado e funcional. As pessoas estão ali para circular, conversar e se manter presentes, então a comida precisa acompanhar isso, não competir”, diz a chef.
O jantar também faz parte do espetáculo
A importância do Met Gala vai além das roupas. O evento reúne moda, arte, cultura pop, celebridades e filantropia em uma única noite, criando tendências e imagens que circulam pelo mundo todo. Nesse contexto, cada detalhe precisa estar alinhado, inclusive o que é servido à mesa.
Para Cândida Batista, o jantar mostra como a gastronomia ganhou um novo papel em eventos de grande visibilidade. Hoje, o prato não aparece apenas como serviço, mas como parte da experiência estética.
“Hoje, a comida também faz parte da narrativa. Ela não entra só como serviço, entra como conceito. E quando isso acontece, o jantar deixa de ser coadjuvante e passa a fazer parte do espetáculo”, conclui.






