A Hermes (EPA: RMS) escolheu janeiro de 2027 para dar um dos passos mais simbólicos de sua trajetória. Depois de 188 anos de história, a maison francesa apresentará sua primeira coleção de alta-costura durante a Semana de Alta-Costura de Paris, passando a integrar, ainda como convidada, o circuito mais exclusivo da moda mundial.
A decisão representa um movimento estratégico para uma das empresas mais valiosas do setor de luxo.
Referência em artesanato de excelência e produção limitada, a Hermès amplia sua atuação justamente no segmento que melhor traduz os atributos que sustentam sua reputação: exclusividade, personalização e domínio técnico.
Um movimento coerente com o DNA da marca
Embora nunca tenha apresentado uma coleção de haute couture, a Hermès sempre esteve associada ao universo da manufatura de excelência. Fundada em 1837 como uma oficina de selaria voltada à aristocracia europeia, a empresa construiu sua identidade sobre o trabalho artesanal, característica que permanece presente em produtos como as bolsas Birkin e Kelly, os lenços de seda e as coleções de prêt-à-porter.
A entrada na alta-costura, portanto, não representa uma mudança de posicionamento, mas uma evolução natural de uma marca cuja essência sempre esteve baseada no savoir-faire.
Atualmente, apenas um grupo restrito de maisons possui a certificação oficial de alta-costura concedida pela Federação da Alta-Costura e da Moda, o que torna a estreia da Hermès um dos acontecimentos mais aguardados da temporada parisiense.
Nadège Vanhée lidera o novo capítulo
A primeira coleção couture será assinada por Nadège Vanhée, diretora artística das linhas femininas da Hermès desde 2014. Reconhecida pela estética minimalista e pelo rigor técnico, a estilista desenvolveu ao longo da última década uma linguagem marcada pelo uso sofisticado de couro, seda e cashmere.
Na alta-costura, onde cada criação é desenvolvida sob medida e demanda centenas de horas de trabalho manual, a expectativa é que esse repertório artesanal alcance uma nova dimensão.
Preparação começou há mais de um ano
Os primeiros sinais da entrada da Hermès no segmento surgiram em 2025, quando o presidente executivo da companhia, Axel Dumas, revelou o interesse da maison em levar seu savoir-faire para a alta-costura.
Desde então, a empresa estruturou um ateliê dedicado exclusivamente ao novo projeto e reforçou sua equipe criativa com a contratação da estilista francesa Léa Peckre, ex-diretora de design do prêt-à-porter feminino da Céline.
Em apresentações recentes aos investidores, Dumas afirmou que a coleção já está em desenvolvimento e demonstrou confiança no resultado, destacando o trabalho realizado pelos artesãos e pelas equipes criativas.
Alta-costura como ativo de marca
Embora represente uma parcela reduzida das receitas das grandes maisons, a alta-costura exerce um papel estratégico na construção de valor das marcas de luxo. As coleções funcionam como vitrines de inovação, excelência artesanal e criatividade, fortalecendo a imagem institucional e influenciando categorias de maior escala, como acessórios, couro, joalheria e prêt-à-porter.
No caso da Hermès, cuja estratégia sempre privilegiou crescimento controlado e escassez em vez de volume, a chegada à alta-costura reforça um modelo de negócios baseado na exclusividade e na valorização do trabalho artesanal.
A estreia em Paris, marcada para acontecer entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2027, promete ser um dos momentos de maior atenção da próxima temporada internacional. Mais do que apresentar vestidos sob medida, a Hermès leva para a passarela a consolidação de uma filosofia que transformou o saber artesanal em um dos ativos mais valiosos do mercado global de luxo.
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