Os bancos médios devem enfrentar um período de desaceleração nos próximos trimestres em razão das mudanças regulatórias no mercado de crédito consignado, que tendem a reduzir o ritmo de concessão de empréstimos e a geração de receitas com tarifas. Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, a expectativa é de que a normalização gradual desse mercado permita uma retomada do crescimento e dos lucros ao longo dos próximos trimestres.
Segundo relatório da XP, as novas regras para o consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e para o consignado privado motivaram uma revisão para baixo das projeções de lucro de Agibank e Banco Mercantil. Por outro lado, o Pine teve suas estimativas elevadas após apresentar um desempenho acima do esperado na originação de crédito consignado privado.
No consignado do INSS, as alterações regulatórias incluem a redução da margem consignável, o alongamento do prazo dos contratos e regras mais rígidas para validação biométrica dos clientes. Na avaliação da XP, essas medidas reduzem a capacidade de contratação de crédito e criam obstáculos operacionais tanto para novas operações quanto para refinanciamentos, segmento que historicamente representa uma parcela relevante das concessões.
Já no consignado privado, o estabelecimento de um teto de juros de 4,5% ao mês, além de limites para encargos relacionados às garantias e ao custo total das operações, deve tornar parte das transações menos rentável. Como consequência, a tendência é que as instituições financeiras adotem critérios mais rigorosos na concessão de crédito, reduzindo o ritmo de expansão da carteira, especialmente entre clientes de maior risco.
Projeções de lucro
Entre os bancos médios analisados, o Agibank teve suas projeções de lucro recorrente reduzidas em 6% para 2026 e em 4% para 2027. Ainda assim, a XP manteve recomendação de compra para as ações, argumentando que a recente queda dos papéis tornou a avaliação mais atrativa e que a recuperação do consignado deve impulsionar os resultados nos próximos anos.
O Banco Mercantil também sofreu cortes nas estimativas de lucro, de 6% para 2026 e de 12% para 2027. Além da menor originação de crédito, o banco deve sentir os efeitos da desaceleração sobre as receitas com seguros. Apesar disso, a XP continua vendo potencial de valorização, apoiada na posição competitiva da instituição no mercado de consignado do INSS e na execução operacional.
O destaque positivo ficou com o Pine. A instituição registrou volumes de concessão de crédito consignado privado acima das expectativas, levando a XP a elevar em 7% sua estimativa de lucro recorrente para 2026, para R$ 685 milhões. Para 2027, a projeção foi praticamente mantida, em R$ 823 milhões, refletindo uma visão mais cautelosa sobre a relação entre risco e retorno do produto, mas ainda sustentada pela forte execução operacional.
Mesmo diante das revisões nas projeções de curto prazo, a XP afirma permanecer otimista com o segmento de bancos médios. Na avaliação dos analistas, a pressão regulatória já está amplamente incorporada às cotações das ações e a retomada gradual da atividade no mercado de consignado tende a favorecer a recuperação do crescimento e da rentabilidade das instituições ao longo dos próximos trimestres.
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