As fortes quedas das Small Caps abriram boas oportunidades de valuation, mas a eventual recuperação do segmento não deve beneficiar todas as empresas da mesma forma. Diante desse cenário, a EQI Research iniciou uma operação com compra de Vulcabras (VULC3) e venda de M. Dias Branco (MDIA3).
A operação foi apresentada pelos analistas da casa, Nícolas Merola e João Zanott. No ano, as ações de menor capitalização acumulam queda de aproximadamente 13%, enquanto o Ibovespa avança cerca de 3%.
“Sabemos que o momento para as Small Caps não está fácil. No ano, a classe acumula uma queda de aproximadamente 13% contra uma módica alta do Ibovespa de aproximadamente 3%. Ou seja, realidades completamente diferentes. Nesta edição, trago uma operação com o objetivo de navegar esse ambiente desafiador”, afirma Merola.
Vulcabras pode ser mais resiliente à desaceleração
Apesar de atuarem em setores diferentes, Vulcabras e M. Dias Branco possuem forte exposição ao consumo doméstico. A Vulcabras controla marcas como Olympikus e detém as licenças brasileiras da Mizuno e da Under Armour. Já a M. Dias Branco fabrica biscoitos, massas e farinhas de marcas como Piraquê, Vitarella e Adria.
Para a EQI Research, a possível desaceleração da economia tende a estimular o chamado trade down, quando o consumidor substitui produtos por alternativas mais baratas. Nesse ambiente, Merola considera a Vulcabras mais resiliente devido ao reposicionamento da Olympikus, que ganhou espaço entre os calçados esportivos de maior desempenho sem abandonar completamente o público de entrada.
Outro diferencial está nos custos. As matérias-primas utilizadas pela Vulcabras estão ligadas à indústria petroquímica e, consequentemente, às oscilações do petróleo. Na M. Dias Branco, a principal exposição está no agronegócio, especialmente no trigo.
“Do lado dos petroquímicos, estamos caminhando para uma normalização, ainda com muita volatilidade, mas com uma pressão baixista muito forte. Um bom termômetro é a curva do preço do petróleo, que indica preços mais baixos no futuro. Já no preço dos grãos, vemos pressões altistas”, explica o analista.
A guerra entre Rússia e Ucrânia, os efeitos do El Niño e os preços dos fertilizantes aparecem no relatório como possíveis fontes de pressão sobre os grãos. Esse cenário poderia dificultar a preservação das margens da M. Dias Branco em um período com menor espaço para repassar custos.
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Valuation e recompra reforçam preferência por VULC3
No modelo da EQI Research, a Vulcabras negocia a 6,2 vezes o lucro projetado para 2027. A casa também identifica como possível catalisador um anúncio de dividendos no final do ano, após a companhia reduzir de maneira expressiva sua alavancagem no segundo trimestre.
O resultado mais recente mostrou crescimento anual de 5,7% no volume de calçados esportivos vendidos. A Vulcabras também anunciou um programa de recompra de até 15 milhões de ações, quantidade equivalente a 13,56% dos papéis em circulação no mercado.
“Em nossas projeções, mesmo adotando premissas bastante conservadoras, como ausência de crescimento no volume de calçados vendidos, nenhum ganho de preço decorrente da melhora do mix e nenhuma expansão adicional de margens, ainda enxergamos potencial de valorização”, diz Merola.
Mesmo nesse cenário conservador, a Vulcabras seria negociada a 7,7 vezes o lucro estimado para 2027, múltiplo considerado historicamente atrativo pela EQI Research.
A M. Dias Branco, por sua vez, negocia a aproximadamente 7,4 vezes o lucro projetado para 2027, segundo o consenso Bloomberg citado no relatório. A companhia, porém, atravessa um período de revisões negativas de resultados, movimento que, na avaliação de Merola, ainda pode piorar.
A análise completa da EQI Research está disponível no app EQI+, onde você encontra esta e todas as recomendações da EQI Research, além dos relatórios completos que detalham os fundamentos que sustentam a preferência relativa por Vulcabras e os fatores que podem determinar o desempenho do duelo entre as duas Small Caps.






