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Guerras externas, crises internas: o risco de um império em múltiplas frentes
Oferecido porEQI Research

Guerras externas, crises internas: o risco de um império em múltiplas frentes

Com pouco apoio interno e muitas frentes abertas, os Estados Unidos repetem erros históricos que cobram um preço alto no dólar e na economia global

O mundo começou 2026 diferente. A madrugada de sexta para sábado com o bombardeio dos Estados Unidos foi transformacional, e desde então o esforço global tem sido identificar vencedores e perdedores desse novo capítulo geopolítico de guerras.

No curto prazo, há um vencedor claro: o setor petrolífero norte-americano. As ações de grandes empresas do setor reagiram imediatamente. Os Estados Unidos importam petróleo pesado e exportam petróleo leve, e a Venezuela, com a maior reserva do mundo, é justamente rica nesse tipo de óleo. As refinarias americanas estão prontas para essa combinação. O mercado entendeu rápido.

Mas esse não é o ponto central.

Guerras e mais guerras

Minha atenção está voltada para algo mais estrutural e, historicamente, perigoso: impérios que lutam em várias frentes ao mesmo tempo costumam fracassar. Uma guerra já é difícil. Múltiplas batalhas, externas e internas, reduzem drasticamente a chance de sucesso.

Neste fim de semana, surgiram comparações entre Donald Trump e George W. Bush. A diferença é fundamental. Bush, após os ataques de 2001, governava um país traumatizado, mas unido. Havia discordância, claro, mas o apoio interno era real. Isso deu sustentação política à invasão do Iraque, ainda que o resultado tenha sido fiscal e estrategicamente desastroso.

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Trump não tem esse respaldo. Pelo contrário. Há insatisfação crescente, inclusive em estados tradicionalmente favoráveis a ele, como Idaho. Reportagens mostram eleitores reclamando de uma promessa quebrada: foco em questões domésticas, custo de vida, affordability. Essa palavra virou onipresente no noticiário econômico americano.

Enquanto isso, a resposta do governo tem sido cada vez mais bélica. No plano externo, ameaças à Venezuela, Colômbia e Cuba. No interno, enfrentamentos com estados como Illinois e Oregon, uso de força federal contra a vontade local e uma retórica que trata adversários políticos como inimigos.

Guerras x economia

Essa postura também aparece na economia. Trump enfrenta batalhas no Congresso, na Suprema Corte e agora pressiona a política monetária. A provável substituição do comando do Federal Reserve abre espaço para uma influência direta e inédita do Executivo sobre os juros. Isso não é detalhe. Isso dialoga diretamente com a confiança no dólar.

E aqui está o ponto-chave.

O preço mais importante do mundo hoje não é o DXY. É o câmbio entre dólar e yuan. Enquanto muitos olham para variações marginais do índice do dólar, o yuan vem se fortalecendo de forma consistente, mesmo sendo uma moeda administrada. Um país com superávit externo gigantesco não deveria ter sua moeda fraca. Essa distorção começa a ser corrigida.

Um dólar mais fraco e um yuan mais forte têm implicações enormes. Favorecem commodities, mexem com fluxos globais de capital e alteram o equilíbrio de poder econômico. Não é coincidência que essa relação cambial esteja no centro das transformações atuais.

Trump enfrenta tudo isso sem um país unificado e às vésperas de eleições de meio de mandato. A pergunta central não é apenas geopolítica. É política doméstica. Qual será o impacto dessa invasão na popularidade do presidente? Essa resposta será determinante para o futuro do dólar.

Seguimos em um bull market nos Estados Unidos. Ignorar isso por medo excessivo de problemas domésticos já se mostrou um erro no passado. O mundo hoje gira em torno de câmbio, fluxo e commodities. E é por aí que continuo olhando.

Um dia de cada vez. Vamos juntos.

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