A EQI Research promoveu a maior reformulação dos últimos meses na carteira Buy & Hold em junho de 2026. Foram três saídas e três entradas simultâneas, todas apontando para a mesma direção, com a troca de teses cíclicas e complexas por ativos com maior resiliência diante de um ambiente de juros elevados, consumo pressionado e volatilidade no mercado de petróleo.
O próprio relatório destaca o movimento ao falar em sair do varejo e ir para a saúde.
O reposicionamento vem na esteira de um mês difícil. Em maio, a carteira acumulou queda de 7,69%, desempenho pior que o recuo de 5,68% do Ibovespa no período. As mudanças, assinadas pelos analistas João Neves, João Zanott e Nícolas Merola, não comemoram um acerto, mas ajustam o portfólio a um cenário que ficou mais hostil para as empresas expostas ao ciclo econômico.
O que saiu da carteira
Grupo Mateus (GMAT3), Cosan (CSAN3) e Prio (PRIO3) deixaram o portfólio com motivos diferentes. Segundo o relatório, a relação risco-retorno deixou de compensar no curto e médio prazo.
A saída do Grupo Mateus combina deterioração macro e micro. O consumo no varejo alimentar do Norte e Nordeste perdeu força ao longo do segundo semestre de 2025, e as vendas nas mesmas lojas viraram negativas no primeiro trimestre de 2026.
Por cima disso veio um reajuste de estoque com perda superior a R$ 1 bilhão, cerca de 20% do valor estocado naquele momento, o que levantou dúvidas sobre o nível real de rentabilidade da operação.
“Deixamos de ver, no curto prazo, uma relação risco e retorno tão atraente na empresa”, explica Neves no relatório desta segunda-feira (1º), ao detalhar a decisão sobre a GMAT3.
A Cosan saiu por uma tese que não destravou. A casa esperava um corte de juros mais robusto e consistente para aliviar o peso da alavancagem da holding, e esse gatilho não veio.
As controladas, entre elas Raízen (RAIZ4), Rumo e Moove, seguem com resultados operacionais abaixo do normal, e a capacidade de distribuição de dividendos permanece limitada, o que trava o processo de desalavancagem. Aqui, porém, a EQI Research não abandonou o grupo, e sim se reposicionou dentro dele.
Com o IPO da Compass (PASS3) no início de maio, a casa de análises passou a poder investir diretamente naquele que considera o ativo mais valioso do grupo Cosan, sem precisar carregar as demais controladas em momento delicado. A troca de CSAN3 por PASS3 é o resultado desta escolha.
Já a saída da PRIO (PRIO3) realiza um ganho expressivo. Incluída na carteira em dezembro de 2023 a R$ 46,71, a ação acumulou alta de 33% desde a entrada, com valorização ainda mais forte no último ano, perto de 59%. O ponto, segundo Merola, é que as avenidas de crescimento que sustentaram esse desempenho já foram percorridas, e sem uma nova fusão ou aquisição o potencial adicional tende a ser residual.
“A tese se beneficiou tanto em volume, quanto em preço. Mas isso ficou para trás”, escreve o analista, ao justificar por que prefere a Petrobras à Prio no momento atual.
Leia também:
O que entrou no lugar
No lugar das três posições encerradas, entraram Rede D’Or (RDOR3), Compass (PASS3) e uma fatia adicional de 5% em Petrobras (PETR4), cada uma com peso de 5% no portfólio.
Sobre a Rede D’Or, os analistas destacam que a demanda por saúde não recua quando a economia desacelera. Essa inelasticidade, somada ao envelhecimento da população e à verticalização criada pela compra da SulAmérica em 2022, sustenta a entrada.
A ação ainda acumulava queda de 25,5% em seis meses, o que, na leitura da casa, abriu uma margem de segurança confortável para o investimento.
A Compass estreia logo após seu IPO. Maior distribuidora de gás natural canalizado do país, com participação de mercado acima de 20%, a companhia combina a previsibilidade de um negócio regulado com a opcionalidade de crescimento da Edge, seu braço no mercado livre de gás, um segmento ainda em fase inicial no Brasil. É a combinação de estabilidade e crescimento que a EQI Research buscava ao migrar da holding para o ativo direto.
A posição adicional em Petrobras fecha o movimento e se conecta diretamente à saída da PRIO. Com o Estreito de Ormuz fechado e o barril na casa dos US$ 100, a estatal foi mais cautelosa nos repasses de preços ao mercado interno por conta de sua política de estabilidade.
O raciocínio de Merola é que essa mesma política funciona como um amortecedor na direção oposta: caso os conflitos se normalizem e o petróleo recue, a Petrobras tende a sustentar seus preços internos por mais tempo, mostrando-se mais resiliente que a concorrente.
“Nesse caso, de restabilização do comércio global, Petrobras tende a ser a mais resiliente”, afirma o analista.
A carteira Buy & Hold completa, com todos os pesos, os preços-alvo de cada ação, o potencial de valorização e o histórico de desempenho desde o início, está disponível no aplicativo EQI+.






