A EQI Research divulgou um novo relatório da série Ideias de Trade, assinado pelo analista Nícolas Merola, propondo uma operação de long and short entre as duas maiores companhias do setor de shopping centers listadas na Bolsa: Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3).
A recomendação é de compra das ações da Allos e venda das ações da Multiplan, ou a troca tática de uma posição pela outra.
As duas empresas atuam de forma parecida, administrando e adquirindo participações em shopping centers pelo país. Apesar dessa semelhança, segundo o relatório, elas atravessam momentos distintos na gestão de seus portfólios, e essa diferença é o que sustenta a tese.
O ciclo de reciclagem da Allos
O relatório explica que o mercado de shoppings via Bolsa mudou com a maturação dos Fundos dos Imobiliários (FIIs), que se tornaram grandes compradores institucionais e passaram a comprimir os cap rates de transação. Esse movimento foi especialmente intenso no portfólio da Allos, formada pela fusão entre Aliansce Sonae e brMalls em janeiro de 2023.
“A estratégia adotada combinou a reestruturação operacional de empreendimentos com o desinvestimento seletivo via venda para fundos imobiliários, o que permitiu capturar a valorização dos ativos nesse mercado aquecido e, ao mesmo tempo, desalavancar o balanço,” descreve Merola.
Como resultado dessa estratégia, a Allos reúne hoje 47 shoppings próprios e trabalha com guidance de distribuição de aproximadamente R$ 0,29 por ação ao mês até o final de 2026, o que, aos preços atuais, equivale a um dividend yield anualizado próximo de 13%.
Qualidade sem gatilho na Multiplan
Já a Multiplan seguiu um caminho diferente. Sua movimentação mais recente foi a compra da participação que o fundo canadense OTPP detinha na empresa, desinvestida ao longo de 2024 em duas etapas, com o bloco final adquirido pela própria companhia e por seu fundador.
“A aquisição alavancou a companhia. O índice de dívida líquida sobre Ebitda saltou de 1,4 vez no terceiro trimestre de 2024 para 2,3 vezes no quarto trimestre do mesmo ano, financiado em grande parte por uma emissão de R$ 1,8 bilhão em debêntures,” aponta o relatório, ao detalhar o impacto da operação no balanço.
Desde então, a desalavancagem vem ocorrendo de forma gradual, com o indicador recuando para cerca de 2,1 vezes no primeiro trimestre de 2026, sustentado pela geração de caixa operacional.
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O spread de valuation
O relatório ainda destaca que existe uma diferença entre um ativo de qualidade e um ativo de valor, e é justamente essa distinção que orienta a tese. Pela métrica de Preço sobre FFO, usada para medir quanto o mercado paga pela geração de caixa operacional do setor, ALOS3 negocia em torno de 9 vezes, enquanto MULT3 negocia próximo de 12 vezes, um prêmio de cerca de 33% da Multiplan sobre a Allos.
“Em contextos de alta de ativos, ativos de valor tendem a capturar mais retorno do que ativos de qualidade, justamente porque têm mais performance represada,” explica Merola, ao justificar a escolha pela compra de Allos frente à venda de Multiplan.
Riscos no radar
O relatório também detalha o principal risco da operação, ligado à sensibilidade histórica de ALOS3 ao nível de juros, além de listar os gatilhos que poderiam acelerar o fechamento do spread entre os dois papéis, como novos desinvestimentos da Allos e a confirmação do guidance de dividendos para além de 2026.
Quer ver a análise completa?
A íntegra do relatório traz os três cenários projetados pelo analista para a evolução do trade, com as variações esperadas para juros e curva de mercado, além dos catalisadores que podem antecipar ou postergar o fechamento do spread entre Allos e Multiplan.
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