Descubra as 10 Maiores Pagadoras de Dividendos da Bolsa
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Artigos
Educação Financeira
Investidor private deve ser manter defensivo mesmo com queda de Selic e evitar excesso de otimismo

Investidor private deve ser manter defensivo mesmo com queda de Selic e evitar excesso de otimismo

Segundo Elias Wiggers, assessor de wealth managment da EQI Investimentos, a Selic pode cair em 2026, mas o investidor private segue defensivo, com foco em IPCA e liquidez. O risco, diz ele, é o excesso de otimismo

A expectativa de queda da Selic em 2026 já começou a mudar o tom do mercado, mas não necessariamente o comportamento do investidor private, aquele que possui uma renda mais elevada.

Para esse grupo de pessoas, a palavra-chave é prudência. A renda fixa continua sendo a estrutura do patrimônio, a inflação se mantém como referência e a liquidez como regra de sobrevivência.

Na leitura de Elias Wiggers, private banker da EQI Investimentos, o risco do ciclo não está apenas em errar a taxa, alongar demais o prazo ou se empolgar com o rali da bolsa. Está em algo mais simples e mais comum: acreditar cedo demais que o jogo já está ganho.

E esse tipo de erro, ele diz, costuma aparecer justamente quando o cenário parece “melhorar” rápido demais.

“O maior erro é justamente achar que é jogo ganho (…) o erro a ser evitado é o excesso de otimismo”, afirma Elias Wiggers, da EQI Investimentos.

Publicidade
Publicidade
foto Elias Wiggers
Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI

Renda fixa segue como eixo: proteção patrimonial, legado e previsibilidade

Em um país onde o ruído político vira variável macro, a Renda Fixa continua sendo o centro de gravidade das carteiras de alta renda. O motivo não é só taxa. É o desenho de patrimônio.

De acordo com Wiggers, para o investidor private, o que está em jogo é a preservação do poder de compra, transferência de ativos, sucessão e proteção contra crises — sejam elas domésticas ou globais. É por isso que, mesmo com o mercado projetando cortes à frente, a Renda Fixa não perde o seu protagonismo.

“Então, quando você pensa em proteção patrimonial, em um processo de preservação de poder de compra, de legado, de transferência de ativos — sucessório, inclusive — naturalmente você vai ter uma parcela mais significativa em renda fixa”, diz Wiggers.

O assessor comenta que a parcela de risco pode até variar conforme o perfil de investidor, mas a estrutura da Renda Fixa deve se manter elevada, até mesmo para privates mais arrojados.

“Normalmente, de 50% a 60% das carteiras, meio que quase independente do perfil”, afirma o private banker.

Por que o IPCA domina: ganho real e captura do corte de juro

Se a Renda Fixa é o eixo, os papéis indexados à inflação são o motor do portfólio. Para o investidor sofisticado, o IPCA não é apenas proteção, mas é uma forma de garantir rendimento real e manter o patrimônio “vivo” no tempo.

Além disso, são justamente os ativos mais longos — normalmente atrelados ao índice de inflação — que têm maior sensibilidade ao ciclo de juros. Quando a curva inflete, é ali que o investidor tende a capturar o movimento com mais força.

“Se você quer garantir a preservação desse teu poder de compra, é importante que você tenha um componente grande de IPCA na sua carteira, porque ali você vai ter um rendimento acima do índice de inflação, ou seja, um rendimento real”, afirma Wiggers.

No fundo, o raciocínio é o que sempre guiou a alta renda no Brasil: a inflação é um risco estrutural. E, em horizontes longos, não basta apenas “render”, é preciso render acima do custo de vida.

“Em geral, no Brasil, os ativos mais longos estão sempre atrelados ao índice de inflação”, diz o private banker.

Duration longa: o ganho pode vir com volatilidade (e liquidez vira prioridade)

O corte de juros, quando acontece, costuma ser uma oportunidade para quem tem duration. Mas alongar prazo demais também aumenta a volatilidade de curto prazo — especialmente em carteiras marcadas a mercado.

A recomendação de Elias não é evitar duration. É calibrar. Emissor, setor e prazo. E, principalmente, manter liquidez suficiente para reagir quando o cenário muda.

“Existem riscos adicionais no momento em que você estica muito o prazo, porque, com essa duration muito alongada, você acaba tendo uma volatilidade de momento maior na marcação a mercado desses papéis”, comenta Wiggers.

Segundo o banker, o ponto mais forte da análise para um private, no entanto, não está no prazo. Está na flexibilidade. Wiggers defende que liquidez não é só reserva de emergência, é instrumento de gestão de risco num mundo em que choque geopolítico e estresse fiscal podem virar preço em questão de dias.

“Não pensar só em 10% ou 15% para uma reserva de emergência, pensar realmente num valor superior, talvez até metade da carteira”, diz Elias Wiggers, da EQI Investimentos.

Crédito privado voltou — mas com lupa no emissor

O crédito privado recuperou espaço nos últimos anos, mas num ambiente em que o investidor está mais exigente. O período de estresse, como a do Banco Master, — somado a juros altos por mais tempo — mudou a forma como as grandes fortunas avaliam risco.

De acordo com o Wigger, o FGC é pequeno demais para proteger grandes patrimônios. Deste modo, o investidor precisa olhar além do “garantido” e fazer diligência real de crédito.

“Para um cliente com R$ 20 milhões aplicados, mesmo com a proteção máxima de R$ 1 milhão, divididos em várias instituições, isso representa apenas 5% do total”, destaca o private banker.

Com isso, a seleção passa a ser menos sobre “pegar o prêmio” e mais sobre entender quem paga. Num cenário de crescimento menor e custo de dívida alto, a dúvida central vira capacidade de geração de caixa.

“É fundamental olhar o emissor e prestar mais atenção”, recomenda.

Leia também:

O risco escondido: dívida cara vira teste de sobrevivência

O trecho mais duro da entrevista aparece quando Wiggers coloca números na mesa. Uma dívida que parecia administrável com CDI+ baixo vira um problema estrutural com Selic a 15% por tempo suficiente.

De acordo com o private banker, o salto no custo financeiro pode simplesmente superar a margem operacional. E aí a conta não fecha. É aqui que o crédito privado exige leitura de balanço — e não só olhar para a taxa.

“Agora eu estou falando de 23%. Isso já é, às vezes, muito mais ou até o dobro do que a margem que a empresa tem de lucro”, afirma Wiggers.

O raciocínio é se a empresa tem margem média de 10% e paga dívida a 20%, ela está financiando a operação para trabalhar no negativo. E, em algum momento, isso cobra seu preço.

“Como é que você vai conseguir fazer isso se você está tendo uma margem na média de 10 e você tem uma dívida de 20? Então você está pagando para trabalhar”, diz Wiggers.

Bolsa: depois do rali, o private prefere seletividade a euforia

O Ibovespa já entregou um desempenho forte. Na visão de Wiggers, parte relevante do movimento de 2025 teve componente externo — com fluxo global e descompressão do dólar.

Num mercado pequeno como o brasileiro, a entrada de capital pode empurrar o índice com facilidade, especialmente quando o dinheiro se concentra em poucos nomes de peso.

“Boa parte das empresas que os estrangeiros investem aqui são as grandes do setor financeiro, Vale e Petrobras, que possuem um peso muito grande no índice”, explica.

O resultado é que o índice sobe, mas a “média das ações” nem sempre acompanha. Isso reduz o espaço para euforia e reforça a necessidade de seletividade.

“A média das ações não teve uma valorização tão grande assim”, declarou Wiggers.

Dividendos e setores defensivos: o portfólio “agnóstico” ao ciclo

Quando o investidor private decide ter bolsa, ele tende a buscar ativos com menos ruído e mais previsibilidade. O foco vai para empresas com dividendos, contratos de longo prazo e setores com demanda menos elástica.

O conceito que aparece na fala de Wiggers é o portfólio “agnóstico” ao ciclo: menos dependente de crescimento acelerado e mais exposto a receitas estáveis.

“Empresas boas pagadoras de dividendos, que são tradicionalmente aquelas empresas com receita bastante mais previsível”, explica.

Do outro lado, ficam os setores mais sensíveis a consumo, crédito e confiança — e que tendem a sofrer mais em ambientes de volatilidade.

“Varejo, entre outros serviços mais voláteis, saúde, educação etc., isso a gente tem preferido ficar mais distante”, recomenda.

Multimercados e alternativos: risco gerido e horizonte longo

Para Wiggers, a exposição a risco pode fazer mais sentido via estruturas com gestão ativa e composição híbrida, como os multimercados.

Eles funcionam como um “meio do caminho” entre ficar parado no pós-fixado e assumir volatilidade total de bolsa.

“Até faz mais sentido nesse primeiro momento fazer isso através de fundos multimercados”, diz Elias ao mencionar preferência em fundo multimercado em relação ao investimento direto em ações.

Além disso, ativos alternativos seguem como peça recorrente nas carteiras grandes — justamente porque a alta renda consegue abrir mão de liquidez para capturar retornos de longo prazo, muitas vezes com menos ruído de curto prazo.

“Os ativos alternativos são figurinha carimbada das carteiras de alta renda”, ressalta.

O recado do private para 2026: defesa primeiro, sem “jogo ganho”

A tese do private não é pessimista. Ela é defensiva por construção. Mesmo com corte de juros no horizonte, o cenário ainda tem variáveis demais — fiscal, política, geopolítica, commodities, dólar, eleição.

E é por isso que o maior erro, na leitura de Wiggers, não está em errar uma classe de ativo. Está em errar a postura.

“O erro a ser evitado, resumindo numa palavra simples, é o excesso de otimismo”, afirma Elias Wiggers, da EQI Investimentos.

Leia os melhores momentos da entrevista com Elias Wigger

A seguir, os principais trechos da conversa com Elias Wiggers em formato de perguntas e respostas.

Portal EuQueroInvestir: Mesmo com a expectativa de queda da Selic ao longo de 2026, a renda fixa segue como principal eixo das carteiras de alta renda. O que sustenta esse protagonismo neste momento do ciclo econômico e por que os papéis indexados ao IPCA continuam sendo a principal preferência dos investidores mais sofisticados?

Elias Wiggers: Primeiramente, a renda fixa, naturalmente, num país como o Brasil — com tanta inconstância econômica, tanta imprevisibilidade e onde a esfera política acaba tendo muita influência, direta ou indiretamente, nas questões econômicas — é a preferência do investidor brasileiro. Seja ele rentista ou mesmo aquele que está mais preocupado com preservação patrimonial, é uma forma de sair da volatilidade dos ativos de risco. E, nesse contexto, o porto seguro acaba sendo a renda fixa.
Quando você pensa em proteção patrimonial, em um processo de preservação do poder de compra, de legado e de transferência de ativos — sucessório, inclusive — você vai ter uma parcela mais significativa em renda fixa. Normalmente, de 50% a 60% das carteiras, quase independente do perfil. O que muda, basicamente, é a composição de renda variável. Se o cliente tiver um perfil mais moderado ou arrojado, ele tem um pouco mais de renda variável.
Mas, invariavelmente, nas carteiras de alta renda, a renda fixa representa, no mínimo, 50% das posições, com diferentes níveis de risco. Porque, mesmo dentro da renda fixa, você tem indexadores diferentes, riscos diferentes para cada emissor e prazos diferentes.
No final, a renda fixa sempre vai ser esse principal eixo das carteiras de alta renda. E o fato de os investidores com um pouco mais de apetite a risco estarem alocando em IPCA é porque esses são, em geral, os ativos mais longos da carteira e que têm maior capacidade de capturar os movimentos de corte de juros, de inflexão de curva etc.
Além disso, quando a gente analisa a projeção de longo prazo para os ativos num país como o Brasil, você sempre vai querer preservar o poder de compra e, para isso, precisa ter ganho real. Então, se você quer garantir essa preservação, é importante ter um componente grande de IPCA na carteira, porque ali você vai ter um rendimento acima do índice de inflação — ou seja, um rendimento real.
E, nesse momento do ciclo econômico, quando a gente está antevendo cortes de juros à frente, esse movimento tende a ser mais capturado pelos ativos mais longos. Em geral, no Brasil, os ativos mais longos estão sempre atrelados ao índice de inflação.

EQI: Com a perspectiva de juros mais baixos à frente, cresce a tentação de antecipar movimentos na renda fixa. Há, hoje, o risco de o investidor “esticar demais” a duration ou assumir riscos desnecessários ao tentar se posicionar para esse novo cenário?

EW: Sim, certamente. Existem riscos adicionais no momento em que você estica muito o prazo porque, com essa duration mais alongada, você acaba tendo uma volatilidade maior na marcação a mercado desses papéis.
Por outro lado, na pior das hipóteses, você está preservando o poder de compra porque está atrelando isso ao índice de inflação, ao IPCA.
O importante é buscar um equilíbrio: bons emissores, diversificação setorial e diversificação de prazos também, para não esticar demais a carteira. Porque, com tantas intempéries globais, riscos geopolíticos envolvidos e as naturais incertezas macroeconômicas e políticas do Brasil, é sempre importante manter um nível maior de liquidez nas carteiras — maior do que apenas a reserva de emergência.
Ou seja: não pensar só em 10% ou 15% para reserva de emergência. Pensar em um valor superior, talvez até metade da carteira, com possibilidade maior de ajuste, para fazer calibragens ou mudanças de rota.
Isso porque pode ocorrer um cenário em que um conflito mundial mexa muito com o preço de commodities, ou um cenário macroeconômico mais desafiador no Brasil. Como é um país emergente, que acaba gastando muito e precisa fazer ajuste fiscal o tempo todo, esse risco está sempre no radar.
Se a gente tiver que subir novamente os juros para patamares como os atuais — o que não é descartado —, hoje a conjuntura ainda dá espaço para corte de juros. Mas, se a coisa for para outro caminho, o mercado não descarta a possibilidade de um ajuste nessa curva anos à frente. Até porque a gente precisa cuidar sempre dessa relação dívida pública versus PIB.
E, com a desaceleração do crescimento econômico, conforme previsto, essa relação começa a ficar mais deteriorada. Pode ser necessário atrair capital internacional para honrar compromissos domésticos, e subir o juro pode ser uma das alternativas.
Se você estiver muito travado em ativos longos, vai ter pouca possibilidade de fazer isso. Ou, se fizer, vai pagar um deságio muito grande. Então, faz sentido ter também ativos atrelados ao CDI e não tão alongados. Ter uma parcela significativa, de 20% a 30% da carteira, com maior possibilidade de ajustes de curto prazo, para aproveitar oportunidades sem ficar demasiadamente exposto à volatilidade de mercado — mesmo na renda fixa.

EQI: Embora a classe de fundos multimercados tenha ficado abaixo do CDI, alguns gestores conseguiram se destacar. O que diferenciou esses fundos vencedores e quais critérios devem pesar mais na seleção hoje?

EW: De um modo geral, o que a gente notou nos fundos multimercados é que eles vieram ao longo de 2024 e agora em 2025 remontando as posições. Saindo um pouco daqueles ativos que tinham adquirido até antes da pandemia — e que sofreram muito com marcação de mercado, especialmente os de renda fixa — e reposicionando mais em pós-fixado, CDI, buscando prêmio sobre a curva de juros. Alternativamente, buscando algumas ações com potencial adicional de alta.
O que a gente viu, basicamente, foi que esses fundos responderam a um cenário de mais incerteza sendo um pouco mais conservadores, evitando alavancagem ou diminuindo a alavancagem.
Os que estavam com uma natureza mais arrojada, dado que teve a surpresa positiva da bolsa, performaram melhor por algo que aconteceu e que não estava muito no radar.
Então, eles trataram de ajustar essas posições. E os demais tentaram se preparar para um movimento que muita gente imaginava que viria em algum momento, que era o corte de juros. Inclusive, há uma tendência de que esses fundos performem bem agora em 2026.
Se a gente analisar uma carteira mais simplificada de alta renda, que queira algum nível de exposição à renda variável, no nosso entendimento faz mais sentido, nesse primeiro momento, fazer isso através de fundos multimercados. Porque eles vão ter uma composição entre renda variável, curva de juros, renda fixa, maior duration, menor duration. Ou seja, é diferente de estar num fundo de ações ou ficar 100% submetido à volatilidade da bolsa. Essa seria mais ou menos a nossa indicação.

EQI: Após um 2025 positivo, em que os fundos imobiliários acompanharam a valorização do Ibovespa, ainda faz sentido aumentar a exposição a FIIs para o investidor de alta renda ou o momento pede mais cautela?

EW: Olha, nos fundos imobiliários, na verdade, o mercado brasileiro como um todo pede cautela. Mas eu acho que abre-se uma nova janela de valorização, de recuperação de valor dos FIIs, porque eles ainda estavam muito descontados, alguns deles, em relação ao preço e ao valor patrimonial, em função dos juros mais altos.
Agora, com precificação de curva de juros menores, isso deve impactar positivamente os fundos imobiliários. Por isso que eles começaram a entrar mais diretamente no radar do investidor.
E com juros mais baixos — naturalmente, não tão mais baixos assim — volta a haver uma procura por FIIs, porque eles têm uma constância de pagamento de dividendos que, em alguns casos, volta a viabilizar sair da renda fixa padrão.
Embora eu ache que, nos fundos imobiliários, ainda haverá muito reflexo da expectativa futura de juros: da Selic e da curva de três anos, cinco anos.
E essa curva vai sacudir muito no período do rali eleitoral, porque ela vai tentar precificar um governo mais pró-mercado, com menor aptidão a gastos, ou o contrário, que é o que a gente tem hoje: um governo com um pouco mais de gasto e mais descontrole fiscal. E, fatalmente, isso deve refletir nos fundos imobiliários.
Então, faz sentido aproveitar o movimento, mas com parcelas menores, para não submeter demais a volatilidade da carteira a esses ativos.

EQI: Olhando para 2026, qual é o principal erro que o investidor de alta renda deve evitar ao montar ou rebalancear sua carteira?

EW: O maior erro é justamente achar que é jogo ganho e que, por causa do espaço para corte de juros, agora a economia brasileira vai decolar.
Tem uma enormidade de coisas a se analisar, até meio que independente de quem ganhar a eleição. Quem quer que seja o vitorioso, vai ter um peso de ideologia de governo: se mais pró-mercado, se mais de controle de gastos e ajuste fiscal, entre outras coisas, ou menos. Enfim, nas duas pontas. Mas, independente disso, a gente vive um momento de muita incerteza global.
Um conflito, ou uma escala de conflitos internacionais, pode causar uma percepção de risco maior do investidor global, uma inflação energética, uma inflação de commodities, que pode impactar diretamente o Brasil — que hoje é um grande exportador de commodities e tem uma economia muito lastreada nisso.
E aí é aquela história: você se preparou para dar tudo certo e não fez o dever de casa de analisar os “e se”. E se não der, como é que eu vou me organizar?
Então, eu diria que o erro a ser evitado, resumindo numa palavra simples, é o excesso de otimismo. Nesse momento, é importante estar preparado para tentar capturar um pouco desses movimentos, mas entender que manter um perfil mais defensivo e mais liquidez, nesse novo momento de ordem mundial e possibilidade de ajustes e calibragens no tempo, é mais desejável. Carteiras com perfil realmente mais defensivo.

EQI: E, na sua avaliação, qual é hoje a grande oportunidade que o mercado ainda não precificou corretamente?

EW: Na minha visão, entendo que o mercado ainda não precificou corretamente a questão do processo de tokenização de mercado e algum processo de desdolarização de economias globais. No sentido de que eu não acho que o dólar vai perder valor, mas eu não sei se está bem no preço ainda o quanto os bancos centrais estão dispostos a ir, aos poucos, abrindo mão do dólar como moeda de referência das suas economias, pelas incertezas somadas — e, sei lá, alguma escala de conflito.
E principalmente os ativos de escassez. Os próprios Estados Unidos estão analisando nesse sentido a questão das terras raras, metais — não apenas os habituais, como ouro e prata, mas também platina, cobre, urânio, entre outros. Teve até um que recentemente estava em vias ali do grafeno, essas coisas.
São tecnologias que, ao longo do desenvolvimento da inteligência artificial, vão demandar muito mais dessas jazidas e da exploração desses minérios.
E eu não sei se o mercado entendeu muito o preço ainda ou a variação que vai ocorrer. Também não estou dizendo que eles vão se valorizar, mas eu acho que existem oportunidades a serem exploradas nesse sentido.
Embora esses ativos tenham se valorizado muito em 2024 e especialmente em 2025, por motivos dessa conjuntura de incertezas globais maiores, eu não sei agora. Provavelmente pode haver até alguma correção no curto prazo. Mas, analisando em horizontes de cinco, dez anos à frente, eu não entendo ainda que estejam completamente precificados esses movimentos nas curvas de valorização desses ativos. Então pode haver oportunidade à frente.