Investir em renda fixa costuma ser associado a segurança. Ainda assim, uma dúvida aparece com frequência, especialmente quando o investidor começa a olhar para CDBs com taxas mais altas: o que acontece se o banco quebrar?
É nesse ponto que entra o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), um mecanismo que protege parte do dinheiro aplicado em alguns produtos bancários, dentro de regras e limites bem definidos.
Neste guia, você vai entender o que é o FGC, quais investimentos têm cobertura, quanto ele pode ressarcir e como funciona o pagamento na prática.
O que é o FGC e por que ele existe?
O FGC é uma entidade privada criada para ajudar a manter a estabilidade do sistema financeiro e proteger depositantes e investidores em situações em que uma instituição financeira enfrenta problemas graves e deixa de honrar compromissos.
Na prática, ele funciona como uma camada adicional de proteção para alguns produtos de renda fixa emitidos por bancos e instituições associadas.
O que significa FGC?
A sigla FGC significa Fundo Garantidor de Créditos. O nome resume sua função: garantir créditos e depósitos de clientes em determinados produtos financeiros, caso ocorra a quebra da instituição emissora.
O FGC é do governo?
Não. O FGC não é um órgão do governo e não faz parte do Banco Central. Ele é uma associação civil privada, sem fins lucrativos, mantida por contribuições das instituições financeiras participantes.
Isso é importante porque muita gente interpreta a cobertura como uma “garantia pública”, quando na verdade se trata de um mecanismo privado com regras específicas.
Qual é o objetivo do FGC no sistema financeiro?
O objetivo do FGC é reduzir o risco de crises maiores no sistema financeiro e dar mais segurança ao investidor comum, especialmente em produtos bancários tradicionais.
Quando uma instituição entra em processo de intervenção ou liquidação, o FGC pode viabilizar o ressarcimento de clientes elegíveis, evitando que a situação se transforme em um problema sistêmico.
Como funciona a garantia do FGC na prática
A cobertura do FGC é uma proteção relevante, mas ela não se aplica a tudo — e não funciona como um “seguro universal”. Para entender o que está protegido, é preciso olhar para três pontos:
- O produto precisa ser elegível
- A instituição emissora precisa participar do FGC
- O valor aplicado precisa estar dentro dos limites de cobertura
Quando o FGC paga o investidor (quebra, intervenção ou liquidação)
O FGC entra em cena quando há um evento formal envolvendo a instituição financeira, como intervenção ou liquidação, conforme o processo conduzido pelos órgãos responsáveis.
Em termos práticos: o FGC não paga porque “o banco está mal” ou “o mercado está desconfiado”. O pagamento ocorre quando há um evento reconhecido e oficial que impeça a instituição de continuar operando normalmente e honrando compromissos.
O que o FGC garante: principal + juros (dentro do limite)
O ressarcimento do FGC considera, em geral, o valor investido (principal) e os rendimentos acumulados até a data do evento, respeitando os limites máximos de cobertura.
Por isso, quando o investidor olha o “quanto vai receber”, não é apenas o valor inicial aplicado — mas o total devido até o marco definido no processo.
A garantia é automática?
Não. O ressarcimento do FGC não é automático no sentido de cair na conta imediatamente.
Existe um fluxo operacional: a instituição em liquidação precisa consolidar informações, o FGC precisa validar dados e o investidor deve seguir o procedimento de solicitação e confirmação.
Quais investimentos têm cobertura do FGC?
Essa é uma das partes mais importantes para quem quer investir em renda fixa com mais previsibilidade: nem todo produto é coberto, mesmo que seja “renda fixa”.
Produtos cobertos pelo FGC (lista completa e atual)
De forma geral, o FGC cobre produtos bancários tradicionais, como:
- Poupança
- Conta corrente (depósitos à vista)
- Conta-salário
- CDB (Certificado de Depósito Bancário)
- RDB (Recibo de Depósito Bancário)
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
- LC (Letra de Câmbio)
- LH (Letra Hipotecária)
- LCD (Letra de Crédito do Desenvolvimento)
- Operações compromissadas, quando elegíveis
Na prática, os casos mais comuns no dia a dia do investidor são CDB, LCI e LCA, além de poupança.
O que NÃO é coberto pelo FGC (e gera confusão)
Há produtos que muita gente compra achando que têm FGC, mas não têm. Entre os principais:
- Tesouro Direto (o risco é do governo federal, não de um banco)
- Fundos de investimento (incluindo fundos de renda fixa)
- Ações, ETFs e BDRs
- Debêntures
- CRI e CRA
- Criptomoedas
- LF, LIG e outros títulos que não se enquadram como depósitos cobertos, dependendo do caso
Essa diferença é essencial: dois investimentos podem parecer “renda fixa”, mas a proteção muda totalmente conforme o emissor e o tipo de produto.
Atenção: corretora não “dá FGC” — quem importa é o emissor
Um ponto que confunde muitos investidores é a ideia de que “comprou pela corretora, então tem garantia”.
O que define a cobertura do FGC não é a plataforma (corretora ou banco onde você investiu), mas sim:
- quem é o emissor do produto
- qual é o tipo de produto comprado
Ou seja: você pode comprar um CDB em uma corretora e ter FGC, porque o emissor é um banco e o produto é coberto. Mas também pode comprar um CRA na mesma corretora e não ter cobertura, porque o produto não é elegível.
Quanto o FGC cobre? Entenda os limites (R$ 250 mil e R$ 1 milhão)
A garantia do FGC é forte, mas ela tem limites claros. Eles existem justamente para evitar distorções e proteger a sustentabilidade do mecanismo.
Limite de R$ 250 mil por CPF/CNPJ e por instituição (ou conglomerado)
O limite mais conhecido é:
- até R$ 250 mil por CPF (ou CNPJ), por instituição financeira (ou conglomerado), considerando o total de produtos elegíveis.
Na prática, se você tiver vários produtos cobertos no mesmo emissor — por exemplo, CDB + LCI no mesmo banco — o FGC considera a soma para fins de cobertura.
Teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos: o que isso significa
Além do limite por instituição, existe um teto global:
- até R$ 1 milhão por CPF/CNPJ em um período de 4 anos, somando ressarcimentos do FGC em diferentes instituições.
Esse ponto é menos conhecido, mas é fundamental para investidores com patrimônio maior, que distribuem recursos em vários bancos.
Como calcular o limite na prática (com exemplo simples)
Imagine um investidor com:
- R$ 200 mil em CDB no Banco A
- R$ 100 mil em LCI no Banco A
- R$ 250 mil em LCA no Banco B
No Banco A, a soma dá R$ 300 mil. Nesse caso, o FGC cobre até R$ 250 mil (e o excedente pode ficar fora da cobertura). No Banco B, estaria dentro do limite.
Estratégia básica: como diversificar emissores para não estourar o teto
Uma regra simples ajuda a reduzir risco:
- evitar concentração excessiva em um único emissor
- manter os valores dentro do limite por instituição
- distribuir aplicações em bancos diferentes quando o patrimônio cresce
Isso não elimina o risco, mas melhora muito a previsibilidade em um cenário extremo.
Como receber do FGC: passo a passo do ressarcimento
Quando ocorre um evento que aciona o FGC, o investidor precisa entender que existe um processo. Ele não é “instantâneo”, mas é estruturado.
O que precisa acontecer antes: lista de credores e validação de dados
Antes do investidor solicitar o pagamento, é necessário que o FGC receba e valide a lista oficial de credores, com valores e informações vinculadas ao CPF/CNPJ.
Sem isso, o sistema não consegue liberar o ressarcimento, porque não há como confirmar com precisão o valor devido e se o produto é elegível.
Como funciona o processo pelo app/portal do FGC
O procedimento tende a seguir um fluxo como este:
- Cadastro e validação de identidade
- Consulta e conferência de valores elegíveis
- Solicitação do pagamento
- Assinatura do termo digital
- Transferência do valor para conta de mesma titularidade
O investidor precisa garantir que os dados cadastrais estejam corretos, especialmente informações de conta bancária e documentos.
Em quanto tempo o dinheiro cai? (o que influencia o prazo)
O tempo pode variar conforme o caso. Existem situações mais simples, em que o pagamento ocorre com mais rapidez, e casos mais complexos, que dependem de validações adicionais e etapas burocráticas.
O que costuma influenciar o prazo é:
- a velocidade de envio e consolidação da lista de credores
- a complexidade do caso
- eventuais divergências cadastrais
- volume de investidores envolvidos
O que pode atrasar o pagamento (sem alarmismo)
Atrasos podem ocorrer por razões operacionais e jurídicas, especialmente em liquidações de grande porte. Entre os pontos comuns:
- demora na consolidação de dados do banco liquidado
- inconsistências em cadastros (CPF, conta, titularidade)
- questionamentos jurídicos em massa
- alto volume de credores
O ponto central é que o investidor deve acompanhar o processo e manter os dados corretos, porque isso reduz o risco de travas individuais.
Golpes envolvendo o FGC: como se proteger
Sempre que existe um tema sensível e de grande interesse, como “receber dinheiro”, golpes tendem a aparecer. No caso do FGC, isso costuma ocorrer com promessas de liberação rápida mediante pagamento de taxas ou com falsas centrais de atendimento.
O FGC cobra taxa para pagar?
Não. O FGC não exige “taxa de liberação” nem solicita depósito para ressarcir o investidor.
Se alguém pedir pagamento para liberar valores, isso é um sinal de alerta.
O FGC pode chamar intermediários?
O investidor não precisa contratar terceiros para receber. O processo é feito por canais oficiais, com validação de dados e assinatura digital.
Checklist rápido para evitar fraude (o que desconfiar)
Desconfie se alguém:
- pedir pagamento para “liberar” valores
- prometer ressarcimento imediato sem processo
- enviar links suspeitos para cadastro
- solicitar dados sensíveis fora dos canais oficiais
Em caso de dúvida, o ideal é buscar orientação diretamente nos canais oficiais e nunca compartilhar senhas ou códigos de verificação.
Exemplo prático (sem datar o texto): o que aprender com casos de liquidação bancária
Casos reais ajudam a transformar teoria em prática. Quando uma instituição entra em liquidação, o investidor percebe que a garantia existe — mas também que há regras, prazos e procedimentos.
Por que casos reais ajudam a entender o FGC
O FGC é um mecanismo de proteção, mas ele não elimina totalmente:
- a necessidade de diversificar
- o risco de ficar acima do limite
- a possibilidade de prazos diferentes do esperado
O caso real reforça a importância de saber o que está coberto e de evitar concentração.
O que normalmente acontece quando um banco entra em liquidação
Em linhas gerais, um processo de liquidação envolve:
- interrupção gradual ou imediata de algumas operações
- nomeação de um responsável pela condução do encerramento
- consolidação de informações de credores e valores
- definição do fluxo de pagamento do FGC para os casos elegíveis
Caso Banco Master: o que esse episódio ilustra (contexto e lições)
O caso do Banco Master ficou conhecido por ilustrar como situações complexas podem envolver:
- grande volume de credores
- prazos que variam conforme a etapa de consolidação de dados
- necessidade de validação e formalização antes do pagamento
Para o investidor, a lição principal é objetiva: FGC ajuda, mas não substitui diversificação e gestão de risco do emissor.
FGC vale a pena? Segurança vs. rentabilidade na renda fixa
A garantia do FGC é um diferencial importante, mas ela não deve ser usada como único critério de escolha.
Quando faz sentido priorizar investimentos com FGC
Em geral, faz sentido priorizar produtos com FGC quando o investidor busca:
- uma camada extra de segurança no risco de crédito
- previsibilidade na renda fixa bancária
- equilíbrio entre retorno e proteção
- composição de carteira conservadora
Quando o investidor deve olhar além do FGC (risco, prazo e liquidez)
Mesmo com FGC, ainda é importante avaliar:
- prazo do investimento
- liquidez (especialmente em LCI/LCA com carência)
- qualidade do emissor
- taxa oferecida vs. risco assumido
Taxas muito acima da média podem indicar maior risco de crédito do emissor — e isso precisa ser ponderado.
Erros comuns de quem “confia demais” no FGC
Entre os erros mais comuns estão:
- concentrar valores acima do limite no mesmo banco
- ignorar o teto global de ressarcimento em 4 anos
- travar todo o patrimônio em prazos longos
- investir apenas pela taxa, sem olhar o emissor
- confundir “renda fixa” com “garantia do FGC”





