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Risco fiscal deve impedir novos cortes da Selic, afirma UBS

Risco fiscal deve impedir novos cortes da Selic, afirma UBS

O Copom está atento aos riscos fiscais e não deve fazer novos cortes na taxa básica de juros (Selic) tão cedo, afirma o banco.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) está atento aos riscos fiscais. E não deve fazer novos cortes na taxa básica de juros (Selic) tão cedo.

Esta é a leitura que o banco UBS faz do comunicado emitido ontem pelo BC, no qual explica a decisão de cortar a taxa básica de juros.

Ontem, o Copom decidiu por unanimidade cortar a Selic de 2,25% para 2%, alcançando seu piso histórico. No comunicado da decisão, o Copom afirmou ser “pequena” a chance de mais cortes a partir daqui.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado. Mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno. Devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira”. Foi o que o comitê afirmou.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (6), assinado pelos analistas Tony Volpon e Roque Montero, o UBS confirma que já aguardava a decisão. No entanto, se diz “surpreso” com o fato de o BC já abordar uma possível discussão sobre a remoção dos atuais estímulos monetários.

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“Estamos surpresos que haja alguma discussão sobre a remoção de estímulos. Isto em um cenário onde é necessária uma flexibilização monetária extraordinária”, afirmam.

Para os analistas, uma hipótese é que o Copom está descontente com a atual curva de juros futuros ascendente. Mas a principal aposta é que a preocupação sejam os riscos fiscais. Isto especialmente porque, no campo político, alguns congressistas já comecem a querer derrubar o teto de gastos de 2021.

Para o UBS, o Copom reconhece a possibilidade de frustrações com os processos de reformas. E também com os problemas de demanda que irão surgir assim que o governo retirar o auxílio emergencial.

Portanto, conclui o banco, possíveis cortes adicionais à Seli devem acontecer de maneira esparçada, sempre dependendo da evolução da questão fiscal.

“Nós, como o Copom, gostaríamos de confirmar (e não apenas esperar) que o Brasil manterá um compromisso fiscal de longo prazo, antes de fazer mais cortes”, afirmam os analistas.

O que disse o Copom após corte da Selic

No comunicado emitido após a reunião do comitê, o Copom levantou alguns pontos:

– O cenário externo de pandemia, continua provocando a maior retração econômica global desde a Grande Depressão, em 1929. “Apesar de alguns sinais promissores de retomada da atividade nas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador”. Foi o que afirmou o comitê.

– Os setores mais afetados pelas medidas de distanciamento social, como o de serviços, continuam deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas do governo.

– A incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual. Especialmente porque até o final do ano o governo deve retirar o auxílio à renda.

– A inflação segue abaixo dos níveis de cumprimento da meta para inflação.