O Ibovespa fechou o pregão desta segunda-feira (16) com queda 13,92% em uma sessão marcada por mais um acionamento do circuit breaker – o quinto desde o início da semana passada.
Acompanhando o pior pregão de Nova York, desde 1987, o Ibovespa já acumula queda de 38,46% no ano.
Dessa forma, a bolsa brasileira encerrou o pregão aos 71.168 pontos, com todas as ações do índice terminando com queda.
Aversão ao risco
A paralisação dos negócios na bolsa brasileira aconteceu logo na abertura do pregão. O Ibovespa acompanhou o movimento global de aversão ao risco, em meio às preocupações em relação aos efeitos da pandemia de coronavírus sobre a economia global.
Em Nova York, aconteceu um duplo circuit breaker, logo na abertura do pregão.
A agressividade do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que anunciou o segundo corte de juros em menos de duas semanas, assustou os investidores.
Para combater os efeitos da pandemia do coronavírus sobre a economia, o Fed reduziu a nova faixa de juros para uma faixa entre 0% e 0,25%.
Adicionalmente, o banco central americano lançou ainda um programa de flexibilização quantitativa de US$ 700 bilhões.
“O surto do coronavírus prejudicou comunidades e interrompeu a atividade econômica em muitos países, incluindo os Estados Unidos. As condições financeiras globais também foram significativamente afetadas”, escreveu o Fed.
Segundo o comunicado, os efeitos do coronavírus irão pesar na atividade econômica no curto prazo e representar riscos para as perspectivas econômicas.
NY
Para piorar o cenário, o presidente americano, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (16) que a crise desencadeada com o avanço do coronavírus poderá perdurar até julho ou agosto, quando a pandemia poderá ser controlada.
Segundo Trump, o governo pode considerar o bloqueio de “certas áreas” ou “pontos” do país, de acordo com CNBC.
A repórteres na sala de reuniões da Casa Branca, ele disse ainda que está considerando um bloqueio nacional completo.
Consequentemente, as bolsas americanas fecharam no pior pregão desde 1987.
O Dow Jones recuou 12,93%, o S&P perdeu 11,98% e o Nasdaq desvalorizou-se 12,32%.
B3
Na B3, todas as ações do índice fecharam em queda, lideradas pela Azul (AZUL4), -36,87%; CVC (CVCB3), -32,25%; Smiles (SMLS3), -28,20%; Gol (GOLL4), -28,02%; e Yduqs, -25,17%.
As menores quedas ficaram por conta da Telefônica, -4,66%; Pão de Açúcar, -4,78%; Sabesp, -5,60%; Taesa, -7,87%; e TIM, -8,28%.
Entre as ações com maior liquidez, as perdas foram puxadas pelas Petrobras (PETR4), -15%; Via Varejo (VVAR3), -22,14%; Itaú Unibanco, 9,19%; Vale (VALE3), -9%; e Ambev, -13,15%.
Ibovespa em um ano:
Focus
Mais cedo, as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram a projeção para a inflação, bem como a estimativa de crescimento da economia.
Conforme o boletim Focus, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) caiu de 1,99% para 1,68% em 2020. Trata-se da quinta redução consecutiva.
Já a estimativa das instituições financeiras compreendendo o período 2021, 2022 e 2023, permanece em 2,50%.
A estimativa para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 3,20% para 3,10%.
O mercado prevê que o IPCA feche 2021 em 3,65%, diferentemente da projeção anterior, de 3,75%. Já para 2022 e 2023, os analistas indicaram que o IPCA encerre em 3,50%.
O intervalo de tolerância para cada ano é 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, em 2020, por exemplo, o limite mínimo da meta de inflação é 2,5% e o máximo, 5,5%.
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 4,25% ao ano.
Este foi outro indicador que o mercado reduziu. Conforme o boletim, o índice deve fechar o ano em 3,75%. Em 2021, a expectativa é de aumento da taxa básica, encerrando o período em 5,25% ao ano.