O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, anunciou, nesta quarta (10), que vai manter as taxas de juros entre 0,10% e 0,25%.
A decisão do FOMC (Federal Open Market Committee, ou Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed) foi tomada de maneira unânime.
O FOMC informou que projeta juros perto de 0,10% pelo menos até o fim de 2022.
A pandemia do coronavírus, que fez o governo americano injetar trilhões na economia, é o motivo principal que norteou a determinação do Fed.
A crise, lembrou o comitê, paralisou setores da indústria e comércio e seus efeitos recaíram “fortemente” sobre o “crescimento, a inflação e o emprego no curto prazo”.
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Projeções
Em virtude do impacto na pandemia, o comitê estima, para este ano, recuo de 6,5% no PIB.
Mas a autoridade monetária prevê crescimento do PIB de 5% em 2021 e de 3,5% em 2022.
A instituição declarou que vai manter ritmo de compras de títulos do Tesouro a US$ 80 bilhões por mês — esse valor, segundo o comitê, poderá ter elevação de acordo com critério da instituição.
O Fed afirma que espera inflação de 0,80% este ano. Para 2021, a projeção é de 1,6%; e de 1,7% em 2022 – o que mantém a meta abaixo de de 2%.
O comitê diz que prevê, para 2020, taxa de desemprego de 9,3% este ano. Em 2021, esse índice deve ser de 6,5%. Em 2022, o Fed projeta taxa de 5,5%.
Reação do mercado
O trecho do comunicado que deixou o mercado mais estimulado: o Federal Reserve está comprometido “em usar todos seu estoque de instrumentos para sustentar a economia americana neste tempo desafiador, promovendo os máximos objetivos de emprego e estabilidade”.
Mas o anúncio foi recebido com sentimento misto pelos mercados.
O Fed ressaltou que seus membros não pensam em elevar os juros, o que animou os investidores.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, lembrou, porém, ao discursar após o anúncio do Fed: “Enfrentamos incerteza com coronavírus e perdemos milhões empregos.”
Logo após o anúncio do Fed, as bolsas em Nova York oscilaram: Dow Jones caiu 1,04% (26.989,99 pontos). O S&P 500 recuou 0,53% (3.190,14) e o Nasdaq subiu 0,67% (10.020,35 pontos).
Ibovespa
O Ibovespa seguiu a o ritmo prudente dos índices de NY: recuou 2,13%, abaixo dos 95 mil pontos (94.685,98).
Na máxima, antes do Fed, subiu até 97.6 45,85 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 33,6 bilhões
Após a decisão do Fed, o dólar acabou fechando em alta de 1,05%, a R$ 4,94, após máxima de R$ 4,9610 e mínima de R$ 4,8406.
O real foi uma das únicas moedas entre os emergentes a se desvalorizar após a mensagem cautelosa do Fed.
O dólar caiu ante o euro (US$ 1,1386), a libra (US$ 1,2755) e o iene (107,157/US$)
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Incertezas
Powell repetiu o que disse que na última ata do comitê, em maio: “Usaremos todos os instrumentos para enfrentar a crise.”
Ele lembrou que a queda do PIB no segundo trimestre deve ser a “mais grave já registrada”.
O presidente do Fed reforçou que uma política fiscal mais austera produziria resultados melhores e mais rápidos para a economia.
“A inflação está abaixo da meta por causa da retração do consumo com epidemia”, disse ele.
“É fundamental manter o fluxo de crédito ao mercado. o que o Fed está fazendo isso desde março. Vamos manter o fluxo de compra de ativos ao menos no nível atual”, acrescentou.
Segundo semestre
O presidente do Fed lembrou que, após a crise, “instrumentos emergenciais” serão retirados.
Powell ressaltou que projeções do Fed preveem que os sinais de recuperação da economia começarão a aparecer no segundo semestre de 2020.
“Estamos acompanhando e iremos avaliar os indicadores, mas essa é a tendência”, analisa.
Taxas de desemprego
Ele mencionou a recuperação do emprego. Sublinhou que a recuperação será lenta, mas mostrou otimismo com os últimos dados da economia sobre postos de trabalho.
Em maio, foram abertas 2,5 milhões de vagas nos Estados Unidos, quando a projeção do mercado indicava a perda de 8 milhões de postos de trabalho em maio.
A taxa de desemprego ficou em 13,30%, bem menor do que a aguardada, de 19,50%.
Os dados foram divulgados na última sexta (5) pelo Bureau of Labor Statistics dos EUA.
“Pode levar alguns anos para que algumas pessoas encontrem outro emprego”, disse ele.
“Milhões de pessoas podem, na verdade, não conseguir voltar aos seus antigos empregos nos EUA”, complementou.
Ele precisou a conta: “São 24 milhões de pessoas que precisam voltar ao trabalho. Trata-se de um grande desafio para o país após os efeitos da pandemia.”

Recuperação mais lenta
“A mensagem mais realista do Fed frustra as expectativas de recuperação mais rápida da economia americana, que vinham embalando o otimismo dos investidores”, avalia a jornalista Rosa Riscala, do serviço Bom dia Mercado, do Telegram.
“E é isso o que parece estar inibindo uma reação mais forte dos mercados à decisão de manter os juros baixos por longo período de tempo e os estímulos monetários”, completa.
“O investidor global poderá assumir posições mais defensivas diante do quadro econômico projetado pelo Fed, reduzindo a sede que está mostrando por ativos de risco, inclusive nos mercados emergentes”, prevê Riscala.
Decisão frustra mercados
“A decisão frustrou os mercados com uma mensagem mais realista sobre as perspectivas do pós-Covid, que vinham embalando o otimismo dos investidores”, lembra a jornalista.
Powell prevê uma volta à normalidade mais demorada, uma retração “severa” do PIB no segundo trimestre, recuo de 6,5% do crescimento este ano e muitas incertezas no horizonte.
“Até mesmo os dados surpreendentes do payroll em maio, que entusiasmaram pregões, foram relativizados pelo Fed, que acredita em número subestimado do desemprego, em cerca de três pontos porcentuais”, adiciona o BDM.
“O choque de realidade esvaziou a reação positiva inicial e levou as bolsas em NY a devolverem os ganhos. Só o Nasdaq, sustentado pelas ações de tecnologia, manteve o sinal positivo no fechamento, enquanto o dólar perdia valor ante o euro, a libra e o iene”, avalia.
Emergentes
A queda do dólar possibilitou um ajuste nas moedas emergentes – o que não ocorreu com o real.
Após operar na mínima de R$ 4,8406, o dólar voltou a subir até R$ 4,91.
“Nos juros futuros, o contrato mais curto, que projeta a Selic para o final do ano, assumiu cautela, com a pressão do câmbio de volta ao cenário. Os demais contratos fecharam em baixa, mas longe das mínimas”, Rosa Riscala
Última decisão
O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, decidiu, em 29 de abril, manter as taxas de juros entre 0% e 0,25%.
O comitê alegou que “está empenhado em usar toda a sua gama de ferramentas para apoiar a economia dos EUA neste momento desafiador, promovendo assim suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”
“A pandemia do coronavírus causa imensas dificuldades humanas e econômicas”, observou o FOMC.
Declínio da atividade econômica
O comunicado prossegue: “O vírus e as medidas tomadas para proteger a saúde pública estão induzindo acentuados declínios na atividade econômica e um aumento nas perdas de empregos.”
E complementa, mencionando também a crise do petróleo, que fez baixar, no último dia 20, os preços da commodity até o terreno negativo: “A demanda mais fraca e os preços do petróleo significativamente mais baixos estão mantendo a inflação dos preços ao consumidor”.
“As interrupções na atividade econômica aqui e no exterior afetaram significativamente as condições financeiras e prejudicaram o fluxo de crédito para famílias e empresas dos EUA”, acrescenta.
O comitê explica: “A atual crise de saúde pública pesará pesadamente sobre a atividade econômica, o emprego e a inflação no curto prazo e apresenta riscos consideráveis para as perspectivas econômicas no médio prazo.”
E assinala: “À luz desses desenvolvimentos, o Comitê decidiu manter a taxa de fundos federais de 0 a 0,25%. O Comitê espera manter essa faixa de metas até ter certeza de que a economia resistiu a eventos recentes e está a caminho de alcançar suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços.

Taxas ficam iguais até superação da crise
O Fed diz que manterá os juros atuais até “ter confiança de que a economia superou eventos recentes.”
“O Comitê continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas, incluindo informações relacionadas à saúde pública, bem como desenvolvimentos globais e pressões inflacionárias”, reforça o Fed.
“Ao determinar o momento e o tamanho dos ajustes futuros na orientação da política monetária, o Comitê avaliará as condições econômicas realizadas e esperadas em relação ao seu objetivo máximo de emprego e ao seu objetivo simétrico de 2% da inflação”, adiciona o texto do comunicado.
“Essa avaliação levará em conta uma ampla gama de informações, incluindo medidas das condições do mercado de trabalho, indicadores de pressões inflacionárias e expectativas de inflação e leituras sobre desenvolvimentos financeiros e internacionais.”
O texto ofereceu esta sinalização: “Para apoiar o fluxo de crédito para famílias e empresas, o Federal Reserve continuará a comprar títulos do Tesouro e agências de valores mobiliários garantidos por hipotecas residenciais e comerciais nos montantes necessários para apoiar o bom funcionamento do mercado”
Segundo o Fed, isso “irá promover a transmissão eficaz da política monetária para condições financeiras mais amplas.”
“Além disso, o Open Market Desk continuará oferecendo operações de contratos de recompra de longo prazo durante a noite e a longo prazo. O Comitê acompanhará de perto as condições do mercado e está preparado para ajustar seus planos conforme apropriado”, conclui o Fed.
Powell: economia precisa de mais estímulos
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que a recuperação da economia americana depende de “mais estímulos para garantir retomada robusta após a crise do coronavírus”, de acordo com o site CNBC
“Pode ser que a economia precise de mais apoio de todos nós para que a recuperação seja robusta”, disse Powell em uma entrevista coletiva virtual na quarta-feira, após a decisão política do banco central.
“Será necessário fazer mais? Eu acho que a resposta seria sim”, afirmou, segundo a CNBC.
“Podemos fazer novos ajustes e cortes, para que possamos continuar a recuperação da economia”, completou Powell.
Queda do PIB
Nesta quarta, prévia divulgada do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre indicou queda de 4,8%.
No quarto trimestre de 2019, o PIB teve avanço de 2,1%.
A queda, segundo relatório divulgado pelo Bureau of Economic Analysis, se deu por conta da crise do coronavírus.
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