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Petrobras e Pemex: veja o potencial da parceria para as ações

Petrobras e Pemex: veja o potencial da parceria para as ações

Genial estima que parceria Petrobras-Pemex pode destravar até 7,4 bilhões de barris adicionais de petróleo, equivalente a 60% das reservas atuais

A melhor das estimativas coloca um potencial de 7 bilhões de barris de reservas provadas a serem destravadas pela parceria entre Petrobras (PETR3; PETR4) e Pemex — um volume expressivo que representa 60% das reservas certificadas da própria Petrobras e equivale à totalidade das reservas provadas da empresa mexicana.

É o que avalia a Genial Investimentos em análise divulgada nesta sexta-feira (26) sobre o Memorando de Entendimento (MoU) assinado pelas duas estatais.

“O Memorando de Entendimento entre Petrobras e Pemex deve ser interpretado, neste momento, como uma opção estratégica de baixo custo inicial, sem impacto material imediato sobre a tese de investimento da Petrobras”, avaliou o analista Vitor Sousa, da Genial.

O acordo prevê cooperação em Exploração & Produção, com foco em campos maduros, reprocessamento sísmico e oportunidades em águas profundas e ultraprofundas no Golfo do México — exatamente onde a Pemex tem subinvestido e a Petrobras tem vantagem competitiva.

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MoU não é vinculante, mas potencial é relevante

O memorando não implica compromisso de investimento nem cria sociedade, consórcio ou joint venture entre as companhias. Eventuais oportunidades dependerão de negociações futuras, instrumentos específicos e aprovações internas.

“O anúncio é potencialmente positivo sob a ótica estratégica, mas ainda preliminar e sem valor econômico mensurável”, ressaltou Sousa.

Contudo, o potencial é difícil de ignorar. A Genial estima que, caso a Pemex consiga alcançar o grau de recuperação da porção americana do Golfo do México — de 43,2% versus os atuais 35,6% mexicanos —, o volume recuperável adicional seria de cerca de 7,4 bilhões de barris.

“Mesmo que esse acordo alcance uma fração desse potencial, já seria um volume relevante para ambos os cases”, afirmou o analista Vitor Sousa.

México e Brasil em momentos opostos no setor

A análise da Genial contrasta a trajetória das duas empresas. A Petrobras se consolidou como referência global em exploração offshore, com crescimento consistente de produção e reposição de reservas.

A Pemex, por sua vez, encerrou 2026 com endividamento de US$ 85 bilhões, relação Dívida Líquida/EBITDA de 6 vezes, patrimônio líquido negativo e rating especulativo em múltiplas agências.

“O modelo estatizante e quase monopolista da Pemex aconteceu a um preço à indústria de petróleo e gás mexicana”, avaliou Sousa.

A Zona Econômica Exclusiva do México é ligeiramente maior que a dos EUA — 740 mil km² versus 700 mil km² —, e o volume total de petróleo no reservatório mexicano supera o americano em termos absolutos. Entretanto, o México acumula fator de recuperação de apenas 32,1%, contra 36,6% dos EUA, e suas reservas classificadas como águas profundas são praticamente zero.

“A Pemex além de não ter expertise nessa classe de ativo, aparentemente não tem os recursos necessários para tocar uma campanha exploratória razoável”, destacou o analista.

Histórico internacional da Petrobras exige cautela

A Petrobras tem um histórico conturbado em investimentos fora do Brasil, especialmente em segmentos além do E&P, como refino e distribuição na América Latina e nos EUA. Esse histórico exige atenção sobre os rumos do acordo.

“A leitura seria mais construtiva caso a parceria fique restrita a áreas em que a Petrobras possui clara vantagem competitiva, como exploração offshore e desenvolvimento de campos em águas profundas”, alertou Vitor Sousa.

“A leitura poderia se tornar negativa caso a parceria avance para investimentos relevantes fora do core, especialmente em segmentos industriais ou downstream internacional, onde o histórico da Petrobras é menos favorável”, concluiu o analista da Genial.

Por ora, o acordo deve ser visto como uma opcionalidade para reposição de reservas da Petrobras — relevante, mas ainda sem valor econômico mensurável até que projetos específicos, com governança clara e disciplina de capital, sejam efetivamente definidos.