Alô Câmbio! Tudo bem com você?
A tão esperada reunião do Fed finalmente aconteceu. E o Comitê repetiu o que havia sido falado no último encontro, com maiores detalhes desta vez.
Reforçou que as medidas de relaxamento quantitativo seriam encerradas ao mesmo tempo que o processo de redução do balanço deve se iniciar na sequência. Tão logo as taxas de juros começarem a subir… Calma… Vamos ligar a “tecla SAP” de economês para português:
Fed: encerrar as medidas de relaxamento quantitativo
Desde o começo da pandemia, o Fed tem feito o chamado quantitative easing. Em outras palavras, a instituição compra títulos em poder do mercado, aumentando assim a quantidade de dinheiro em circulação. Isso aumenta a liquidez (ou disponibiliza mais recursos no sistema) ao mesmo tempo em que deixa o balanço do Banco Central (bem) maior…
Como reduzir o balanço?
Vendendo os tais títulos… Ou seja, neste processo, o Fed vai trocar os “bonds” em seu poder por dólares. Na prática, além de diminuir o seu balanço, o sistema terá menos dinheiro, semana após semana. A liquidez, portanto, tende a diminuir bastante, algo que a autoridade monetária precisa calibrar para não causar problemas no mercado.
Subir as taxas de juros
Para quem acompanha os nossos calls, já sabe o que isso quer dizer… Com inflação, o papel do banqueiro central é de ser o chato da festa, tirando o barril de chope do centro do salão. O jeito mais fácil de fazer isso, em Economia, é subindo a taxa básica de juros. Macroeconomia, aula 1…
Câmbio: a estratégia de “3 pontas”
Com isso, já está pronto o plano.
Pela ordem, teremos a suspensão da compra de bonds, seguido do início do ciclo de alta de juros e a redução do balanço. Com isso, Jerome Powell espera combater a maior inflação em quase 40 anos nos Estados Unidos. A conferir…
Câmbio: No Brasil, pesa o orçamento…
O Orçamento 2022 foi sancionado pelo presidente e a estimativa é de um superávit primário de aproximadamente R$ 80 bilhões. Isto se o país crescer acima de 2% no ano corrente…
Em ano eleitoral, devemos ter o mercado “vigilante”, especialmente no que tange ao Fiscal. Com vários mandatários tentando a reeleição, a vontade de gastar pode superar facilmente a intenção de segurar os gastos públicos.
Câmbio: e a inflação?
No que pode ser considerado o principal índice da semana aqui no Brasil, o IPCA-15 mostrou queda, porém com um número acima do esperado. Este fato colocou ainda mais pressão no Banco Central para manter o ciclo de alta de juros. E quem está sendo beneficiado “por tabela”, é o câmbio…
E o real?
Sim, meu amigo, minha amiga… Aumento de juros no Brasil deixa o país mais atrativo aos investidores. Sendo assim, a alta do IPCA forçaria uma ação ainda mais contundente do Banco Central na subida de juros.
Isso abre espaço para maiores ganhos de capital para quem aplica recursos na moeda brasileira. E ajuda a trazer mais recursos para cá. Por “física” pura e simples, o dólar tem que cair considerando apenas este fato.
Câmbio, desligo.
Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos