O crescimento do número de cotistas em fundos imobiliários deve fechar 2025 em apenas 3%. Diante desse dado, a pergunta surge quase automaticamente: a febre dos FIIs acabou?
A resposta curta é não. Mas o contexto importa.
Entre 2020 e 2022, vimos um verdadeiro boom de investidores pessoa física entrando nesse mercado. A base de cotistas crescia mês a mês, impulsionada por juros baixos e pela busca por renda recorrente. Hoje, o cenário é outro. Estamos falando de um mercado que já reúne perto de 3 milhões de investidores. Crescer em cima dessa base naturalmente é mais difícil.
Além disso, o ambiente macroeconômico pesa. Com a taxa Selic em patamares elevados, a renda fixa voltou a competir de forma muito agressiva pelo capital do investidor. Produtos com juros altos e risco percebido como menor acabam atraindo boa parte dos recursos disponíveis, especialmente em um cenário de orçamento limitado.
Isso não significa perda de atratividade dos fundos imobiliários. Significa, antes, uma mudança de ciclo. Em momentos de juros altos, é comum que o fluxo de novos investidores diminua. O que chama atenção é que, mesmo com esse crescimento modesto no número de cotistas, o desempenho do mercado foi tudo menos fraco.
Em 2025, o IFIX acumula alta superior a 18%, entregando retorno acima do CDI no período. Ou seja, quem já estava investido foi bem remunerado, mesmo sem a entrada massiva de novos participantes.
Olhando para frente, as expectativas de queda da Selic em 2026 tendem a mudar novamente essa dinâmica. Juros em declínio costumam aumentar o apelo dos fundos imobiliários, tanto pelo potencial de valorização das cotas quanto pela renda distribuída.
Menos novos cotistas em 2025 não é sinal de esgotamento. É sinal de maturidade. O mercado segue funcionando, entregando resultado e se preparando para o próximo movimento do ciclo econômico.





