O Banco Central Europeu pode estar prestes a ajustar sua principal política para combater as consequências econômicas da crise da pandemia, é o que informou a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.
Desde 2003, o banco central tem como meta uma taxa de inflação “abaixo, mas próxima de 2%”, lembra a CNBC.
No entanto, o BCE está atualmente mais preocupado com a lentidão dos aumentos de preços.
Como resultado, uma recente revisão da estratégia pode levar a um novo alvo.
“No ambiente atual de inflação mais baixa, as preocupações que enfrentamos são diferentes (do que em 2003) e isso precisa ser refletido em nosso objetivo de inflação”, disse Lagarde, em uma conferência de imprensa na quarta-feira (30).
Análise de Christine Lagarde
Ela pediu um debate mais amplo sobre se os bancos centrais devem se comprometer a compensar os distúrbios inflacionários quando eles passam algum tempo abaixo das metas estipuladas.
“Tal estratégia pode fortalecer a capacidade de se estabilizar a economia quando confrontada com o limite inferior”, ela disse.
“Embora as estratégias possam ter menos sucesso quando as pessoas não são perfeitamente racionais em suas decisões – o que provavelmente é bem perto da realidade que enfrentamos – a utilidade de tal abordagem pode ser examinada”, seguiu.
A inflação na área do euro foi em média de 2,3% de 1999 a 2008, quando a crise financeira global surgiu.
Desde então, foi, em média, apenas 1,2% até o final de 2019, de acordo com dados do BCE.
A revisão da estratégia que o BCE pensa pe em como adaptar a sua política à realidade económica atual.
Em declarações aos congressistas europeus, Lagarde alertou que os próximos dados podem apontar para uma maior deflação.
A leitura instantânea da inflação de agosto já havia ficado em -0,2%, ante 0,4% em julho.
Fed
É num problema global.
O Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed) fez uma avaliação semelhante.
O Fed anunciou em agosto que permitiria que a inflação ultrapassasse sua meta de 2% por “algum tempo”.
Isso significa que o banco central terá menos probabilidade de aumentar as taxas de juros – uma medida que tem amplas implicações para os mercados financeiros e para o consumidor diário.
“Muitos acham contra-intuitivo que o Fed queira aumentar a inflação”, disse Jerome Powell, presidente da instituição.
“Entretanto, a inflação persistentemente baixa pode representar sérios riscos para a economia”, acrescentou.
A inflação muito baixa também é motivo de preocupação entre as autoridades europeias.
Deflação
Os bancos centrais monitoram a deflação de perto.
Em uma economia saudável, os preços tendem a subir em um ritmo gradual, não cair.
A zona do euro caminha para uma contração anual de 8% do produto interno bruto (PIB) neste ano.
A pandemia atingiu duramente a região, com muitas indústrias lutando para manter os negócios vivos.
E ainda há a segunda onda enfrentada agora.
Ou seja, apesar da recuperação, há dúvidas sobre o desempenho da zona do euro no último trimestre do ano.
“O PIB real da área do euro só deve se recuperar aos níveis anteriores à crise no final de 2022”, disse Lagarde.
No entanto, Lagarde diz que “a força da recuperação permanece altamente dependente da evolução da pandemia Covid-19”.






