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Bolsa reage e fecha com mais 1,50%; Petrobras (PETR3), Eletrobras (ELET3) e bancos sobem

Bolsa reage e fecha com mais 1,50%; Petrobras (PETR3), Eletrobras (ELET3) e bancos sobem

Bolsa de valores reage a riscos políticos e consegue fechar com mais 1,50%; Petrobras (PETR3), Eletrobras (ELET3) e bancos salvam

A bolsa de valores reverteu um começo de dia desentusiasmado para fechar no azul em 1,50%, com 113.749,90 pontos. O roteiro desta quinta-feira (25) foi um pouco como o de Wall Street, que oscilou bastante até ver tudo terminar no positivo.

Não foi sem emoção. Ontem (24), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), deu um duro recado ao Palácio do Planalto, falando sobre “remédios amargos” que o Legislativo pode tomar se o rumo da conversa (e das ações) no combate à pandemia não mudar. Empresários e políticos já não aguentam mais ver a contagem de corpos nas manchetes dos noticiários. A sociedade, então, nem se fala. Sem pode ir às ruas, enfurece-se entocada. Lira apertou o “sinal amarelo” e já tem gente se ouriçando pelo “sinal vermelho”, que Lira, hoje, resolveu mostrar que não vai rolar.

Em conversa fora da agenda com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), Lira deixou-se abraçar em afagos com o líder da nação – os dois de máscara, em um recado importante de união. É pouco, mas é exatamente o que o país precisa ver.

Petrobras (PETR3 PETR4) e os bancos seguraram a onda de um Ibovespa positivo. A Eletrobras (ELET3 ELET6) contribuiu, após o anúncio da indicação do novo presidente da companhia elétrica, Rodrigo Limp, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Lá fora, um navio encalhado no Canal de Suez mexeu um pouco com os mercados e preocupa o abastecimento mundial, inclusive de petróleo, cuja cotação anda despencando, apesar de um suspiro ou outro (há uma forte gangorra). Contudo, nos EUA, há bons dados econômicos, que animaram os investidores.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 110.926,74 pontos (-1,06%); e na máxima, 114.024,30 pontos (+1,38%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 32,588 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (22): -1,07% (114.978,86 pontos)
  • terça-feira (23): -1,49% (113.261,80 pontos)
  • quarta-feira (24): -1,06% (112.064,19 pontos)
  • quinta-feira (25): +1,50% (113.749,90 pontos)
  • semana: -2,14%
  • março: +3,38%
  • 2021: -4,44%

Dólar

O dólar avançou nesta quinta. A moeda norte-americana ganhou 0,55%, valendo R$ 5,6705.

  • segunda-feira (22): +0,59% a R$ 5,5179
  • terça-feira (23): -0,04% a R$ 5,5117
  • quarta-feira (24): +2,25% a R$ 5,6396
  • quinta-feira (5): +0,55% a R$ 5,6705
  • semana : +3,35% a R$ 55,6705

Euro

  • segunda-feira (22): +0,51% a R$ 6,5702
  • terça-feira (23): -0,43% a R$ 6,5416
  • quarta-feira (24): +1,49% a R$ 6,6394
  • quinta-feira (25): +0,15% a R$ 6,6491
  • semana: +1,72% a R$ 6,6491

Bolsa em Nova York e cenário mundial

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos subiu 4,3% no quarto trimestre, acima da estimativa anterior de 4,1%. No ano de 2020, o recuo do PIB foi de 3,5%.

Apesar disso, a leitura indica desaceleração do crescimento, após retomada bastante acelerada pós-primeira onda da pandemia. Vale lembrar que, no terceiro trimestre, o PIB real dos EUA aumentou 33,4%, uma marca recorde no país. Enquanto que, no segundo trimestre, caiu 31,4%. E no primeiro, recuou 5%.

Já os pedidos iniciais de seguro-desemprego totalizaram 684 mil em dado ajustado sazonalmente na semana encerrada em 20 de março. Na semana anterior, eram 781 mil, conforme o Departamento do Trabalho. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (25).

Menos norte-americanos entraram com novos pedidos de seguro-desemprego do que o esperado na semana passada. A atividade econômica se recupera após problemas causados pelo clima em fevereiro nos Estados Unidos. Entretanto, deverá levar anos para que o mercado de trabalho se recupere totalmente da pandemia.

Economistas consultados pela Reuters projetavam 730 mil pedidos na última semana.

Powell sugeriu na quinta-feira a futura remoção das medidas de estímulo monetário que sustentaram a maior economia do mundo durante a pandemia, observando que o estímulo do Congresso e o lançamento da vacina permitiram uma recuperação mais rápida do que o esperado.

No meio do Planeta, um navio gigante com 220 mil toneladas da Evergreen encalhou no Canal de Suez, o principal caminho que liga o oriente e o ocidente e por onde passa 10% do comércio mundial, e simplesmente travou a circulação de navios e carregamentos, incluindo petróleo.

O problema é grave. O navio de bandeira panamenha e proveniente da China bloqueou a passagem de vários navios petroleiros, ajudando a commodity a despencar hoje. Mas tem solução, que já está sendo colocada em prática.

Segundo o jornal El Pais, “não se espera que o incidente tenha mais do que um impacto simbólico. ‘Os carregamentos poderiam desembarcar com um ligeiro atraso, mas o impacto será insignificante no contexto dos atrasos de rotina relacionados com o clima no tráfego de navios que acontecem em todo o mundo’, antecipa François Conradie, analista da consultoria NKC African Economics. ‘O impacto na economia egípcia também será insignificante: no pior caso, a receita do canal diminuirá na proporção do tempo do congestionamento do Ever Given (o navio encalhado) em relação a um ano completo de receita. Nenhum capitão vai dar meia-volta e navegar ao redor do Cabo da Boa Esperança’, acrescenta”.

Na Europa, as principais bolsas terminaram mistas.

O foco para os mercados europeus foi a reunião virtual entre os líderes da União Europeia (UE) para discutir a situação epidemiológica preocupante no continente e vacinação morosa.

No topo da agenda estavam possíveis restrições às exportações de vacinas do bloco, uma medida que poderia impactar mais fortemente o vizinho Reino Unido e poderia paralisar seu programa de imunização até agora bem-sucedido.

Segundo a CNBC, a UE e o Reino Unido procuraram aliviar as tensões sobre as exportações de vacinas nas últimas 24 horas, dizendo que querem encontrar uma solução “ganha-ganha” e aumentar o abastecimento em todo o continente.

Nova York

  • S&P: +0,52%
  • Nasdaq: +0,12%
  • Dow Jones: +0,62%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): 0,00%
  • DAX (Alemanha): +0,08%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,57%
  • CAC (França): +0,09%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,41%
  • FTSE MIB (Itália): +0,04%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,10%
  • SZSE Component (China): +0,10%
  • China A50 (China): -0,21%
  • DJ Shanghai (China): -0,08%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,07%
  • SET (Tailândia): +0,01%
  • Nikkei (Japão): +1,14%
  • ASX 200 (Austrália): +0,17%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,40%

Brasil: ambiente político e econômico

Pareceu uma bomba com poder destrutivo maior do que de fato era e foi. Arthur Lira discursou na Câmara dos Deputados ontem dizendo que apertou o “sinal amarelo”, com relação à condução da crise sanitária no país.

“Eu estou apertando hoje um sinal amarelo para quem quiser enxergar”, discursou. “Não vamos continuar aqui votando e seguindo um protocolo legislativo, com o compromisso de não errar com o país, se, fora daqui, erros primários, erros desnecessários, erros inúteis, erros que não são muito menores do que os acertos cometidos, continuarem a ser praticados. E eu, aqui, não estou fulanizando. Vou repetir: eu não estou fulanizando. Dirijo-me a todos os que conduzem os órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia: o executivo federal, os executivos estaduais, os milhares de executivos municipais também. Os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e são todos amargos. Alguns fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é esta a intenção desta Presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, fruto da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política”.

Quem quis entender como ameaça a Bolsonaro, entendeu. Melhor definiu a colunista do Portal UOL, Thais Oayama: “com suas muitas milhas de águas navegadas, o centrão sabe que a crise tem um nome e esse nome é Jair Bolsonaro. (…) Mas, mesmo com tudo isso, é certo que o bloco mais notório da Câmara não abandonará o barco de Bolsonaro agora e nem se movimentará pelo seu impeachment”.

Isso porque o Centrão vê a fragilidade do governo mais como oportunidade de negócios.

Tanto que hoje Lira e Bolsonaro, em encontro fora da agenda de ambos, fizeram questão de se deixar fotografar e filmar abraçados, um gesto caloroso representando “união”.

Enquanto Lira disse ontem que tudo “tem limite” e o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB-RS) afirmou que o número de mortes “ultrapassou o limite do bom senso”, como se houvesse algum limite para mortes, a sociedade passou a enxergar recados claros de que a teimosia ideológica de Bolsonaro, seus filhos e seguidores ferrenhos está nas cordas.

E a sociedade sabe, incluindo os mercados, que união é melhor do que um líder nas cordas.

Já Roberto Campos Neto, presidente do BC, foi mais efetivo na sua contribuição. Ele disse que a política monetária caminha em direção ao juro neutro: “o ajuste nós temos descrito como ajuste parcial e temos dito que o ajuste mais célere nos faz crer que na verdade fazer mais, e fazer mais rápido, faz com que a intensidade total deva ser menor”.

É um recado importante, para acalmar mercados e políticos (de qualquer espectro ideológico).

O aumento da Selic para 2,7% ao ano foi, segundo Campos Neto, “um processo de normalização parcial, reduzindo o grau extraordinário do estímulo monetário”.

“Nós entendemos que precisamos fazer essa normalização parcial em parte porque o juro de 2% estava dentro de um entendimento de um cenário (de crescimento e inflação) que não ocorreu, por isso normalização parcial”, assinalou.

Ou seja, a Selic continuará baixa e sua alta não prejudica o crescimento econômico.

Em entrevista, ele ainda afirmou ser “equivocada” a visão de que intervenções no câmbio feitas pelo BC em dias em que o real está apreciando estariam ligadas ao cenário inflacionário: “gostaria de deixar bem claro que nós entendemos que o efeito que o câmbio traz para nós é o efeito inflacionário através dos canais, a gente tem olhado isso há bastante tempo”.

No âmbito dos dados, o BC melhorou a projeção para o saldo das contas externas neste ano. A previsão para as transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, passou de déficit de US$ 19 bilhões para um “ligeiro superávit” de US$ 2 bilhões.

A estimativa para 2021 corresponde a 0,2% do PIB.

Segundo o BC, a revisão foi ocasionada principalmente pelo aumento do saldo comercial, elevando de US$ 53 bilhões para US$ 70 bilhões a estimativa para o superávit da balança comercial neste ano.

O Índice de Confiança da Construção, calculado pela Fundação Getulio Vargas, recuou 3,2 pontos em março, para 88,8 pontos. O resultado é o menor nível desde agosto de 2020 – quando registrou 87,8 pontos. Em queda há três meses consecutivos, o índice medido em médias móveis trimestrais caiu 1,7 ponto.

“O resultado de março mostra uma piora disseminada entre os diversos segmentos. Dessa forma, no primeiro trimestre do ano, os empresários percebem uma situação mais desfavorável que a do último trimestre de 2020, indicando uma deterioração do processo de recuperação”, avaliou Ana Maria Castelo, coordenadora da pesquisa.

Em março, a queda da confiança foi resultado da piora da percepção dos empresários na avaliação sobre o momento presente e da redução das expectativas em relação aos próximos meses. O Índice de Situação Atual recuou 2,2 pontos, ao passar de 90,0 pontos para 87,8 pontos.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 71 subiram e as outras 10 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 92,44 (-0,76%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,20 (+1,67%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 26,62 (+2,23%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,65 (+1,77%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 20,30 (-0,34%)

Maiores altas

  • Equatorial (EQTL3): R$ 22,48 (+6,95%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 29,66 (+5,25%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 12,04 (+5,24%)
  • Energisa (ENGI11): R$ 44,00 (+5,11%)
  • Eletrobras (ELET3): R$ 33,89 (+4,96%)

Maiores baixas

  • SulAmérica (SULA11): R$ 36,91 (-2,82%)
  • CCR (CCRO3): R$ 12,04 (-2,11%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 9,80 (-1,51%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 11,14 (-1,42%)
  • Vale (VALE3): R$ 92,44 (-0,76%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +1,30% (48.654,98 pontos)
  • IBrX 50: +1,16% (18.843,21 pontos)
  • IBrA: +1,27% (4.563,50 pontos)
  • SMLL: +1,74% (2.744,19 pontos)
  • IFIX: -0,03% (2.813,80 pontos)
  • BDRX: +0,54% (12.875,71 pontos)

Commodities

  • Brent (para maio): US$ 61,95 (-3,81%)
  • WTI (para abril): US$ 58,56 (-4,28%)
  • Ouro (abril): US$ 1.725,10 (-0,46%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC