A bolsa de valores virou o jogo e subiu 0,45% nesta quinta-feira (19), indo a 117.164,69 pontos, após chegar a ficar negativo, acompanhando o sobre-e-desce que se viu em Nova York, com seus principais índices, que ainda assim fecharam com sinais trocados.
Foi um dia de dados que apontam para a proximidade do tapering, a diminuição dos estímulos à economia feitos pelo Federal Reserve, o Fed, banco central dos Estados Unidos.
Hoje, um dado específico reforçou o entendimento: os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos vieram melhor do que a projeção. A recuperação do mercado de trabalho é ponto-chave para a decisão de tapering do Fed.
No campo político nacional, uma brecha de entendimento se abriu – e ele não veio do Executivo e sim do Legislativo, mais precisamente do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que deu início ao andamento da indicação de André Mendonça para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), como deseja o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).
O entendimento é primordial em tempos de crises fabricadas a partir do Executivo Nacional para destravar matérias que os agentes de mercado acham primordiais, como a reforma do Imposto de Renda (IR), com votação já duas vezes adiada, e a questão dos precatórios, que pode levar ao novo programa social em substituição ao Bolsa Família.
Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 114.801,00 pontos (-1,58%); e na máxima, 117.453,34 pontos (+0,69%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 43,700 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (16): -1,66% (119.180,03 pontos)
- terça-feira (17): -1,07% (117.903,81 pontos)
- quarta-feira (18): -1,07% (116.642,62 pontos)
- quinta-feira (19): +0,45% (117.164,69 pontos)
- semana: -3,32%
- agosto: -3,81%
- 2021: -1,56%
Juros
- D1F22: -0,07 p.p. para 6,72%
- D1F23: -0,19 p.p. para 8,46%
- D1F24: -0,27 p.p. para 9,29%
- D1F25: -0,31 p.p. para 9,69%
- D1F26: -0,32 p.p. para 9,92%
- D1F27: -0,30 p.p. para 10,14%
- D1F28: -0,31 p.p. para 10,30%
- D1F29: -0,30 p.p. para 10,43%
- D1F30: +0,01 p.p. para 10,37%
- D1F31: -0,27 p.p. para 10,63%
Dólar
O dólar voltou a subir nesta quinta. A moeda norte-americana ganhou 0,89% e passou a valer R$ 5,4228.
- segunda-feira (16): +0,68% a R$ 5,2807
- terça-feira (17): -0,20% a R$ 5,2701
- quarta-feira (18): +1,99% a R$ 5,3749
- quinta-feira (19): +0,89% a R$ 5,4228
- semana: +3,36%
Euro
- segunda-feira (16): +0,13% a R$ 6,1941
- terça-feira (17): +0,09% a R$ 6,1997
- quarta-feira (18): +1,61% a R$ 6,2997
- quinta-feira (19): +0,55% a R$ 6,3337
- semana: +2,38%
Criptomoedas*
- Bitcoin: +5,81% a R$ 250.421,74
- Ethereum: +5,62% a R$ 16.911,82
- Tether: +1,76% a R$ 5,37
- Cardano: +16,82% a R$ 12,84
- Binance: +9,43% a R$ 2.293,92
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
As ações em Nova York variaram muito hoje, com os dados do seguro-desemprego apontando para a diminuição dos estímulos à economia pelo Fed.
Os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos vieram melhor do que a projeção: ficaram em 348 mil, ante 377 (revisados) mil da semana passada, abaixo da projeção de 363 mil.
Na semana encerrada em 14 de agosto, houve uma diminuição de 29 mil reivindicações ante a semana anterior, sendo o nível mais baixo desde 14 de março de 2020, antes da pandemia, quando o número era de 256 mil. O nível da semana anterior foi revisado para cima em 2 mil pedidos, indo de 375 mil para 377 mil.
A média móvel de quatro semanas foi de 377,750 mil, com diminuição de 19 mil em relação à média revisada da semana anterior. Este também é o nível mais baixo desde o começo da pandemia.
O resultado dos pedidos de seguro-desemprego, divulgados hoje pelo Departamento de Trabalho, reforça a tese de que o Fed está próximo de retirar os estímulos da economia, já que a recuperação do mercado de trabalho é ponto-chave para esta decisão.
Na ata da última reunião do Fomc, comitê de política monetária do banco central americano, ficou claro que o tapering (retirada dos estímulos) já vem sendo discutido, com grande chance de ocorrer ainda este ano.
Os membros discutiram em sua reunião de julho o início da redução do ritmo de suas compras mensais de títulos, indicando que isso deve ocorrer até o fim deste ano.
Também votaram para manter as taxas de juros de curto prazo perto de zero, ao mesmo tempo expressando otimismo sobre o ritmo de crescimento econômico.
Entretanto, a ata mostrou que os dirigentes do Fed ainda estão divididos em relação ao início do tapering e como ele será feito, embora a maioria considere mais adequado começar ainda neste ano.
Permanece a dúvida se a economia já apresentou “progresso substancial” para justificar a redução das compras de ativos. As incertezas sobre os impactos da variante Delta e a persistência da inflação também são apontados como fatores de atenção pelo Fed.
“O recente surto de angústia do mercado parece ser uma combinação de vertigem do investidor, em busca de uma desculpa para realizar lucros, e o caminho acidentado de reabertura da economia, com novas variantes de Covid-19 em ascensão”, disse Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da National Títulos, disse em uma nota reproduzida pela CNBC.
Ao mesmo tempo, o petróleo continua a despencar, tanto nos EUA, quanto em Londres. Nos quatro dias dessa semana, queda em ambas as referências, com misto de preocupações sobre as reaberturas políticas diante da variante delta, que se mostra avassaladora, e altas nos estoques.
“O impacto da variante Delta sobre o crescimento e a inflação está provando ser um pouco maior do que esperávamos”, escreveu Jan Hatzius, economista-chefe do Goldman Sachs, na nota.
Os índices na Europa e nos mercados da Ásia e Pacífico ficaram todos no vermelho, ainda refletindo essa quadro de pessimismo mostrado no começo da semana, especialmente porque o sudeste asiático ainda é o epicentro atual da pandemia.
Nova York
- S&P 500: +0,13%
- Nasdaq: +0,11%
- Dow Jones: -0,19%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): -1,54%
- DAX (Alemanha): -1,25%
- FTSE 100 (Reino Unido): -1,54%
- CAC (França): -2,43%
- IBEX 35 (Espanha): -0,76%
- FTSE MIB (Itália): -1,63%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): -0,57%
- SZSE Component (China): +0,23%
- China A50 (China): -1,76%
- DJ Shanghai (China): -0,80%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -2,13%
- SET (Tailândia): -0,49%
- Nikkei (Japão): -1,10%
- ASX 200 (Austrália): -0,50%
- Kospi (Coreia do Sul): -1,93%
Brasil: ambiente político e econômico
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, deu um passo para o entendimento entre Executivo e Legislativo, que vem sendo minado pelas seguidas atitudes conflituosas do presidente da República: iniciou o processo de indicação de André Mendonça para a vaga aberta no STF, como deseja o governo Bolsonaro.
A pauta está agora nas mãos de Davi Alcolumbre (DEM-AC), da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O problema é que Alcolumbre não morre de amores de Mendonça e pode ser um entrave para o andamento.
Mas, segundo os jornais especificaram nesta quinta, o gesto de Pacheco tem intenção mais de apaziguar ânimos do que com a matéria em si.
Na questão dos precatórios, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje ao Senado, que se o projeto de parcelamento dos precatórios não passar, o ministério vai “mandar orçamento de R$ 90 bilhões e vai faltar dinheiro”.
Além disso, um eventual fracasso na aprovação da Proposta da Emenda Constitucional (PEC) dos precatórios pode prejudicar a terceira dosa da vacinação contra a Covid-19.
Segundo matéria do Valor Econômico, o secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau, admitiu os problemas. Ele afirmou que o governo tem muitas dificuldades para conseguir atender demandas no orçamento previsto para o ano que vem.
Em matéria do O Globo, Culau acrescentou que as dificuldades orçamentárias são as maiores em 25 anos.
Na questão dos dados, a produção industrial registrou crescimento pelo terceiro mês consecutivo, conforme dados divulgados pela pesquisa Sondagem Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Já o nível de emprego não cai há 13 meses e a utilização da capacidade instalada é a melhor para essa época do ano desde 2013.
O indicador de evolução do nível de produção industrial subiu 1,7 ponto em relação a junho e fechou em 53,7 pontos, acima da linha de 50 pontos, o que indica elevação da produção.
Vale lembrar que o índice varia de 0 a 100 pontos, sendo 50 pontos a linha de corte. Quanto mais acima da linha divisória, maior e mais intenso é o aumento da produção na comparação com o mês anterior.
Enquanto isso, os estoques permanecem abaixo do planejado pelas companhia e recuaram um pouco mais em julho, mas se encontram em nível superior ao registrado no segundo semestre do ano passado, quando o problema da falta de insumos e matérias-primas havia atingido seu ponto mais crítico.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, 29 subiram, 2 ficaram estáveis (IGTA3 e LAME4) e as outras 53 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Vale (VALE3): R$ 97,51 (-5,71%)
- Petrobras (PETR4): R$ 26,64 (-0,56%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,90 (-1,29%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 22,75 (-0,22%)
- Gerdau (GGBR4): R$ 27,69 (-3,52%)
Maiores altas
- CVC (CVCB3): R$ 19,10 (+7,91%)
- Localweb (LWSA3): R$ 24,36 (+7,79%)
- Totvs (TOTS3): R$ 36,60 (+5,78%)
- Localiza (RENT3): R$ 58,14 (+5,31%)
- Locamerica (LCAM3): R$ 26,03 (+5,17%)
Maiores baixas
- CSN (CSNA3): R$ 37,00 (-5,78%)
- Vale (VALE3): R$ 97,51 (-5,71%)
- Usiminas (USIM5): R$ 17,08 (-5,69%)
- Bradespar (BRAP4): R$ 63,41 (-5,33%)
- Gerdau (GGBR4): R$ 27,69 (-3,52%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -0,17% (50.246,16 pontos)
- IBrX 50: -0,62% (19.550,12 pontos)
- IBrA: -0,01% (4.748,21 pontos)
- SMLL: +2,15% (2.790,28 pontos)
- IFIX: -0,40% (2.692,65 pontos)
- BDRX: +0,78% (13.913,02 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (outubro)/barril
- segunda-feira (16): -1,53% (US$ 69,51)
- terça-feira (17): -0,69% (US$ 69,03)
- quarta-feira (18): -1,16% (US$ 68,23)
- quinta-feira (19): -2,68% (US$ 66,45)
- semana: -6,06%
Petróleo WTI (setembro)/barril
- segunda-feira (16): -1,68% (US$ 67,29)
- terça-feira (17): -1,04% (US$ 66,59)
- quarta-feira (18): -1,70% (US$ 65,21)
- quinta-feira (19): -2,62% (US$ 63,50)
- semana: -7,04%
Ouro (dezembro)/onça-troy
- segunda-feira (16): +0,60% (US$ 1.788,95)
- terça-feira (17): -0,28% (US$ 1.784,85)
- quarta-feira (18): +0,09% (US$ 1.789,40)
- quinta-feira (19): -0,18% (US$ 1.781,10)
- semana: +0,23%
Prata (setembro)/onça-troy
- segunda-feira (16): +0,39% (US$ 23,87)
- terça-feira (17): -0,83% (US$ 23,59)
- quarta-feira (18): -0,57% (US$ 23,52)
- quinta-feira (19): -1,10% (US$ 23,16)
- semana: -2,11%
Com Wisir Research, BDM e CNBC