A bolsa de valores reforçou a alta de ontem, ganhando 0,87% nesta terça-feira (3) e ficando com 123.576,56 pontos, apesar dos pesares, segurada pelas blue chips. O Ibovespa acompanhou os índices de Wall Street, cujos principais índices terminaram no azul, após uma segunda-feira turbulenta.
O mercado enfrenta um bocado de desafios, seja no âmbito fiscal, seja no político: há o caso dos chamados “superprecatórios”; o embate entre Executivo e Judiciário, patrocinado pela insistência pela crise do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido); a CPI da Covid; o novo Bolsa Família… Assunto para monitorar não falta.
Ao mesmo tempo, os investidores precisam ficar de olho no avanço da variante delta por todo o mundo; no pacote trilionário de infraestrutura em discussão no Congresso em Washington; e por aí vai.
Ao contrário do ouro conquistado por Martine Grael e Kahena Kunzel na Vela, em Tóquio, o mar não anda muito calmo por aqui e os ventos da confusão são fortes…
Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 120.807,02 pontos (-0,003%); e na máxima, 123.765,09 pontos (+2,25%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 32,300 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (2): +0,59% (122.515,74 pontos)
- terça-feira (3): +0,87% (123.576,56 pontos)<
- semana: +1,46%
- agosto: +1,46%
- 2021: +3,82%
Juros
- D1F22: +0,04 p.p. para 6,34%
- D1F23: +0,04 p.p. para 7,89%
- D1F24: +0,04 p.p. para 8,51%
- D1F25: +0,02 p.p. para 8,81%
- D1F26: +0,01 p.p. para 8,96%
- D1F27: +0,01 p.p. para 9,13%
- D1F28: +0,06 p.p. para 9,24%
- D1F29: -0,02 p.p. para 9,35%
- D1F30: +0,01 p.p. para 9,34%
- D1F31: +0,02 p.p. para 9,53%
Dólar
O dólar se recuperou um pouco nesta terça. A moeda norte-americana ganhou 0,53% e passou a valer R$ 5,1927.
- segunda-feira (2): -0,86% a R$ 5,1653
- terça-feira (3): +0,53% a R$ 5,1927
- semana: -0,33%
Euro
- segunda-feira (2): -0,75% a R$ 6,1408
- terça-feira (3): +0,34% a R$ 6,1617
- semana: -0,41%
Criptomoedas*
- Bitcoin: -0,61% a R$ 197.342,80
- Ethereum: -3,56% a R$ 12.784,64
- Tether: +1,83% a R$ 5,20
- Cardano: +6,39% a R$ 7,10
- Binance: -1,13% a R$ 1.666,22
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
Wall Street respirou aliviado nesta terça, com o rendimento do Tesouro de 10 anos se estabilizando, e o pacote de trilionário de infraestrutura do presidente norte-americano Joe Biden caminhando, mesmo que a passos lentos.
“Todo mundo sabe que as avaliações são bastante altas. O S&P 500 subiu quase 100% desde março do ano passado. Portanto, o mercado tende a ficar um pouco nervoso com qualquer tipo de notícia neste momento”, disse Randy Frederick, diretor-gerente de negociação e derivativos do Schwab Center for Financial Research.
Segundo a CNBC, a disseminação da variante delta continuou a obscurecer as perspectivas para a economia. A média de sete dias de casos diários de coronavírus nos EUA chegou a 72.790 na sexta-feira, ultrapassando o pico visto no verão passado, quando o país não tinha uma vacina autorizada.
No entanto, do lado positivo, os EUA atingiram o marco esperado de vacinação de 70% da população, de acordo com o CDC.
“A variante delta está agora se espalhando rapidamente nos EUA e uma modesta retração na atividade não pode ser descartada”, disse Solita Marcelli, CIO Américas do UBS, em uma nota.
No final da semana, os investidores continuarão monitorando os legisladores, que avançam em direção a um acordo sobre o projeto de infraestrutura. O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, pretende apressar a aprovação da legislação na Câmara antes de um recesso de um mês planejado a partir de 9 de agosto.
Os principais mercados da Ásia-Pacífico caíram hoje, com as ações chinesas de jogos de azar online listadas em Hong Kong despencando após serem descritas como “ópio” pela mídia estatal chinesa.
Com relação aos dados, os preços ao produtor da zona do euro aceleraram novamente em junho devido aos preços mais altos da energia, atingindo 1,4% na comparação mensal, para um aumento anual de 10,2%.
Nova York
- S&P: +0,82%
- Nasdaq: +0,55%
- Dow Jones: +0,80%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): +0,03%
- DAX (Alemanha): -0,09%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,34%
- CAC (França): +0,72%
- IBEX 35 (Espanha): +0,16%
- FTSE MIB (Itália): +0,02%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): -0,47%
- SZSE Component (China): -0,41%
- China A50 (China): +0,61%
- DJ Shanghai (China): -0,28%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,16%
- SET (Tailândia): +1,01%
- Nikkei (Japão): -0,50%
- ASX 200 (Austrália): -0,23%
- Kospi (Coreia do Sul): +0,44%
Brasil: ambiente político e econômico
O governo federal pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para separar os chamados superprecatórios das dívidas de menor valor. Assim, seria possível parcelar as dívidas judiciais acima de R$ 66 milhões, que estão tirando o sono da equipe econômica de Paulo Guedes, o cada vez menos prestigiado ministro da área.
Os superprecatórios somam R$ 89 bilhões em dívidas atrasadas, que precisam ser pagas até 31 de dezembro de 2022. É o que diz a Constituição Federal. A ideia é parcelar essa dinheirama para além de 2022 e empurrar o problema para o próximo mandato.
Na PEC entraria um limite para o pagamento de precatórios do governo aos estados.
Tudo para viabilizar um “novo” programa Bolsa Família, turbinado o suficiente para estancar a sangria da popularidade de Bolsonaro, que só faz naufragar.
Içando a vela do dinheiro para as classes C e D, o atual presidente espera melhorar nas pesquisas e quem sabe conseguir o lugar mais alto do pódio em 2022, com ou sem urnas eletrônicas.
É preciso combinar com os governadores e seus deputados e senadores no Congresso.
A maré não está boa para as contas do governo, que procura brechas para turbinar o programa social criado no começo do século.
A PEC dos precatórios deve colocar o barco na direção da criação de um fundo para o pagamento de um bônus para beneficiários do novo Bolsa Família, uma despesa que ficaria milagrosamente fora do cada vez mais esburacado Teto de Gastos, regra que impõe um limite para as despesas da União.
A questão é ver o quanto o governo consegue ficar acima da linha d’água com o casco do barco todo perfurado: o governo vem trabalhando com um pagamento médio mensal de R$ 300 para 17 milhões de pessoas — hoje o benefício é de R$ 192 em média para 14 milhões, segundo contas do jornal O Globo.
A PEC, ainda segundo o jornal, “concretiza a ideia do ministro Guedes de criar o que ele chama de ‘Fundo Brasil’. Esse fundo será abastecido com venda de ativos da União e privatização de estatais, dividendos, receitas de concessões e recursos do pré-sal”.
Além disso, a CPI que investiga as ações do governo federal no combate à pandemia de Covid-19 voltou a levantar vela e navegar. Isso é visto como mais um obstáculo para as negociações do governo com o Congresso.
O avanço da investigação sobre as estranhas compras de vacinas do governo, com fortes indícios de corrupção, podem levar a máquina estatal a gastar mais para tentar conter o naufrágio em 2022.
Mais gastos populistas, como o investidor vem avisando há tempos, não são normalmente tolerados.
No campo dos dados, o Índice de Preços ao Consumidor medido pela Fipe (IPC-Fipe), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 1,02% em julho, ante 0,81% de junho. O resultado foi o maior para o mês desde 2001. Em 12 meses até julho, a alta é de 9,79%.
Já a produção industrial teve variação nula (0%) em junho, ante alta de 1,4% em maio, informou o IBGE. O resultado veio bem pior do que a projeção do mercado de aceleração de 1,7%.
Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre, a produção teve expansão de 12,9%. Em comparação com junho de 2020, houve avanço de 12%.
“Com a variação nula em junho, o setor permanece no patamar pré-crise, mas no resultado desse mês observa-se uma predominância de taxas negativas entre as atividades industriais”, explica o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), André Macedo.
Por fim, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciaou hoje sua reunião de dois dias e divulga, na quarta-feira (4), a partir das 18h, o resultado de seu 239ª encontro. E do anúncio sairá a decisão quanto à taxa básica de juros (Selic).
A expectativa prioritária do mercado é por uma quarta alta sequencial da Selic.
Mas, agora, as apostas predominantes são de que o comitê abandone os reajustes de 0,75 ponto porcentual e seja mais agressivo na correção: aumente a Selic em 1%. O que levaria a taxa de juros dos atuais 4,25% para 5,25%.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, 40 subiram, 2 ficaram estáveis (IRBR3 e BRML3) e 42 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Vale (VALE3): R$ 112,64 (+3,41%)
- Petrobras (PETR4): R$ 26,85 (+1,67%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,77 (+0,98%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 24,52 (+0,49%)
- B3 (B3SA3): R$ 16,01 (+2,50%)
Maiores altas
- Vale (VALE3): R$ 112,64 (+3,41%)
- Bradespar (BRAP4): R$ 76,13 (+2,98%)
- Gerdau (GGBR4): R$ 31,55 (+2,67%)
- BB Seguridade (BBSE3): R$ 21,54 (+2,57%)
- B3 (B3SA3): R$ 16,01 (+2,50%)
Maiores baixas
- Americanas (AMER3): R$ 49,00 (-4,43%)
- Lojas Americanas (LAME4): R$ 7,03 (-3,30%)
- Sul América (SULA11): R$ 29,80 (-2,65%)
- MRV (MRVE3): R$ 14,08 (-2,22%)
- Cyrela (CYRE3): R$ 20,53 (-1,77%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: +1,12% (53.533,51 pontos)
- IBrX 50: +1,33% (20.894,53 pontos)
- IBrA: +1,07% (5.048,37 pontos)
- SMLL: +0,01% (2.986,53 pontos)
- IFIX: -0,43% (2.800,61 pontos)
- BDRX: +1,10% (13.439,19 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (outubro)/barril
- segunda-feira (2): -3,34% (US$ 72,89)
- terça-feira (3): -0,66% (US$ 72,41)
- semana: -4,01%
Petróleo WTI (setembro)/barril
- segunda-feira (2): -3,64% (US$ 71,26)
- terça-feira (3): -0,98% (US$ 70,56)
- semana: -4,32%
Ouro (dezembro)/onça-troy
- segunda-feira (2): +0,05% (US$ 1.818,05)
- terça-feira (3): -0,48% (US$ 1.813,45)
- semana: -0,43%
Prata (setembro)/onça-troy
- segunda-feira (2): -0,14% (US$ 25,51)
- terça-feira (3): +0,18% (US$ 25,62)
- semana: +0,04%
Com Wisir Research, BDM e CNBC