Está descartada, até o momento, a possibilidade de quebra dos bancos no Brasil, garantiu, nesta segunda-feira (23), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ao comentar os efeitos econômicos da pandemia global no país.
Palavra ‘tranquilizadora’
Para tranquilizar o mercado, durante entrevista coletiva virtual, Campos Neto argumentou que a crise atual é “diferente daquela ocorrida em 2008 e 2009, quando dezenas de instituições financeiras quebraram ou foram absorvidas por outras em todo o mundo”.
O presidente do BC disse, ainda, que “em 2008, a incerteza era se o banco ia quebrar ou não. Agora, não falamos disso”.
Índice de Basileia
Ao citar o chamado Índice de Basileia (quanto de capital o banco possui em relação aos recursos empregados), Campos Neto avalia que “as instituições financeiras brasileiras têm ‘bastante folga’”.
Também criado para inibir a chamada “alavancagem bancária”, o índice citado estabelece um mínimo de 8% – de cada R$ 100 emprestados, o banco deve ter R$ 8.
De acordo com o BC, na média, o índice do sistema financeiro nacional era de 17,12% em março desse ano, ao passo que em igual mês de 2009, este ficou em 18,13%.
Capital ‘sobrando’
Campos Neto observa, também, que o sistema financeiro do país encontra-se “bem provisionado, com boa liquidez e capital sobrando”.
FGC
No entanto, para garantir a liquidez existente, a autarquia anunciou, também nesta segunda-feira, a possibilidade de captação de recursos, pelos bancos, de depósito a prazo com garantia especial do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Formado por contribuições obrigatórias das instituições financeiras, o FGV tem limite de captação de R$ 20 milhões por operação, em que o valor captado correspondente ao patrimônio líquido pode ir até R$ 2 bilhões, por conglomerado.
Instrumento preventivo
“Trata-se de um instrumento preventivo que atende aos pequenos e médios bancos”, justifica Campos Neto, ao acrescentar que o BC estuda uma alternativa de direcionar crédito a setores específicos, sem citá-los.
Acompanhando o presidente da autarquia, o diretor de Política Monetária da instituição, Bruno Serra, garante que “vai haver liquidez para todo o sistema”.