O BTG Pactual (BPAC11) divulgou relatório de análise da Ambev (ABEV3), esperando um forte crescimento de volume, impulsionado pela cerveja Brasil. Com isso, mantém a posição neutra para o ativo, com preço-alvo de R$ 13,00.
Após o fechamento desta quarta-feira (7), o ativo valia R$ 13,53 (alta de 1,42%).
A análise vem na expectativa de que os resultados do 3T20 apresentem um crescimento de volume anual de 3,4%.
Entretanto, o mercado de cerveja no Brasil de apresentar uma forte expansão de 17% na comparação ano a ano.
“Embora, como no 2T20, esperemos que esta previsão alimente esperanças de que a Ambev possa finalmente reacender uma história de crescimento de volume mais consistente, também acreditamos que é importante qualificá-la”, dizem os analistas.
Há uma competição “ainda relutante, em meio às mudanças de canal durante a pandemia”.
Além disso, e, “talvez o mais importante, a temporada de precificação atrasada da Ambev durante o trimestre, que começou mais tarde do que o normal em comparação com os últimos anos”.
Qualidade dos ganhos para permanecer sob controle
A Ambev começou claramente a favorecer o crescimento do volume e a recuperação das ações, mesmo à custa dos preços.
Primeiramente, o BTG acredita que essa nova mentalidade centrada no consumidor é muito do que provavelmente se verá quando os resultados do 3T20 forem divulgados.
Deve vir “um aumento anual de preços mais tarde do que o normal (ainda mais tarde do que alguns de seus concorrentes), combinado com o mix de preços desfavorável causado pelos efeitos da pandemia (maior consumo fora do comércio, consumo unilateral) deve significar preços fracos”.
A receita líquida consolidada deve crescer mais 15% na comparação anual, para R$ 13,7 bilhões.
Isso graças ao câmbio favorável nas operações no exterior, com a desvalorização do real.
Além disso, o BTG prevê um EBITDA de R$ 4,6 bilhões, o que 4% maior na comparação ano a ano.
“A margem deve cair outros 340 pontos-base a/a para 33,5% com preço e mix fraco e custos mais altos”, diz o relatório.
O banco estima o lucro em R$ 2,3 bilhões.

Fonte: BTG Pactual
Cenário pós-pandemia da Ambev
A Ambev historicamente enfrentou bem as crises, lembra o BTG.
“Como no 2T20, acreditamos que a forte execução, a flexibilidade para se adaptar a mudanças de hábitos e a aceleração de novas tendências, como a digitalização, deram bons resultados”, assegura.
Mas o banco ainda vê “a proposta de valor da história do patrimônio com cautela”.
A Ambev permanece não apenas dependente do sucesso de suas marcas principais no canal on trade, que ainda está por se recuperar, como essa nova mentalidade comercial continuará a reduzir as margens.
Com alguns desses impactos positivos de natureza temporária, o BTG não vê motivos para alterar estimativas para 2021 e além.
“A inflação de alimentos também adiciona risco aos volumes de curto prazo”, segue o relatório.
“Negociando com prêmio para pares globais e sem desconto para histórico (apesar da qualidade de lucro inferior), permanecemos Neutros”, conclui.
Credit Suisse na mesma linha
O Credit Suisse reduziu o preço-alvo das ações da Ambev de R$ 20,00 para R$ 18,00.
O banco também observa margens mais pressionadas com a pandemia e com o real desvalorizado.
Contudo, o Credit Suisse manteve recomendação de compra.
O relatório do banco suíço tem o título de “o gigante acordou”.
O concorrente mais direto no mercado de cervejas é a Heineken, que deve se beneficiar também com a reabertura de bares e restaurantes.






