O Banco Safra atualizou suas estimativas para a RD Saúde (RADL3) e mantém a recomendação de outperform (compra), com preço-alvo de R$ 30 por ação para o fim de 2026 — potencial de valorização de 27% frente aos níveis atuais.
Os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio adotam uma visão mais otimista para os próximos anos, sustentada por dois catalisadores estruturais: o lançamento do GLP-1 genérico e os efeitos positivos da venda da 4Bio.
“Mantemos nossa recomendação de outperform, pois vemos a companhia negociando a 23 vezes o lucro de 2026, em linha com nosso múltiplo-alvo implícito de 21 vezes e abaixo da média de dois anos de 26 vezes”, afirmam os analistas.
O preço-alvo é baseado em modelo de fluxo de caixa descontado, com taxa de crescimento de 5,5%, custo de capital próprio de 14,1% e WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) de 10,4%.
GLP-1 reescreve as estimativas
O principal motor da revisão para cima é o GLP-1.
“Os medicamentos GLP-1 devem continuar impulsionando o crescimento, especialmente após o lançamento da opção genérica no segundo semestre de 2026 e a melhora na cadeia de suprimentos”, destacam Pini, Granello e Sartorio. Com isso, o Safra elevou a projeção de crescimento de mesmas lojas de 7% para 9,1% em 2026 e de 7,3% para 8,8% em 2027.
O banco também aponta uma base de comparação favorável. “A RD deve manter seu momentum positivo de lucros, apoiado por uma base fraca no primeiro semestre de 2025, marcada por alta competição com marketplaces na categoria de higiene e beleza e margens baixas”, explicam os analistas.
Venda da 4Bio, um alívio nas margens
A descontinuação da operação da 4Bio no terceiro trimestre de 2026 – assumindo aprovação do CADE até o fim do primeiro semestre – tem impacto positivo direto nas margens.
“A 4Bio opera com margem bruta de meados dos teenagers, comparada ao nível de aproximadamente 27% do negócio de varejo”, apontam os analistas. A saída do ativo deve elevar a margem bruta consolidada em 32 pontos-base em 2026 e 70 pontos-base em 2027.
No Ebitda, o efeito também é favorável.
“A 4Bio opera com margem Ebitda de aproximadamente 2%, consideravelmente abaixo da margem de varejo de cerca de 8%, o que explica o impacto positivo de 4 pontos-base em 2026 e 30 pontos-base em 2027 na margem consolidada”, detalham Pini, Granello e Sartorio.
As receitas consolidadas recuam levemente nas projeções — 1% em 2026 e 3% em 2027 — pela saída da 4Bio. Mas o lucro líquido sofre impacto quase neutro: queda de 4% em 2026 e alta de 3% em 2027, com a melhora do Ebitda e das despesas financeiras compensando a perda de receita.






