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Acordo entre China e Estados Unidos será avaliado pela União Europeia

Acordo entre China e Estados Unidos será avaliado pela União Europeia

Acordo entre China e Estados Unidos será avaliado pela União Europeia; “temos que avaliar se é compatível com a OMC”, diz UE

A União Europeia (UE) vai avaliar se o acordo comercial entre China e Estados Unidos fere alguma regra internacional. A declaração foi dada nessa quinta-feira (16) pelo chefe de comércio do bloco, Phil Hogan.

Ele afirmou que o “diabo está nos detalhes” durante uma conferência em Londres: “teremos que avaliar se o acordo é compatível com a Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

A chamada Fase 1 do acordo entre as duas potências mundiais foi assinada na última quarta-feira (15), depois de mais de um ano de negociações tensas. O impacto dessa demora foi uma desaceleração da economia mundial, afetando principalmente os países em desenvolvimento.

O acordo

A China se comprometeu a comprar ao menos US$ 12,5 bilhões adicionais em produtos agrícolas neste ano, além de mais US$ 19,5 bilhões a mais do que o nível de 2017, de US$ 24 bilhões, no ano que vem. Essa parte não foi bem vista pelos produtores de commodities em todo o mundo, trazendo incertezas.

A insistência do presidente norte-americano, Donald Trump, em um grande acordo para compras de produtos agrícolas foi a maior divergência nas conversas. A China quer ter a liberdade para comprar com base na demanda por tais insumos. “O mercado da China é uma parte muito importante do mercado internacional agora. Não é como se qualquer país pudesse exportar (para a China) tantos produtos quanto quiser. É preciso mostrar a competitividade do produto”, afirmou o premiê chinês Liu He após a assinatura do acordo.

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O país asiático também se comprometeu, durante um período de dois anos, a aumentar sua compra de petróleo dos EUA, gás natural liquefeito e outros produtos energéticos em mais de US$ 50 bilhões. Serão US$ 18,5 bilhões a mais em produtos de energia no primeiro ano, e US$ 33,9 bilhões a mais no segundo ano. Analistas disseram, porém, que a China pode ter dificuldades para atingir a meta e que os ganhos em petróleo provavelmente serão limitados.

Pelo acordo, a China aumentará as compras de bens e serviços dos EUA em US$S 200 bilhões em dois anos, em troca da reversão de algumas tarifas.

OMC

Hogan disse que os detalhes do acordo são “um pouco suspeitos”: “eles deixaram a estrutura usual para fazer acordos. Estão negociando diretamente em uma base bilateral e teremos que avaliar se isso é compatível com a OMC”.

Hogan ainda afirmou que as “reformas estruturais” na China, que a UE e os Estados Unidos queriam, não foram abordadas no acordo, e que a União Europeia quer ver o que está em discussão na segunda fase das negociações entre os Estados Unidos e o país asiático.

A Fase 2 tem previsão de ser concluída em novembro de 2020, apenas. Mas esse prazo pode ser alterado, por conta das eleições presidenciais norte-americanas.