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Lagarde indica novos aumentos dos juros pelo BCE; entenda

Lagarde indica novos aumentos dos juros pelo BCE; entenda

Riscos de estagflação influenciam postura, mas cenário ainda não indica aperto agressivo

O Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de depósito em 0,25 ponto percentual, para 2,25%, tornando-se a primeira grande autoridade monetária a subir juros no contexto das pressões estagflacionárias associadas à guerra no Oriente Médio. A avaliação do banco ING destaca que a decisão tem caráter mais simbólico, voltada a sinalizar disposição de ação diante dos riscos inflacionários.

A alta de juros tem um forte componente de comunicação e credibilidade, mais do que de impacto imediato sobre a economia”, afirma o economista Carsten Brzeski. Segundo ele, o BCE busca evitar a percepção de atraso na resposta, mesmo que os efeitos econômicos ainda sejam limitados.

A postura reflete o entendimento de que o custo de não agir seria maior do que o risco de prejudicar a atividade, em linha com declarações recentes da própria autoridade monetária. O movimento indica uma tentativa de evitar erros passados, especialmente após a resposta tardia ao choque inflacionário de 2021 e 2022.

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Inflação e projeções ainda moderadas

Apesar do ambiente de maior incerteza, as projeções do BCE não apontam para uma escalada inflacionária descontrolada. A inflação ao consumidor é estimada em 3,0% neste ano, desacelerando para 2,3% em 2027 e 2,0% em 2028, trajetória considerada relativamente comportada.

“Embora haja ampliação das pressões inflacionárias, especialmente via energia, os dados ainda não justificam um ciclo agressivo de alta de juros”, avalia Brzeski. As expectativas de inflação captadas em pesquisas, inclusive, mostraram leve recuo recente.

Do lado da atividade, as projeções de crescimento permanecem modestas, com o PIB da zona do euro estimado em 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028. Para o ING, os riscos seguem inclinados para baixo, sobretudo após revisões recentes de dados econômicos.

Comunicação e próximos passos

Durante a coletiva, a presidente do BCE, Christine Lagarde, evitou classificar a decisão como uma alta “de seguro” e rejeitou comparações diretas com episódios recentes de estagflação. Ainda assim, a comunicação foi interpretada como indicando que o ciclo de aperto pode não ter terminado.

“A mensagem implícita é que a decisão não é isolada, mas sim o início de um novo ponto de partida para a política monetária”, diz Brzeski. A ênfase em efeitos indiretos da alta de energia e no alargamento das pressões de preços reforça essa leitura.

Ao mesmo tempo, o economista aponta inconsistências na comunicação do BCE, que mantém a dependência de dados e decisões reunião a reunião, mesmo com uma função de reação aparentemente mais clara. Comentários sobre distintos cenários macroeconômicos, incluindo menções a cortes de juros, aumentaram a incerteza.

Para o ING, cresce a probabilidade de uma nova alta nas próximas reuniões, possivelmente em julho ou setembro. Ainda assim, o cenário base não contempla um ciclo agressivo de aperto. “É difícil imaginar o BCE promovendo altas significativas diante de um choque de oferta exógeno e do risco de aprofundar uma desaceleração econômica”, conclui Brzeski.