A apreciação de cerca de 8% em 2025 frente ao dólar foi quase integralmente explicado por fatores globais, o que mudou em 2026, avalia o BTG Pactual em um relatório enviado a clientes nesta segunda-feira (11).
Apesar de um ganho próximo de 3% no acumulado até abril, a moeda passou a oscilar com maior intensidade — variações semanais superiores a 2% foram observadas — refletindo a crescente influência de fatores domésticos.
Nos primeiros quatro meses de 2026, a valorização do real foi dividida de forma relativamente equilibrada entre componentes globais e específicos, com contribuições em torno de 50% para cada lado. Essa proporção, contudo, se deteriorou ao longo do segundo trimestre, quando eventos políticos internos passaram a explicar mais de 60% da variação cambial em determinadas janelas.
Entre março e meados de maio, período marcado pela escalada do conflito no Oriente Médio, o real chegou a se fortalecer cerca de 5% mesmo diante de um choque externo negativo. De acordo com o BTG, quase 70% desse movimento foi explicado por fatores idiossincráticos, refletindo a posição relativa mais favorável do Brasil entre emergentes naquele momento.
Fatores globais e decomposição do câmbio
O modelo desenvolvido pelo banco utiliza uma abordagem em duas etapas para decompor o USDBRL. Primeiro, um algoritmo de seleção estatística (Elastic Net) filtra, dentre mais de 20 moedas internacionais, aquelas com maior poder explicativo — tipicamente entre 5 e 8 pares relevantes.
Na segunda etapa, um filtro de Kalman separa a contribuição do chamado fator global/pares do componente específico do real. Em termos médios, o modelo consegue explicar entre 65% e 85% da variância do câmbio com base nos pares globais em períodos de maior estabilidade, percentual que caiu para menos de 50% nos momentos mais recentes.
Choques externos e transmissão diferenciada
Os resultados mostram que, em 2025, cerca de 90% das oscilações do real foram explicadas por fatores globais, em linha com o comportamento de outras moedas emergentes. Esse número caiu para aproximadamente 55% no acumulado de 2026 até maio, evidenciando maior dispersão relativa.
Mesmo quando o gatilho foi externo — como no choque energético —, a resposta do real diferiu dos pares. O banco estima que o desempenho relativo do Brasil adicionou entre 1,5 e 2 pontos percentuais de apreciação adicional naquele intervalo, destacando o diferencial positivo frente a economias comparáveis.
Fatores locais ganham peso
A partir de meados de maio, o componente específico do BRL passou a responder por mais de 70% da depreciação observada, com a moeda chegando a perder cerca de 4% em poucas semanas. Esse movimento coincidiu com o aumento de incertezas políticas domésticas, segundo o relatório.
Na leitura mais recente, após dados fortes do mercado de trabalho dos EUA, o dólar avançou globalmente, mas o real apresentou desempenho cerca de 1 ponto percentual pior do que a média dos pares selecionados. O modelo atribui essa diferença majoritariamente ao componente idiossincrático.






