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Raia Drogasil cresce 20% na receita e ganha participação de mercado

Raia Drogasil cresce 20% na receita e ganha participação de mercado

BTG Pactual aponta resultado sólido no primeiro trimestre de 2026, com vendas mesmas lojas avançando 14,3% e medicamentos GLP-1 respondendo por cerca de 12% das vendas

A Raia Drogasil (RADL3) entregou mais um resultado robusto no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de receita acima das expectativas e ganhos de participação de mercado em todas as regiões do país.

A avaliação é do BTG Pactual, em relatório assinado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, que mantêm a rede de farmácias como o principal ativo de longo prazo em sua cobertura de varejo brasileiro.

GLP-1 e genéricos puxam crescimento de vendas

A receita bruta avançou 20% na comparação anual, chegando a R$ 12 bilhões, em linha com as estimativas do BTG. O crescimento de vendas nas mesmas lojas (SSS) foi de 14,3% — acima da projeção de 13,5% do banco —, com as lojas maduras avançando 12,8%, bem acima do reajuste de 3,1% pelo CMED implementado no ano passado.

“O SSS cresceu 14,3%, acima de nossa projeção de 13,5%, ou 12,8% em lojas maduras — desacelerando após o pico da Black Friday, mas ainda bem acima do ajuste de preços de 3,1% pelo CMED implementado no ano passado”, destacam Guanais, Cesquim e Cendon.

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Entre as categorias, os medicamentos de marca foram o destaque, com alta de 29%, impulsionados pelos produtos GLP-1, que mantiveram participação de cerca de 12% nas vendas — nível similar ao quarto trimestre de 2025. Os genéricos cresceram 18%, favorecidos pelo vencimento recente de diversas patentes, enquanto o segmento OTC avançou 14% e o de higiene e beleza subiu 12%.

A rede abriu 67 lojas líquidas no trimestre, totalizando 313 inaugurações nos últimos 12 meses. A participação de mercado nacional chegou a 19,6%, ganho de 1,5 ponto percentual no ano, com avanços em todas as regiões: de 2,2 pontos em São Paulo até 0,4 ponto no Sul.

Margem estável e eficiência operacional avançam

A margem bruta ficou em 28,3%, praticamente estável no ano, com pressão de 0,4 ponto percentual pelo maior peso dos produtos GLP-1 e 0,1 ponto pelo efeito não caixa do ajuste a valor presente, compensados por ganhos comerciais de 0,4 ponto e melhora de 0,1 ponto em perdas de estoque.

O Ebitda ajustado pré-IFRS 16 cresceu 32% no ano, para R$ 821 milhões, com margem de 6,9% — expansão de 60 pontos-base, mas 10 pontos abaixo da estimativa do banco.

“O Ebitda ajustado cresceu 32% na comparação anual, para R$ 821 milhões, com margem de 6,9%, 60 pontos-base acima do ano anterior”, apontam os analistas. As despesas de SG&A melhoraram, beneficiadas pela reestruturação organizacional realizada em abril de 2025.

Geração de caixa forte

O lucro líquido ajustado pré-IFRS 16 chegou a R$ 300 milhões, ante R$ 177 milhões no mesmo período do ano anterior, mas ficou 10% abaixo das estimativas do BTG por despesas financeiras acima do esperado.

No fluxo de caixa, o destaque foi positivo: a companhia gerou R$ 696 milhões em caixa operacional, com um ganho de capital de giro de R$ 800 milhões após consumo de R$ 695 milhões no quarto trimestre, resultando em fluxo de caixa livre de R$ 285 milhões. A alavancagem permanece confortável, com relação dívida líquida sobre Ebitda de 1,2 vez.

“Acreditamos que a RD deve continuar a ser percebida pelos investidores como um compounder de longo prazo e uma exposição defensiva dentro do varejo brasileiro”, concluem Guanais, Cesquim e Cendon, que veem espaço para entrada incremental de investidores dado o desempenho recente abaixo da média do papel.