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Primeiro-ministro da França apresenta renúncia após moção de censura

Primeiro-ministro da França apresenta renúncia após moção de censura

Em um movimento inédito, a esquerda e a extrema direita da França uniram forças para derrubar o primeiro-ministro Michel Barnier, que agora detém o recorde do governo mais curto da história recente do país. A decisão foi oficializada com a aprovação de uma moção de censura — um mecanismo parlamentar que permite aos deputados destituírem o chefe de governo caso considerem sua gestão insatisfatória.

Barnier, veterano político e reconhecido por sua postura pragmática, foi nomeado para o cargo há apenas três meses pelo presidente Emmanuel Macron. Na França, o primeiro-ministro governa em conjunto com o presidente, que pode tanto indicar diretamente o nome para o cargo quanto convocar eleições parlamentares.

Na manhã desta quinta-feira (5), Barnier entregou sua renúncia a Macron, que deve fazer pronunciamento ainda hoje.

Por que o primeiro-ministro da França caiu?

Após o pleito de junho, em que a esquerda conquistou a maioria, mas não os assentos necessários para formar um governo, Macron escolheu Barnier, uma figura de centro-direita, o que gerou críticas de todos os lados.

O descontentamento culminou em uma aliança improvável entre o bloco de esquerda e a extrema direita, que juntos somam quase 330 das 574 cadeiras da Assembleia Nacional.

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Barnier deixa o cargo

A moção de censura foi aprovada por 331 votos, superando a exigência mínima de 288 votos. Com isso, Barnier deixa o cargo imediatamente, e a responsabilidade recai sobre Macron, que deverá negociar com os partidos majoritários ou nomear um novo primeiro-ministro, arriscando novos protestos e mais desgaste político.

Fontes próximas ao governo indicam que Macron pretende nomear outro premiê, possivelmente ainda esta semana, mesmo diante da possibilidade de intensificar a crise.

A rejeição do orçamento proposto por Barnier foi o estopim para a moção de censura. O plano, que previa cortes em gastos públicos e aumento temporário de impostos para grandes empresas, buscava reduzir o déficit público (6,1% do PIB em 2024) e a dívida nacional (112% do PIB no primeiro semestre). Contudo, foi amplamente criticado como uma continuidade das políticas impopulares de Macron.

Além da crise orçamentária, a França enfrenta desafios econômicos e políticos significativos. O prêmio de risco da dívida francesa se aproxima dos níveis da Grécia, enquanto a instabilidade na França e a crise de governo na Alemanha — que antecipou eleições legislativas para fevereiro — ameaçam a estabilidade da União Europeia em um momento crítico, marcado pelo iminente retorno de Donald Trump ao poder nos EUA.

Legislativo dividido em três blocos

A instabilidade política na França também reflete o cenário eleitoral. Após perder sua maioria parlamentar em 2022, Macron enfrenta um Legislativo dividido em três blocos rivais: esquerda, centro-direita e extrema direita. Nas eleições europeias deste ano, a extrema direita foi a grande vencedora, forçando Macron a antecipar as eleições gerais previstas para 2027, em uma tentativa de conter o avanço do Reagrupamento Nacional, liderado por Marine Le Pen.

Barnier, que foi o negociador-chefe do Brexit pela União Europeia, só conseguiu apoio do bloco de Macron e de seu próprio partido, Os Republicanos, insuficiente para sustentar seu governo. A rejeição do orçamento foi apenas um reflexo das dificuldades em liderar uma Assembleia fragmentada, com partidos já mirando as eleições de 2027, que definirão o sucessor de Macron, inelegível após dois mandatos consecutivos.

A moção de censura contra Barnier marca a primeira vez desde 1962 que um primeiro-ministro é derrubado dessa forma, reforçando o grau de divisão e incerteza na política francesa.

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