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Por que o PIB dos EUA veio forte? Consumo, exportações e tecnologia explicam o resultado

Por que o PIB dos EUA veio forte? Consumo, exportações e tecnologia explicam o resultado

PIB dos EUA cresceu 4,4% no 3TRI25 e confirmou um ritmo forte de atividade, puxado por consumo, exportações e investimentos. Para estrategista-chefe da Avenue, o dado reforça a resiliência da economia americana

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025 (3TRI25), segundo estimativa atualizada divulgada pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), órgão ligado ao Departamento de Comércio do país.

O resultado veio ligeiramente acima da leitura anterior (4,3%) e reforçou a percepção de que a maior economia do mundo seguiu em um ritmo de atividade mais forte do que o mercado vinha projetando.

Mais do que o número em si, porém, a composição do crescimento chamou a atenção do mercado.

O avanço da economia americana foi sustentado por consumo resiliente, melhora do setor externo, com exportações em alta e importações em queda, e pela continuidade de um ciclo robusto de investimentos em tecnologia, com a inteligência artificial (IA) ganhando protagonismo.

Na leitura de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o dado reforça a tese de que a economia americana manteve tração mesmo em um ambiente de ruídos e incertezas, que incluem desde tarifas e mudanças no comércio até preocupações fiscais.

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“O número foi muito bom e mostrou um crescimento saudável, com os gastos do consumidor americano avançando e investimentos pela parte de negócios se mantendo muito fortes”, afirmou Castro Alves.

O PIB dos EUA veio forte: o ponto central que puxou o crescimento

De acordo com o BEA, o avanço do PIB no terceiro trimestre refletiu principalmente aumento do consumo das famílias, das exportações, dos gastos do governo e do investimento. Ao mesmo tempo, as importações recuaram, o que também contribuiu para o resultado, já que importações entram como subtração no cálculo do PIB.

O dado divulgado nesta quinta-feira (22) é uma atualização que substituiu a terceira estimativa originalmente prevista para dezembro, em função do shutdown do governo americano.

Consumo americano segue como motor: serviços em destaque

Um dos principais pilares do resultado foi o consumo. O BEA destacou a alta dos gastos das famílias como um dos componentes que sustentaram o PIB no trimestre, enquanto a análise da Avenue chama atenção para a força da demanda mesmo em segmentos específicos.

Segundo Castro Alves, o consumo teve peso relevante no desempenho do período, com uma dinâmica mais forte em serviços do que em bens.

“Quando a gente olha em alguns serviços específicos, os gastos com saúde cresceram 3,6%, um pouco acima dos gastos com compra de produtos, que foi 3%”, disse o estrategista.

Na prática, a leitura é de que o consumidor americano seguiu sustentando a economia em um nível compatível com um crescimento acima do potencial, o que ajuda a explicar por que a atividade permaneceu forte mesmo após um primeiro semestre marcado por maior volatilidade.

Tecnologia/IA: investimento continua forte e reforça narrativa estrutural

Outro motor importante do PIB foi o investimento, com destaque para a demanda ligada à tecnologia. O BEA apontou que o crescimento refletiu também a expansão do investimento, enquanto Castro Alves ressaltou que o apetite por inovação segue sustentando decisões de capital por parte das empresas.

“Os investimentos pela parte de negócios, especialmente em equipamentos de hardware e software, se mantiveram muito fortes, refletindo o crescimento do apetite por tecnologia, especialmente inteligência artificial”, afirmou o estrategista-chefe da Avenue.

Para o mercado, esse ponto é especialmente relevante porque vai além de um estímulo de curto prazo, ele reforça uma narrativa estrutural de que o ciclo de IA continua influenciando produtividade, investimentos e competitividade — e pode seguir como suporte para a atividade ao longo de 2026.

Além disso, o BEA informou que os lucros corporativos aumentaram em US$ 175,6 bilhões no trimestre, em uma revisão para cima de US$ 9,5 bilhões, um dado que ajuda a sustentar a percepção de que o ambiente de negócios permaneceu favorável.

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Exportações e importações: o comércio exterior também ajudou

O setor externo também teve papel relevante na leitura do PIB. Segundo o BEA, houve alta das exportações e queda das importações, o que contribuiu positivamente para o crescimento.

Na avaliação de Castro Alves, essa dinâmica pode ter relação com o impacto das tarifas sobre o custo de importação — além de um câmbio que favorece o desempenho exportador.

“Crescimento de exportações também e decréscimo de importações. E aí as tarifas talvez tenham um impacto que não pode ser desprezível. Afinal de contas, ficou mais caro importar, então acaba importando menos”, afirmou o estrategista.

Ele acrescenta que, ao mesmo tempo, o dólar mais fraco pode funcionar como suporte adicional para as exportações, ampliando o efeito positivo do comércio exterior sobre o PIB.

O que muda no radar: resiliência agora, atenção ao 4º tri e ao impacto do shutdown

Com o terceiro trimestre fechado em alta, o mercado agora volta as atenções para a leitura do quarto trimestre e do resultado consolidado de 2025, que será divulgado em 20 de fevereiro, segundo o calendário do BEA.

E, embora o dado atual reforce um quadro de força, a discussão à frente tende a se concentrar em ritmo — especialmente porque o último trimestre do ano foi marcado por efeitos do shutdown do governo.

“O quarto trimestre foi negativamente influenciado pelo shutdown de 43 dias. Isso tende a impactar e, em geral, o mercado espera uma desaceleração, o que é normal”, afirmou Alves.

Ainda assim, na visão do estrategista, o principal recado do PIB do terceiro trimestre é que a economia americana segue resiliente, contrariando parte do pessimismo que vinha se acumulando em torno do cenário macro.

“A economia se manteve bastante resiliente, surpreendendo na segunda leitura do PIB: 4,4% no terceiro trimestre de 2025, contra 4,3% esperado”, disse.