As ações europeias chegam a 2026 em um momento que muitos investidores não esperavam ver tão cedo. Depois de uma década marcadas por desempenho inferior ao dos Estados Unidos, elas começam o ano mostrando sinais mais consistentes de reprecificação. Esse é o ponto de partida da análise apresentada por Morgan Stanley em uma conversa entre Paul Walsh e Marina Zavolock.
Walsh observa que a comparação com os EUA é inevitável. Ele lembra que, desde as eleições americanas, as ações europeias surpreenderam ao superar as americanas quando analisadas em moeda constante. Marina Zavolock reforça esse ponto ao destacar que esse dado ainda é pouco conhecido pelo mercado e ajuda a explicar o aumento recente do interesse pela região.
O elemento mais simbólico dessa virada ocorreu no fim do ano passado. Pela primeira vez em cerca de dez anos, as ações europeias romperam de forma sustentada o topo da faixa histórica de desconto em relação às americanas. Para Marina, sempre que esse movimento aconteceu no passado, abriu-se espaço para uma tendência mais duradoura de valorização, ainda que com oscilações ao longo do caminho.
Fluxos, lucros e os limites da comparação com os EUA
No início de 2026, os fluxos de capital voltaram a favorecer as ações europeias, impulsionados por uma busca maior por diversificação. Marina relata que muitos investidores consideram o mercado americano excessivamente concentrado em poucas empresas e veem a Europa como uma alternativa mais barata e menos congestionada.
Esse movimento, no entanto, não elimina as diferenças estruturais entre as regiões. O crescimento de lucros esperado para a Europa gira em torno de 4%, bem abaixo dos 17% projetados para os EUA. Walsh reconhece que a distância é grande, e Marina é direta ao afirmar que “competir de igual para igual ao longo de todo o ano é improvável”.
Ainda assim, ela destaca que o cenário não precisa ser binário. Historicamente, períodos de forte crescimento nos EUA tendem a reduzir, e não eliminar, a defasagem de desempenho da Europa. Além disso, a seleção correta de empresas e setores pode permitir ganhos relevantes mesmo em um ambiente de crescimento mais moderado.
IA, setores-chave e o peso da seleção de ações
Entre os principais vetores positivos para as ações europeias em 2026, a adoção de inteligência artificial ocupa lugar central. Segundo Marina, empresas europeias que já adotam IA representam cerca de um quarto do índice e vêm entregando crescimento de lucros e retornos superiores, inclusive em comparação com pares americanos. Para ela, esse diferencial tende a ficar mais evidente ao longo do ano.
Além da IA, fusões e aquisições ganham força, apoiadas por regras de concorrência mais flexíveis e balanços corporativos mais robustos. Há também fatores estruturais em curso, como reformas ligadas à poupança e investimento e mudanças nos sistemas de previdência, especialmente em países centrais da Europa.
No campo setorial, o banco destaca oportunidades em bancos, defesa, serviços públicos e semicondutores, enquanto recomenda cautela com setores ligados à velha economia, como automóveis, químicos e alimentos. A mensagem final de Marina é clara: em 2026, a Europa não é uma história de estilo — valor ou crescimento —, mas de dispersão e escolha criteriosa de ativos.
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