Os EUA estão de olho no potencial do Brasil e explorar a sua reserva de terras raras para driblar a dependência da China, cujo mercado está mais bem explorado e hoje o maior fornecedor do mundo. O Brasil, que já possui operações em andamento em Goiás, está na segunda colocação.
Segundo o Financial Times, Washington tem buscado fontes alternativas depois que Pequim restringiu as exportações em reação às tarifas comerciais do presidente Donald Trump, e vê o Brasil como um parceiro em potencial.
“Aqui só há oportunidades”, disse um funcionário com conhecimento do assunto em conversas com o FT. “O governo brasileiro está aberto a um acordo sobre minerais críticos.”
Os EUA já investiram capital. A Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC, na sigla em inglês) aprovou um empréstimo de US$ 465 milhões para na Mineração Serra Verde, a única mina de terras raras em operação no Brasil, e está financiando estudos de viabilidade em outros projetos em Goiás.
“É importante ressaltar que Washington está sinalizando apoio não apenas à mineração em si, mas também à capacidade de processamento, por meio de instituições financeiras públicas como a DFC e o Ex-Im Bank, em linhas gerais, seguindo a estratégia adotada na Austrália”, aponta o BTG Pactual em um relatório distribuído a clientes neste domingo (18).
Brasil correndo atrás
Segundo os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, em termos estruturais, o Brasil se beneficia por possuir a segunda maior base de reservas do mundo e um perfil geológico favorável, particularmente depósitos de argila iônica que tendem a ser mais simples de desenvolver e mais expostos a terras raras pesadas.
Ou seja, isso posiciona o país de forma favorável, visto que os governos ocidentais priorizam cada vez mais a diversificação para além da China, investindo em financiamento, parcerias e estruturas estratégicas para garantir o acesso a longo prazo a materiais críticos.
O BTG argumenta que ainda existem riscos de execução — especialmente em relação ao licenciamento para processamento a jusante e à coordenação de políticas —, mas o recente impulso em nível de projeto sugere que o Brasil está gradualmente passando de um potencial teórico para uma relevância prática.
“Do ponto de vista de ações, nossas formas preferenciais de investir no tema de terras raras brasileiras continuam sendo a Aclara e a Viridis. A Aclara oferece uma exposição mais consolidada, com respaldo institucional e um roteiro estratégico mais claro, enquanto a Viridis proporciona um ponto de entrada com beta mais alto e em um estágio inicial da mesma história estrutural”, ressaltam.
Segundo a Serra Verde, os seus minerais são usados nas indústrias de celulares, energia eólica, lasers, discos rígidos, lentes ópticas, aéreo espaciais, veículos elétricos e de eletrônicos.
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