A Opep, cartel que reúne os principais produtores de petróleo do mundo, reduziu em 500 mil barris por dia as estimativas de crescimento da demanda global pelo produto, como reflexo de uma estimativa menor da atividade econômica em todo o planeta.
A previsão anterior era de que a demanda aumentaria em 4,2 milhões de barris de petróleo por dia, saindo de um consumo diário de 96,7 milhões para 100,9 milhões de barris. Esse índice, no entanto, deve ficar em 100,5 milhões. Houve ainda um ajuste na demanda global de 2021, que cresceu levemente, para 96,8 milhões, o que explica a diferença de 500 mil na queda da previsão.
Mundo com menor crescimento
A previsão de crescimento do PIB global caiu de 4,2% para 3,9%, graças ao impacto direto na queda da previsão de economias gigantes:
- EUA – de 4% para 3,8%
- Zona do euro – de 3,9% para 3,5%
- Japão – de 2,2% para 1,9%
Alguns dos países considerados emergentes também tiveram suas previsões reduzidas, como a China, de 5,6% para 5,3% e o Brasil, de 1,5% para 1,2%. A previsão da Índia foi mantida em crescimento de 7,2%, e para a Rússia, envolvida em guerra com a Ucrânia, a queda estimada é de 2% do PIB.
A invasão da Rússia à Ucrânia, aliás, é apontada como principal fator desse pessimismo da Opep, ao lado da persistência dos efeitos da pandemia de covid-19 em alguns países, de problemas na cadeia de abastecimento e de cenários de pressão inflacionária em várias áreas importantes do mundo, que vão requerer políticas monetárias restritivas da atividade econômica. Com menos movimentação, há menos necessidade de petróleo.
Incerteza nos preços do petróleo
A Opep também prevê uma volatilidade no petróleo nos próximos meses, depois de verificar em março uma variação de 20,8%, com preço médio de US$ 113,48 por barril.
A guerra no Leste Europeu e as preocupações com o risco de dificuldades no fornecimento em curto prazo têm feito a cotação do produto oscilar muito também no mercado futuro. A incerteza, inclusive, tem feito investidores reduzir posições de prazo muito longo.
Brasil visto com ressaltas
A previsão de menor crescimento para o Brasil, segundo a Opep, é justificada por fatores como a persistência do desemprego e a forte pressão inflacionária, que reduzem o poder de compra da população e, assim, prejudicam a retomada da atividade econômica. O cenário político, com eleições gerais em outubro, também é visto como fator de risco para o crescimento.
O relatório prevê, no entanto, que haverá no decorrer do ano um aumento da demanda por combustíveis como o diesel, usado no setor de transportes, e já projeta inclusive a criação de programas de estímulo fiscal pelo governo para reduzir o preço dos combustíveis.
Petróleo brasileiro
A Opep estima a produção no Brasil em 2022 para 3,76 milhões de barris/dia, valor acima dos 3,6 milhões/dia de 2021, mas menor do que a previsão anterior, de 3,77 milhões. A previsão menos otimista se dá após relatos de manutenções mais longas que o esperado em plataformas nos campos Tupi e Bùzios.
Segundo o relatório, a Petrobras (PETR3, PETR4) também alertou redução da produção em outros campos, alegando riscos de vazamentos e pequenos incêndios. Por outro lado, a ampliação de atividades da empresa nos campos Mero-1 e Sépia, além da Equinor (E1QN34) no campo Peregrino devem garantir um aumento de produção que compense os problemas em outros lugares.
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