As economias emergentes em 2026 entram no próximo ano com fundamentos mais sólidos do que o esperado após um período marcado por choques relevantes. Para François Faure, analista da BNP Paribas, a capacidade de adaptação demonstrada em 2025 foi decisiva. “As economias emergentes mostraram uma resiliência notável diante do protecionismo americano e das tensões geopolíticas”, afirma.
Segundo ele, o impacto desses choques sobre o comércio global acabou sendo limitado. “O desempenho das exportações chinesas ajudou a amortecer os efeitos negativos no comércio internacional”, destaca Faure, ao apontar que esse fator foi central para sustentar o crescimento econômico em várias regiões.
De forma indireta, o analista também associa a melhora do cenário inflacionário à valorização cambial. Ele observa que a apreciação das moedas emergentes frente ao dólar contribuiu para reduzir a inflação e manter os desequilíbrios macroeconômicos sob controle, criando um ambiente mais previsível para 2026.
Crescimento mais lento, mas com chance de estabilização
O cenário-base para as economias emergentes em 2026 ainda é de desaceleração do crescimento econômico. No entanto, Faure pondera que os dados mais recentes permitem uma leitura menos pessimista. “Os indicadores disponíveis para o segundo semestre de 2025 sugerem que uma estabilização, ou até uma consolidação, não pode ser descartada”, afirma.
Ele destaca que o superávit nos mercados de petróleo e gás tende a manter os preços dos hidrocarbonetos em níveis moderados. “Esse contexto ajuda a conter pressões inflacionárias e prolonga o ciclo de flexibilização monetária”, explica, reforçando o papel da política monetária no suporte à atividade.
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Além disso, Faure avalia que as políticas fiscais, embora mais prudentes, não devem se tornar excessivamente restritivas. Na sua leitura, a combinação entre inflação mais baixa, juros em queda e financiamento favorável cria condições para evitar uma desaceleração mais abrupta.
Ásia mantém liderança entre os emergentes
A Ásia emergente deve seguir como a região mais dinâmica em 2026, mesmo com a desaceleração da China. François Faure é direto ao afirmar que “a região industrializada da Ásia continua sendo impulsionada pelas exportações de componentes e equipamentos eletrônicos”.
Ele cita especificamente Taiwan e Vietnã, cujas exportações aceleraram de forma significativa. “Esse dinamismo não depende exclusivamente dos investimentos em inteligência artificial, o que torna o crescimento mais robusto”, observa.
Ao mesmo tempo, Faure ressalta que o desempenho asiático está ligado ao reequilíbrio da economia chinesa. “A China precisa reduzir o excesso de capacidade produtiva e apoiar mais diretamente o consumo das famílias”, diz, acrescentando que avanços tecnológicos e maior autonomia em setores estratégicos também fazem parte desse processo.
América Latina e Europa emergente enfrentam mais limites
Na América Latina, o cenário das economias emergentes em 2026 é mais restritivo. Faure aponta que países como Brasil e México enfrentam entraves estruturais importantes. “As altas taxas de juros reais e a deterioração das finanças públicas continuam limitando o crescimento”, afirma.
Na Europa Central e na Turquia, o analista destaca a concorrência crescente de produtos chineses. “Essas economias enfrentarão desafios semelhantes aos da zona do euro, especialmente em setores industriais”, avalia, citando impactos indiretos da reestruturação automotiva alemã.
Embora investimentos em infraestrutura e defesa na Alemanha possam gerar algum estímulo, Faure é cauteloso. Segundo ele, “os benefícios para a Europa Central devem ser apenas moderados, dadas as especializações industriais desses países”.
Financiamento sólido, mas riscos seguem no radar
As condições de financiamento continuam sendo um dos principais pontos de sustentação das economias emergentes em 2026. Faure destaca que os fluxos de investimento de carteira atingiram níveis recordes. “Os spreads de rendimento seguem atrativos, o que apoia a entrada de capitais”, afirma.
Ele ressalta que o endividamento de empresas e famílias permanece administrável. “Com exceção de poucos países, o serviço da dívida privada não piorou e, em vários casos, até melhorou”, observa.
Por fim, Faure alerta que os riscos mais relevantes são geopolíticos e políticos. “As ameaças não são econômicas ou financeiras, mas sim ligadas a conflitos, eleições e instabilidade política”, diz. Ainda assim, conclui que as economias emergentes seguem capazes de resistir a choques, desde que o otimismo seja acompanhado de cautela.
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