Depois de mais de duas décadas de negociações, o Mercosul e a União Europeia (UE) anunciaram a conclusão do acordo comercial na manhã desta sexta-feira (6), durante a Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, no Uruguai.
Em entrevista coletiva, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o “acordo com Mercosul é vitória para Europa”.
“Este é um acordo ganha-ganha, que trará benefícios significativos para consumidores e empresas, de ambos os lados. Estamos focados na justiça e no benefício mútuo. Ouvimos as preocupações de nossos agricultores e agimos de acordo com elas. Este acordo inclui salvaguardas robustas para proteger seus meios de subsistência“, afirmou von der Leyen.
O acordo criará o maior mercado comum do mundo, abrangendo 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 22,3 trilhões.
O pacto busca fortalecer a relação entre os blocos por meio de uma ampla gama de medidas, incluindo:
- Liberalização do comércio de bens e produtos;
- Harmonização de normas sanitárias e fitossanitárias (relativas ao controle de pragas e doenças);
- Cooperação ambiental e política;
- Proteção dos direitos de propriedade intelectual;
- Abertura para compras governamentais; e
- Facilitação de acesso a mercados.
Mercosul e União Europeia: impactos econômicos
Os benefícios econômicos potenciais para o Brasil são expressivos.
Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o acordo pode gerar um crescimento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões (R$ 55,7 bilhões). Além disso, a balança comercial do Brasil também deve ser favorecida, com exportações crescendo US$ 11,6 bilhões (R$ 69,4 bilhões) no mesmo período.
Setores ligados à produção agrícola, como carnes e grãos, são apontados como os grandes vencedores do tratado. O acesso ampliado a mercados europeus – reconhecidos por sua alta demanda e preços premium – deve impulsionar o volume e a qualidade das exportações brasileiras.
Além disso, a redução de tarifas e a maior integração entre os mercados podem atrair novos investimentos estrangeiros, elevando a competitividade de produtos brasileiros.
Outro ponto positivo é a abertura para compras governamentais. Este é um tema de grande interesse para o Brasil, especialmente no que diz respeito a flexibilizações que permitam maior desenvolvimento industrial doméstico por meio de políticas públicas voltadas ao setor.
No entanto, a análise econômica também aponta desafios. A indústria sul-americana, especialmente setores como o químico, automotivo e manufatureiro, deve enfrentar uma concorrência significativa dos países europeus, que possuem forte capacidade tecnológica e custos de produção competitivos.
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Obstáculos políticos e resistências internas
Apesar da conclusão do acordo, as negociações ainda enfrentam resistência tanto na União Europeia quanto no Mercosul.
Países como França e Polônia se opõem ao acordo. A França, por exemplo, critica os termos atuais, classificando-os como “inaceitáveis” devido ao impacto esperado na competitividade de sua agricultura.
Especialistas apontam que o setor agrícola francês se vê ameaçado com o acordo Mercosul e União Europeia por já ter dificuldades de competir com os países do Mercosul, que são conhecidos por sua produção em larga escala e eficiente.
Ainda assim, para barrar o tratado, a França precisaria formar uma “minoria qualificada” dentro da União Europeia – exigindo a oposição de ao menos quatro países que representem mais de 35% da população do bloco europeu.
No Mercosul, as opiniões também são divididas. Embora o acordo seja visto como uma oportunidade para ampliar exportações e atrair investimentos, há receios sobre o impacto na indústria local e nas políticas de desenvolvimento regional.
Apesar da conclusão do acordo, ainda há uma longa caminhada até a implementação total
Mesmo com a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia, o acordo ainda enfrentará uma longa trajetória até entrar em vigor.
O texto deverá passar por revisão jurídica, ser traduzido para 20 idiomas e ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos.
Além disso, há um período de implementação que pode durar até 15 anos, com a redução gradual de tarifas e a adaptação das indústrias às novas regras.
Por isso, especialistas alertam que os efeitos do tratado, tanto positivos quanto negativos, serão percebidos ao longo do tempo.
Especialistas relatam que o Brasil precisa se preparar para enfrentar a concorrência europeia e precisa investir em digitalização, logística e eficiência produtiva para ser mais competitivo.
*texto atualizado às 10h32 para informar a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
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