O superávit comercial do Brasil alcançou US$ 68 bilhões em 2025, consolidando um dos melhores resultados da série histórica e confirmando a relevância do setor externo para a economia nacional. O desempenho veio em um contexto de crescimento das exportações, que atingiram nível recorde, e de desaceleração das importações no fim do ano, movimento que surpreendeu positivamente o mercado.
De acordo com a análise do BTG Pactual, o saldo positivo de dezembro, de US$ 9,6 bilhões, foi determinante para o fechamento do ano. O resultado mensal ficou bem acima das expectativas e refletiu uma redução mais intensa no ritmo das compras externas, especialmente em bens industriais, o que ampliou o superávit comercial do Brasil no acumulado de 12 meses.
Mesmo com um avanço relevante das importações ao longo de 2025, o país conseguiu manter um saldo externo elevado, reforçando a capacidade de adaptação do comércio exterior brasileiro em um ambiente global mais desafiador.
Exportações recordes e mudança no perfil de vendas externas
As exportações do Brasil somaram aproximadamente US$ 349 bilhões em 2025, o maior valor já registrado. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume embarcado, com destaque para carnes, veículos e petróleo. A diversificação de mercados e o redirecionamento de fluxos comerciais ajudaram a compensar a queda nas vendas para os Estados Unidos.
A China seguiu como principal destino dos produtos brasileiros, ampliando sua participação na pauta exportadora. Já a Argentina ganhou relevância com a retomada das compras de veículos, fortalecendo o comércio regional e contribuindo para o superávit comercial do Brasil.
O relatório também aponta que, apesar da queda nos preços de algumas commodities, a maior produção física garantiu crescimento das exportações, mostrando que o desempenho não dependeu apenas de fatores conjunturais.
Petróleo e importações moldam perspectivas para 2026
O petróleo teve papel central no resultado externo. A produção nacional atingiu recordes no segundo semestre de 2025, impulsionada pela normalização operacional e pelo avanço do pré-sal. Esse movimento elevou o saldo comercial do setor e deve continuar sustentando o superávit comercial do Brasil em 2026.
Para o próximo ano, o BTG Pactual projeta um superávit de cerca de US$ 74 bilhões, apoiado pela continuidade da desaceleração das importações e pela abertura de novos mercados para produtos brasileiros. A expectativa é que esse cenário contribua para a redução do déficit em conta corrente e fortaleça a posição externa do país.
Em um ambiente global ainda marcado por incertezas, o desempenho da balança comercial reforça a importância do setor externo como amortecedor macroeconômico e como fonte de estabilidade para a economia brasileira.






