São Paulo enfrenta uma mudança silenciosa no mercado residencial. Tradicionalmente centrado na venda de imóveis, o setor começa a valorizar empreendimentos voltados à renda recorrente, impulsionados por transformações demográficas, hábitos urbanos e demanda por flexibilidade habitacional.
Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que 21% dos domicílios no Brasil são alugados, o maior índice da série histórica. Nas grandes capitais, a proporção é ainda maior, indicando que a locação deixou de ser apenas uma alternativa temporária e passa a integrar de forma sólida o sistema habitacional.
Perfil da demanda em São Paulo
A capital paulista concentra jovens profissionais, estudantes e famílias pequenas, que priorizam proximidade a transporte público, centros de trabalho e serviços essenciais. Esses perfis de moradores favorecem unidades compactas e bem localizadas, com alta liquidez tanto para moradia quanto para investimento.
“Há uma mudança na percepção sobre o imóvel. Hoje, muitos consumidores buscam conveniência e mobilidade, enquanto investidores veem o residencial como uma fonte de renda constante”, observa Débora Bertini, diretora-geral de Incorporação e Vendas da MPD Engenharia.
Projetos estratégicos e eixo de mobilidade
O Plano Diretor de São Paulo incentiva a densificação em regiões próximas a corredores de transporte público, favorecendo tipologias compactas e o uso misto. Esse direcionamento urbano tem levado incorporadoras a repensar seus projetos, priorizando unidades menores e verticalizadas.
Um exemplo é o empreendimento New Time, na Vila Mariana, a poucos minutos da estação Santa Cruz do metrô. O projeto oferece studios de 25 m² e apartamentos de um dormitório, com áreas de lazer completas e proximidade a hospitais e centros empresariais. Segundo Débora Bertini, a localização estratégica influencia diretamente a taxa de ocupação e a liquidez do imóvel.
Renda imobiliária como estratégia de longo prazo
Relatórios de mercado mostram que a rentabilidade bruta média da locação em São Paulo varia entre 5% e 6% ao ano, dependendo da região e do tipo de unidade. Para incorporadoras, a renda recorrente começa a complementar o modelo tradicional de venda, oferecendo maior previsibilidade em ciclos econômicos variados.
“O mercado paulista reage rapidamente às mudanças econômicas. Empresas que antecipam essas tendências conseguem estruturar negócios mais resilientes, integrando a renda imobiliária ao planejamento estratégico de longo prazo”, afirma Débora.






