O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume nesta quinta-feira (3), durante a 66ª Cúpula de Chefes de Estado em Buenos Aires, a presidência rotativa do Mercosul. A mudança de comando ocorre em um momento estratégico, com Lula reforçando que a presença brasileira no bloco fortalece o país frente ao cenário internacional.
“Estar no Mercosul nos protege; nossas tarifas nos blindam e nossa robustez nos credencia perante o mundo como parceiros confiáveis”, afirmou o presidente em transmissão ao vivo da Argentina por seu canal no YouTube.
A intenção do presidente é ampliar a integração econômica, reduzir dependências externas e acelerar acordos estratégicos, como o tratado de livre comércio com a União Europeia — que Lula espera concluir ainda este ano. O Brasil sucede a Argentina no comando do bloco, que também conta com Uruguai, Paraguai e Bolívia, este último recentemente incorporado.
Encontro com Milei e clima protocolar
A cerimônia de transição foi marcada por formalidade. Lula e o presidente argentino, Javier Milei, trocaram um aperto de mãos protocolar e posaram para fotos. Foi o primeiro encontro entre os dois desde que Milei assumiu o governo argentino, em dezembro de 2023. Apesar das divergências políticas, o governo brasileiro optou por uma relação institucional com Buenos Aires.
Além da agenda oficial, Lula deve se reunir com a ex-presidente Cristina Kirchner, atualmente em prisão domiciliar, e manter conversas bilaterais com o presidente do Paraguai, Santiago Peña.
Agenda econômica e geopolítica do bloco
Lula deixou claro que pretende usar sua presidência do Mercosul para reforçar a soberania econômica da região. “Podemos diminuir custos e reduzir riscos utilizando nossas próprias moedas”, declarou, sinalizando apoio à redução da dependência do dólar nas transações regionais.
Ele também defendeu a diversificação de parcerias internacionais: “É importante ampliar mercados e diversificar parcerias”.
A Ásia aparece como destino estratégico. “É tempo de nos voltarmos para a Ásia”, afirmou o presidente, reforçando a intenção de fortalecer laços comerciais com potências orientais.
A futura realização da COP-30, em Belém, também foi citada pelo presidente Lula como uma oportunidade para o Mercosul demonstrar protagonismo global. “Na COP-30, em Belém, teremos as chances de mostrar ao mundo as soluções que vêm da América do Sul”, disse.
Desafios e perspectivas
Durante a Cúpula, os chanceleres do bloco reafirmaram que o acordo Mercosul-União Europeia continua sendo prioridade. O Itamaraty destacou que a integração regional será vital para enfrentar crises econômicas globais e promover desenvolvimento sustentável.
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