O Mercosul e a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio) selaram um acordo histórico de livre comércio, anunciado oficialmente em Buenos Aires. O pacto conecta o bloco sul-americano – formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia – com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países que formam um dos grupos econômicos mais ricos e estáveis da Europa, fora da União Europeia.
O negócio marca um avanço estratégico para o Mercosul, inserindo seus países em cadeias globais mais dinâmicas como o Efta, ao mesmo tempo que oferece acesso preferencial a um mercado de cerca de 290 milhões de consumidores com um PIB conjunto de US$ 4,39 trilhões.
O acordo vai muito além de intenções políticas. Ele prevê a eliminação imediata de 100% das tarifas de importação sobre produtos industriais e pesqueiros da Efta.
Para o Mercosul, isso significa acesso privilegiado a bens de alto valor agregado e tecnologias europeias que podem modernizar cadeias produtivas, especialmente nos setores de manufatura e alimentos. Em troca, os países sul-americanos conseguirão vender produtos como café torrado, suco de laranja, fumo, frutas frescas e manteiga de cacau sem tarifas para o mercado suíço e norueguês.
Produtos agrícolas entram em regime de quotas, mas com ganhos concretos
Nem todos os produtos terão entrada livre. O setor agrícola, sempre sensível nas negociações internacionais, será beneficiado por quotas de importação com tarifas reduzidas ou zeradas. Entre os destaques estão o milho (até 8.000 toneladas por ano), carne bovina (3.000 toneladas), óleos vegetais (3.000 toneladas) e vinho tinto (até 50 mil hectolitros).
Produtos famosos como chocolates suíços, que hoje pagam 20% de imposto para entrar no Mercosul, passarão a ser importados sem tarifa dentro de volumes pré-estabelecidos, o que pode baratear seu preço nas prateleiras brasileiras e dos países vizinhos. A medida é simbólica, mas representa o alcance prático de um acordo de livre comércio na vida cotidiana dos consumidores.
Impacto geopolítico e próximos passos
Este acordo é celebrado em um contexto de crescente protecionismo e tensões comerciais globais. Com a guerra comercial entre potências e o encolhimento de acordos multilaterais, o tratado entre Mercosul e Efta surge como um sinal de abertura e cooperação econômica entre blocos que, até então, dialogavam pouco.
As negociações, iniciadas em 2017, chegaram a um acordo político em 2019 e foram retomadas em 2024. Agora, com o anúncio oficial, os próximos passos envolvem a revisão jurídica dos termos, aprovação pelos parlamentos nacionais e ratificação pelos executivos dos países envolvidos. A implementação total pode levar até 15 anos, com reduções tarifárias progressivas até alcançar a tarifa zero.
Mais que comércio: um salto estratégico para o Mercosul
Além de possíveis benefícios para o consumidor, o acordo representa uma plataforma de internacionalização para as economias do Mercosul. Ele incentiva a diversificação das exportações, reduz a dependência de mercados tradicionais e pode estimular investimentos em infraestrutura, logística e inovação. Países da América do Sul ganham uma chance concreta de agregar valor aos seus produtos e competir em padrões mais exigentes.
Em um momento em que acordos comerciais sofrem resistência política em muitas partes do mundo, a parceria entre Mercosul e Efta é uma aposta na integração e no fortalecimento mútuo por meio do livre comércio.
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