Os juros futuros de longo prazo podem recuar até 2,5 pontos percentuais depois do segundo turno das eleições, caso o próximo governo apresente medidas capazes de melhorar a trajetória das contas públicas. Partindo de uma taxa próxima de 12,7%, o cenário mais otimista levaria parte da curva para 10,2% até o fim de 2027 — uma queda relativa de 19,7%.
A estimativa corresponde ao limite superior da projeção de André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital. Entre os demais especialistas consultados, as previsões de queda adicional variam de 0,8 a 1,8 ponto percentual. A magnitude do movimento dependerá da estabilização da dívida pública, do controle das despesas e da convergência das expectativas de inflação.
A reação do mercado ao primeiro turno já retirou parte do prêmio incorporado às taxas. O contrato de DI para janeiro de 2035, por exemplo, recuou 1,33 ponto percentual em um único pregão.
“O movimento das carteiras mostra que o mercado começou a retirar parte do prêmio de risco que estava embutido nos ativos brasileiros. A reação foi muito rápida porque os investidores não esperam a melhora da economia acontecer para depois se posicionar: eles antecipam cenários. Por isso vimos, simultaneamente, valorização da Bolsa, fortalecimento do real e queda relevante dos juros futuros”, afirma Caruso.
Crédito pode reagir antes de novos cortes da Selic
A queda dos juros longos pode alcançar o mercado de crédito antes de uma redução equivalente da Selic. Isso ocorre porque empresas e instituições financeiras utilizam a curva futura como referência para captar recursos e estruturar operações com prazos maiores.
Letícia Moschioni, sócia da Finscale, estima que a consolidação da confiança fiscal poderia retirar mais 1 a 1,4 ponto percentual da parte longa da curva. Nesse cenário, taxas atualmente próximas de 12,7% passariam para uma faixa entre 11,3% e 11,7%.
“Para as empresas, a parte mais importante do movimento dos juros não é o número da Selic isoladamente, mas o custo pelo qual o capital consegue ser captado, estruturado e transferido ao cliente. A queda de mais de 100 pontos-base em vencimentos longos depois do primeiro turno abre uma janela para repricing de debêntures, FIDCs, securitizações e estruturas de financiamento”, afirma Moschioni.
Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, espera que os primeiros efeitos apareçam entre três e seis meses após a estabilização da curva, principalmente em linhas com garantias e operações estruturadas. O impacto sobre construção, expansão empresarial e atividade econômica tende a levar entre seis e 12 meses.
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