A reação do mercado ao primeiro turno das eleições alterou também as expectativas para a Selic, taxa básica de juros da economia. Após a forte queda dos juros futuros na última segunda-feira (5), a curva passou a precificar reduções em novembro e dezembro, incluindo a possibilidade de um corte de 50 pontos-base.
A avaliação foi apresentada por Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, durante o Morning Call da EQI Research desta terça-feira (6), disponível no app EQI+.
Segundo Kautz, o resultado das urnas aumentou a percepção de que o Brasil poderá realizar um ajuste fiscal nos próximos anos, reduzindo parte do prêmio de risco exigido pelos investidores.
A expectativa ganhou força porque Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto os partidos de direita e centro-direita ampliaram sua presença no Congresso. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
“Os juros futuros caíram forte, mais de 100 pontos-base, com a curva precificando cortes da Selic em novembro e dezembro e chances de uma redução de 50 pontos”, afirma Stephan Kautz.
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A precificação representa os cenários incorporados aos contratos de juros negociados pelo mercado e não uma decisão já assegurada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.
Ativos brasileiros reagem ao primeiro turno
A mudança nas expectativas para a Selic ocorreu em meio a uma forte valorização dos ativos brasileiros. O Ibovespa subiu 7,70%, maior avanço diário desde março de 2020, e encerrou aos 206.912 pontos. Foi a primeira vez que o índice fechou um pregão acima dos 200 mil pontos.
O dólar recuou 4,12%, para aproximadamente R$ 5, enquanto o real apresentou o melhor desempenho entre as principais moedas globais.
Na avaliação de Kautz, a reação reflete a leitura dos investidores de que o resultado do primeiro turno e a nova composição do Congresso aumentam as chances de um ajuste fiscal nos próximos anos. Para o economista, essa mudança de expectativa ajuda a explicar a valorização da Bolsa, o fortalecimento do real e a queda dos juros futuros.
O dólar recuou 4,12%, para aproximadamente R$ 5, e o real apresentou o melhor desempenho entre as principais moedas globais.
Segundo Kautz, o resultado do primeiro turno e a nova composição do Congresso aumentaram, na percepção dos investidores, as chances de um ajuste fiscal nos próximos anos. O economista associa a forte reação dos ativos a essa mudança de expectativa.
No mercado de juros, os contratos futuros recuaram mais de 100 pontos-base, enquanto a curva passou a precificar cortes da Selic em novembro e dezembro, incluindo a possibilidade de uma redução de 50 pontos-base.
Kautz pondera, contudo, que o cenário poderá mudar com a divulgação de novas pesquisas eleitorais a partir do dia 8 e com os debates previstos para as próximas semanas. Segundo ele, esses eventos devem oferecer mais indicações sobre o segundo turno e influenciar novamente o comportamento dos ativos brasileiros.
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IPCA ainda limita apostas em cortes maiores da Selic
O cenário inflacionário continua sendo o principal contraponto à possibilidade de uma redução de 50 pontos-base. O IPCA de setembro será divulgado na sexta-feira (9), e Kautz espera uma leitura elevada após o IPCA-15 avançar 0,70%.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses deverá permanecer acima de 4,5%, teto do intervalo de tolerância da meta. Uma surpresa adicional para cima poderia diminuir o espaço para uma aceleração do ciclo de cortes.
O ambiente externo também inspira cautela. O índice de serviços dos Estados Unidos subiu para 55,9 pontos em setembro, acima do esperado, enquanto o componente de preços voltou a avançar. Os rendimentos dos títulos norte-americanos de 30 anos se aproximaram de 5,7%.
“Em geral, o otimismo dos mercados deve continuar por mais alguns dias. Mas teremos pesquisas a partir do dia 8 e debates nas próximas semanas, nos quais os principais candidatos deverão participar”, afirma Kautz.
As próximas pesquisas eleitorais, os debates e os dados de inflação deverão indicar se a possibilidade de um corte de 50 pontos-base ganhará força ou se a curva devolverá parte do movimento registrado após as eleições.
Quer acompanhar a análise completa de Stephan Kautz e os principais acontecimentos que movimentam os mercados? Assista ao Morning Call da EQI Research no app EQI+.






