O resultado do primeiro turno das eleições pode abrir caminho para uma Selic próxima de 10% caso o próximo governo apresente um ajuste fiscal sustentável e capaz de recuperar a confiança dos investidores. Esse cenário é apresentado no relatório “O recado das urnas para a economia”, produzido pela EQI Research e assinado por Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos.
O patamar representa um cenário alternativo à projeção-base da casa, que atualmente prevê a Selic em 12,5% ao final de 2027. A possibilidade de cortes mais intensos depende principalmente da redução das expectativas de inflação, que permanecem acima do centro da meta.
Segundo Kautz, a ampla bancada de centro-direita eleita para o Congresso, somada à possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, aumenta as chances de uma política econômica mais liberal, com menor intervenção do Estado e maior atenção à trajetória da dívida pública.
A credibilidade dessa perspectiva deverá ser testada em dois momentos. O primeiro será a eventual apresentação de medidas de transição ainda em 2026. O segundo virá no início de 2027, quando o próximo governo deverá encaminhar ao Congresso as principais propostas de ajuste e reformas.
“Um ajuste fiscal crível já seria possível para tornar esse cenário alternativo mais provável”, afirma Kautz no relatório.
PublicidadePublicidade
O que pode levar a Selic abaixo do cenário-base?
A EQI Research avalia que a economia brasileira estará submetida a forças opostas nos próximos trimestres. A atividade já vinha desacelerando antes das eleições, e um ajuste fiscal mais intenso poderia reduzir ainda mais o crescimento em 2027.
Por outro lado, a queda dos juros negociados pelo mercado e novos cortes promovidos pelo Banco Central tendem a flexibilizar as condições financeiras, favorecendo o consumo e os investimentos. Diante dessa combinação, a EQI Research mantém a projeção de crescimento de 1,5% para o PIB de 2027, mas com viés de baixa.
Na inflação, a casa espera uma aceleração provocada pelos efeitos do El Niño, que poderão persistir até meados de 2027. A projeção para o IPCA do próximo ano está em 4,3%, com viés de alta. Uma valorização do real poderia aliviar parte da pressão, embora Kautz avalie que o comportamento da moeda continuará dependendo principalmente do cenário internacional.
Nesse ambiente, as expectativas de inflação ganham importância para o Copom. Segundo o relatório, um ajuste fiscal considerado sustentável poderia aproximar as projeções da meta e permitir que o Banco Central reduza a Selic além dos 12,5% contemplados no cenário-base.
Leia também:
Para a EQI Research, ajuste fiscal não resolve baixa produtividade
A melhora das contas públicas, entretanto, não seria suficiente para produzir um ciclo duradouro de crescimento. O relatório da EQI Research destaca que a produtividade brasileira avança, em média, apenas 0,5% ao ano, ante aproximadamente 2% nos Estados Unidos.
“Vamos envelhecendo sem nos tornarmos ricos”, resume Kautz.
Para o economista, reformas voltadas ao aumento da produtividade poderiam reduzir estruturalmente os juros e permitir uma combinação de crescimento mais forte com inflação mais baixa. O relatório pondera, porém, que nenhum dos candidatos ao segundo turno apresentou essa agenda de maneira clara.
Quais medidas poderão aproximar a Selic de 10% e o que ainda impede um ciclo estrutural de crescimento? Acesse o EQI+ e confira o relatório completo “O recado das urnas para a economia”.






